Crime Sem Saída

Crítica – Crime Sem Saída

Sinopse (imdb): Pronto para o combate, um detetive da polícia de Nova York é levado a uma caçada em toda a cidade atrás de dois assassinos de policiais, depois de descobrir uma conspiração maciça e inesperada.

E vamos de filme policial genérico…

Crime Sem Saída (21 Bridges, no original) usou a Marvel como marketing. Não só o protagonista é Chadwick Boseman (Pantera Negra), como os irmãos Russo (que dirigiram Soldado Invernal, Guerra Civil, Guerra Infinita e Ultimato) estão entre os produtores – mas, se a gente olhar direito, são 17 produtores no total. Ou seja, a Marvel está só na divulgação.

Crime Sem Saída foi dirigido por Brian Kirk, que tem um currículo razoável na TV, mas irrelevante no cinema. Kirk se apoia nos clichês e entrega um filme tecnicamente bem feito, mas previsível ao extremo.

O elenco até é bom, mas não salva o filme. Além de Boseman, Crime Sem Saída conta com Sienna Miller, J.K. Simmons, Taylor Kitsch e Keith David.

Vai agradar os menos exigentes. E já tá bom.

Jojo Rabbit

Crítica – Jojo Rabbit

Sinopse (Festival do Rio): O diretor e roteirista Taika Waititi traz seu estilo de humor para o seu mais recente filme, uma sátira da Segunda Guerra Mundial que acompanha um garoto alemão solitário. A visão de mundo de Jojo vira de cabeça para baixo quando ele descobre que sua mãe solteira está escondendo uma jovem judia em seu sótão. Com a ajuda apenas de seu amigo imaginário idiota, Adolf Hitler, Jojo deve confrontar seu nacionalismo cego.

Fico imaginando as reuniões de executivos de estúdio para aprovarem este filme. “Então, vamos bancar uma comédia onde Hitler é um dos personagens principais?” Devem ter sido reuniões tensas…

Escrito e dirigido por Taika Waititi (Thor Ragnakok), Jojo Rabbit (idem, no original) faz humor com um tema delicado. Na Alemanha nazista, durante a guerra, temos um protagonista de dez anos de idade, que tem como amigo imaginário ninguém menos que o próprio Hitler. Acho que muita gente deve ter se sentido incomodada – “será que posso rir disso?”. Mas o filme consegue ser engraçado sem cair no mau gosto. Pelo menos na sessão onde heu estava presente, muita gente riu alto em uma cena onde “Heil Hitler!” é repetido diversas vezes.

Jojo Rabbit consegue te cativar e te fazer rir, pra depois te derrubar de cara no chão. Lembrei do genial curta Ilha das Flores (quem não conhece, tem no youtube). É um humor ágil e rápido, te distrai e coloca um sorriso no seu rosto, pra logo depois jogar a realidade na sua cara como um soco no estômago.

O elenco está muito bem. O garoto Roman Griffin Davis é ótimo, é um nome pra se anotar e acompanhar seu futuro. E é o próprio diretor Taika Waititi quem interpreta Hitler! Também no elenco, Thomasin McKenzie, Scarlett Johansson, Sam Rockwell, Alfie Allen e Archie Yates. A única bola fora é Rebel Wilson, que insiste em repetir o mesmo papel sem graça que sempre faz.

Escolhi poucos filmes no Festival do Rio, mas pelo menos uma delas foi uma escolha excelente. Jojo Rabbit é um dos melhores filmes do ano!

p.s.: Jojo Rabbit foi indicado a seis Oscars, e Taika Waititi ganhou a estatueta de melhor roteiro adaptado! As outras indicações foram melhor filme, atriz coadjuvante, edição, figurino e design de produção.

A Jaqueta de Couro de Cervo

Crítica – A Jaqueta de Couro de Cervo

Sinopse (Festival do Rio): Georges acabou de se separar de sua esposa e parece estar passando por uma crise de meia-idade. Depois de esquecer sua jaqueta de veludo no banheiro de uma estrada, ele chega à casa de um velho hippie que, por um valor exorbitante, lhe vende uma jaqueta vintage de couro de cervo e uma câmera de vídeo. Ninguém diria que essa jaqueta velha é uma roupa atraente, mas, para Georges, é amor à primeira vista. Com o coração partido e as finanças congeladas, Georges embarca em uma odisseia pessoal – tendo a jaqueta como seu Sancho Pança.

Em 2010, vi, também no Festival do Rio, Rubber, um filme sobre “um pneu telepático em missão demoníaca”. Rubber é tão maluco e divertido que guardei o nome do diretor, Quentin Dupieux. A Jaqueta de Couro de Cervo (Le Daim, no original; Deerskin como título internacional) é o novo filme de Dupieux.

Agora Dupieux tinha um elenco com grife (Jean Dujardin, Adèle Haenel), pra contar uma história quase tão maluca. Não fica claro se a jaqueta tem vida própria ou se tudo se passa na cabeça de Georges, mas isso pouco importa. O filme tem situações bem divertidas nessa saga de um homem contra todas as outras jaquetas do mundo.

Curtinho (uma hora e dezessete minutos), A Jaqueta de Couro de Cervo não é um grande filme, mas vai divertir os que se aventurarem em uma história maluca.

O Farol

Crítica – O Farol

Sinopse (Festival do Rio): Em uma remota ilha diante da costa da Nova Inglaterra, no final do século XIX, dois faroleiros estão presos e isolados por conta de uma tempestade que parece interminável. Eles embarcam em um conflito crescente de vontades. A tensão aumenta quando forças misteriosas (que podem ser reais ou não) evoluem em torno da dupla.

Gostei muito de A Bruxa, filme de estreia do Robert Eggers. Claro que seu segundo filme estaria no radar. Mas… Me parece que o sucesso subiu à cabeça do diretor, que resolveu fazer um filme hermético e pretensioso.

Se teve público que se sentiu enganado com A Bruxa, que foi ao cinema pra ver filme divertido de sustinho e se deparou com um produto muito mais denso, isto não deve acontecer com este O Farol (The Lighthouse, no original). A fotografia em P&B e o formato da tela quase quadrada (1.19:1, ainda mais quadrado que o 4:3 das antigas TVs de tubo) vão afastar boa parte do público.

Mas isso não me incomodou – a fotografia P&B até tem seus bons momentos. Na minha humilde opinião, o problema de O Farol é a falta de ritmo. O filme é absurdamente chato. Os longos diálogos só pioram. E a trama não chega a lugar algum.

Se tem algo que se salva é a atuação dos dois atores principais. Willem Dafoe é um grande ator, isso a gente já sabia; já Robert Pattinson surpreende e mostra que pode almejar premiações importantes apesar do passado de “vampiro purpurina” de Crepúsculo. Ambos dão show.

Mas, sei lá. Achei muito ruim. Talvez um dia heu reveja e mude de ideia, mas, minha primeira impressão foi péssima.

Festival do Rio 2019

Festival do Rio 2019

Como espectador, acompanho o Festival do Rio desde a primeira edição – na verdade, nos anos anteriores acompanhava os outros festivais semelhantes, como Fest Rio, Rio Cine e Mostra Banco Nacional. E, desde 2007, publico sempre aqui no heuvi sobre os vários filmes que assisto. Nos primeiros anos, como espectador; a partir de um determinado ano, como credenciado pela imprensa.

Mas 2019 será a minha cobertura mais discreta de todas. É uma junção de três motivos:

– O Festival do Rio teve problemas financeiros e fez uma edição reduzida, com menos filmes e menos sessões.
– O Festival do Rio negou o meu credenciamento, apesar de todos os anos que cobri o Festival.
– Tive os meus problemas pessoais que afetaram a frequência dos posts aqui no heuvi.

Assim, este ano só vou falar de 3 filmes. Mas espero que em 2020, tudo volte ao normal, que tenhamos um grande Festival do Rio, com uma grande cobertura do heuvi!

As Golpistas

Crítica – As Golpistas

Sinopse (imdb): Inspirado no artigo da New York Magazine, As Golpistas segue uma equipe de ex-funcionárias de clubes de strip-tease experientes que se unem para virar a mesa em cima de seus ex clientes de Wall Street.

As Golpistas (Hustlers, no original) se baseia numa história real que até é interessante. Mas, sabe quando o filme não engrena? A direção e o roteiro são de Lorene Scafaria (que fez o bom Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo), que faz um filme que até tem seus bons momentos. Mas no fim o resultado é fuén.

Agora, se tem uma coisa que indubitavelmente vale a pena em As Golpistas é a Jennifer Lopez, que entrega uma das melhores atuações de sua carreira (além de mostrar uma invejável forma física). Tinha um boato de indicação para o Oscar (o que seria merecido), mas não rolou, infelizmente. Também no elenco, Constance Wu, Julia Stiles, Keke Palmer, Lili Reinhart, Mercedes Ruehl, e uma desnecessária participação de Usher.

Vale pela J-Lo. Mas é fraco.

O Juízo

Crítica  – O Juízo

Sinopse (google): Em crise no casamento devido ao alcoolismo e por ter perdido o emprego, Augusto Menezes decide se mudar com esposa e o filho para uma fazenda herdada de seu avô. O que ele não imaginava era que a propriedade fosse assombrada por Couraça e Ana, escravos decididos a se vingar dos antepassados de Augusto.

Oba! Mais filme de gênero nacional!

O Juízo é um “suspense sobrenatural”*. Mas, diferente da maior parte dos filmes nacionais fantásticos feitos com poucos recursos, O Juízo tem pedigree, é uma produção da grande Conspiração Filmes. Digo mais: parece ser um projeto da família Torres Waddington – o filme é dirigido por Andrucha Waddington, roteirizado por sua esposa Fernanda Torres, e tem no no elenco Fernanda Montenegro (mãe da Fernanda Torres) e Joaquim Torres Waddington (o filho mais velho do casal). Curioso que uma família tão ligada ao cinema tradicional tenha um projeto com cinema de gênero…

O Juízo não é um grande filme, não é um “novo clássico do cinema nacional”. Mas tem seus méritos. Gosto muito da câmera do Andrucha Waddington. Os cenários no casarão no meio do mato são ótimos – o detalhe de não ter energia elétrica na casa ajuda no clima. A trama ainda tem plot twists, e adorei a cena do acidente de carro.

O elenco é excelente. O casal principal, Felipe Camargo e Carol Castro, está bem; Joaquim Torres Waddington, em seu primeiro filme, também segura a onda. Fernanda Montenegro e Lima Duarte, monstros da atuação brasileira, são sempre ótimos. Mas, pra mim, o destaque é Criolo, que está assustador.

Agora, uma história pessoal. Meu filho estuda no colégio com o filho caçula do Andrucha. Num evento na escola, comentei que estava ansioso pra ver o filme, e ele me disse “vou te chamar pra pré estreia”. Veio o convite, fui feliz ao cinema, acompanhado do meu amigo Sergio Junior, do podcast Frequência Fantasma – ver um filme de graça, com direito a pipoca e refri, já era um bom programa por si só. Mas, encontrei a Fernanda Torres, e a sessão virou um evento inesquecível. Ela me perguntou qual sala que heu estava. “Vem ver o filme com a gente, na nossa sala”, e a assessora me deu dois convitinhos com um “R” escrito no canto. Entramos na sala, nos informaram “o ‘R’ é de reservado, vocês podem sentar ali, junto com a equipe e o elenco”. Sentamos numa fileira meio vazia, e aos poucos vieram sentar em volta. Na poltrona ao meu lado, Lima Duarte. Ao lado dele, Carol Castro, e logo depois, Felipe Camargo. Fernanda Montenegro e Gilberto Gil se sentaram pouco atrás.

É, amigos. Ver um filme com essa galera em volta foi uma grande noite!

*Lima Duarte, ao meu lado, antes do filme, puxou papo, e disse que esse era um “suspense sobrenatural”. Gostei, vou usar!

Carcereiros – O Filme

Critica – Carcereiros – O Filme

Sinopse (google): Adriano é um carcereiro íntegro e avesso à violência, que tenta garantir a tranquilidade no presídio mesmo sofrendo com grandes dilemas familiares. A chegada de Abdel, um perigoso terrorista internacional, aumenta ainda mais a tensão no presídio, que já vive dias de terror por conta da luta entre duas facções criminosas. Agora, Adriano precisa enfrentar uma rebelião além de controlar todos os passos de Abdel.

Filme nacional de gênero!

Baseado na série da Globo, que por sua vez foi baseada no livro de Dráuzio Varela, Carcereiros – O Filme tem seus prós e contras. Vamulá.

Tecnicamente falando, o filme dirigido por José Eduardo Belmonte é bem feito. O clima claustrofóbico dentro da cadeia é bom, e temos bons efeitos especiais práticos de “tiro porrada e bomba”. O elenco (Rodrigo Lombardi, Milton Gonçalves, Kaysar Dadour, Tony Tornado, Rafael Portugal, Dan Stulbach, Jackson Antunes) também é bom. Por fim, achei que a batucada do Chico Science encaixou perfeitamente no clima tenso da trilha sonora.

Agora… O roteiro pedia um apuro melhor. O filme até começa bem, mas rolam uns plot twists meio forçados e a trama dá umas voltas desnecessárias. A segunda metade do filme é uma bagunça!

Mas… Como já falei aqui no heuvi em outras ocasiões, dou valor para o cinema nacional de gênero. Se os multiplex têm espaço para filmes de ação genéricos gringos, por que não teriam espaço para filmes de ação genéricos nacionais? O cinema nacional precisa ter espaço para filmes como Carcereiros!

Midway – Batalha em Alto-Mar

Crítica – Midway – Batalha em Alto-Mar

Sinopse (imdb): A história da Batalha de Midway, contada pelos líderes e pelos marinheiros que lutaram ela.

Não costumo ler muito sobre filmes que vou ver. Mas sempre checo quem é o diretor. Claro que sabia que estava indo ver um filme do Roland Emmerich.

Com uma breve análise na carreira de Emmerich (Independence Day, O Dia Depois de Amanhã, 2012) a gente vê que ele gosta de grandiosidade. Midway – Batalha em Alto-Mar (Midway, no original) é coerente com sua filmografia. Tem um tom exageradamente épico, meio forçado até – alguns personagens parecem heróis imaculados.

Pelo menos precisamos admitir que as batalhas (cheias de cgi) são muito bem filmadas. Neste aspecto, o fã de filmes de guerra não vai se decepcionar.

O elenco é bom – Ed Skrein, Patrick Wilson, Woody Harrelson, Luke Evans , Mandy Moore, Dennis Quaid. A narrativa do filme não tem espaço pra um único protagonista, a trama funciona bem entre os núcleos.

No fim, nada de mais. Mas tem o seu público.

As Panteras (2019)

Crítica – As Panteras (2019)

Sinopse (imdb): Quando uma jovem engenheira de sistemas alerta sobre uma tecnologia perigosa, as Panteras são acionadas, colocando suas vidas em risco para proteger todos nós.

Lá se vão vinte anos daquele As Panteras com Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu. Claro que Hollywood tem espaço pra outro reboot.

E uma coisa legal deste reboot é que não ignoraram o passado. As Panteras (Charlie’s Angels, no original) mostra rapidamente fotos da série de TV dos anos 70 e umas montagens (meio toscas) com as três atrizes da versão cinematográfica dos anos 00 (além de uma rápida participação surpresa numa cena durante os créditos). Prefiro assim, a história é nova, mas respeita o que já foi feito.

O filme em si é aquilo que se espera. Correria, confusão, piadinhas aqui e ali, e muito girl power. Nada de novo, mas pelo menos cumpre o seu papel: diverte o espectador. A não ser que seja um espectador esperando uma obra prima – e alguém precisa avisar pra esse cara que ele está procurando o filme no lugar errado.

O elenco é bom. O trio novo (Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska) tem química, Elizabeth Banks (que também é a diretora do filme) funciona como a chefe, e ainda tem Patrick Stewart, Djimon Hounsou e Sam Claflin. Ah, não sei se fui o único, mas o Jonathan Tucker me pareceu uma versão mais letal do personagem do Crispin Glover no filme de 2000.

Enfim, uma bobagem divertida.