Socorro!

Crítica – Socorro!

Sinopse (filmeb): Após um acidente aéreo, um chefe e uma funcionária que se odeiam são os únicos sobreviventes. Isolados numa ilha deserta, eles precisam decidir se cooperam ou competem para escapar, mas é difícil deixar para trás os conflitos do escritório.

Sam Raimi está de volta ao terror, dezesseis anos depois de Arraste-me Para o Inferno!

Socorro! (Send Help, no original) foi anunciado como “uma mistura de Louca Obsessão com Náufrago“, e parte de uma premissa interessante. Uma mulher sem muitas habilidades sociais e que por isso sofre bullying no trabalho, acaba indo viajar com o patrão e seus amigos num jato particular. O avião cai, e só sobrevivem ela e o chefe – que sempre a tratou mal. Mas agora ela que detém o poder, porque ela sabe se virar no meio do mato e ele não.

Socorro! tem tudo o que se espera num filme do Sam Raimi: sangue, gore e muito humor negro. Também tem um travelling pela mata, lembrando os movimentos de câmera de Evil Dead. Tem até um jump scare bem construído, daqueles que você não está esperando.

Lendo isso dá pra pensar que é uma pegada de terror trash sobrenatural, né? Que nada. O foco principal do filme é o embate entre dois personagens que se odeiam mas precisam se entender pela sobrevivência. Detalhe: ela, que era rejeitada e sofria bullying, era fanática por programas tipo Survivor, ou seja, ela sabe o que precisa para sobreviver. Agora é ela quem dá as cartas!

Mesmo assim, o filme tem bastante gore. Mas quase todas as sequências sanguinolentas geram mais risadas do que repulsa. A cena da caça ao javali é muito boa, e tem uma outra que envolve um veneno paralisante que vai deixar qualquer homem desconfortável. E, claro, assim como em Arraste-me Para o Inferno, tem cena – engraçada – envolvendo vômito. Muito vômito!

O elenco até tem mais nomes, mas quase todo o filme é em cima do casal principal. Rachel McAdams já tinha trabalhado com Sam Raimi em Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, de repente deve ter rolado alguma afinidade entre eles, e aqui ela está excelente, sem medo dos banhos de sangue. Dylan O’Brien também está bem como o antipático chefe. Ah, Bruce Campbell, “ator assinatura”do Sam Raimi, não está no filme, mas aparece em um quadro na sala do personagem do Dylan O’Brien.

Socorro! estava na minha lista de expectativas para 2026. Minha lista começou bem!

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

Crítica – Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

Sinopse (imdb): Quando uma carta misteriosa o chama de volta a Silent Hill em busca de seu amor perdido, James encontra uma cidade outrora reconhecível e se depara com figuras aterrorizantes, tanto familiares quanto novas.

Já comentei sobre Silent Hill, não lembro se foi aqui ou no Podcrastinadores. Comentei quando falei de boas adaptações de videogames para o cinema: Silent Hill e o primeiro Resident Evil. Meu comentário era que Silent Hill não tinha continuações, enquanto Resident Evil tem tantas que nem sei quantos filmes já rolaram – e cada continuação é pior que o anterior. Ou seja, a qualidade vem caindo, e muito. Mas heu estava errado, achava que Silent Hill não tinha continuações, e na verdade teve uma em 2012. E agora tem mais uma. A má notícia é que parece seguir a linha Resident Evil: só o primeiro é bom – essa nova continuação é bem ruim.

O que me animava para este novo filme é que a direção é de Christophe Gans, o mesmo diretor do Terror em Silent Hill de 2006. Até revi o filme de vinte anos atrás antes da continuação – não é um filme perfeito, mas continua bom. Não sei o que deu errado, mas Gans desta vez errou feio, errou rude.

O Silent Hill de 20 anos atrás era um bom terror e tinha alguns elementos muito assustadores. Este novo até repete alguns desses elementos, mas no fim parece mais um drama psicológico do que um terror. Mas, para explicar o meu ponto, vou precisar comentar algumas coisas sobre a trama, e algumas pessoas podem considerar isso um spoiler. Então se você for spoilerfóbico, pule esse texto e volte depois – apesar de que o que eu vou falar não tem nada demais.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

No filme de 2006, uma mulher vai procurar sua filha e acaba presa dentro de uma dimensão paralela – a cidade Silent Hill que ela está não é exatamente a mesma Silent Hill da vida real. Esta dimensão paralela é onde existem aqueles monstros e onde ela precisa procurar sua filha. Agora, neste novo filme não tem nada de dimensão paralela, porque tudo acontece dentro da cabeça do protagonista.

Depois da sessão de imprensa, conversei com uma pessoa que conhece os jogos, que disse que o jogo 2 realmente tem uma história completamente diferente do jogo 1, e este filme seria a história do jogo 2. Ou seja, pra quem jogou, talvez isso tenha sentido. Mas não é o meu caso. Heu estou indo ao cinema para ver um filme, e o filme deve ser feito também para quem não jogou. Se heu vi o filme Silent Hill de 2006, e gostei daquilo que eu vi, e vou ver um novo Silent Hill dirigido pelo mesmo diretor, vou esperar algo parecido, um terror assustador, e não um drama psicológico onde tudo se passa dentro da cabeça do protagonista.

Tudo que tem de bom nesse filme de 2026 já tinha no filme de vinte anos atrás. Algumas criaturas que aparecem são realmente assustadoras, como aquele que anda como se fosse com os braços para trás, ou aquele corredor com umas enfermeiras zumbis. São coisas legais – mas já tinha tudo isso naquele filme de 2006. Ou seja, aqui não tem nada que valha você perder seu tempo.

Mas calma que ainda tem espaço pra piorar. Porque o filme já estava ruim, mas o final é péssimo! O fim resolve criar uma redenção para o personagem principal para ele recomeçar tudo do zero e não mais viver tudo aquilo. Péra aí, esse personagem não é um cara legal, não é um cara carismático, não é um cara que a gente está torcendo por ele. Por que ele tem que ter uma redenção? E por que o filme que era para ser um filme de terror tem um final feliz? Foi péssimo isso.

O resultado final é bem ruim, mal começou o ano e eu já tenho um candidato para minha lista de piores filmes de 2026.

Natal Sangrento

Crítica – Natal Sangrento

Sinopse (imdb): Um menino testemunha o assassinato de seus pais por um homem disfarçado de Papai Noel. Anos depois, já adulto, ele veste uma fantasia de Papai Noel e embarca em uma violenta busca por vingança contra os responsáveis.

O público de terror não é muito exigente. Isso explica a grande quantidade de filmes de terror genéricos despejados no circuito. O genérico da vez é esse Natal Sangrento (Silent Night Deadly Night, no original), refilmagem de um terror genérico homônimo de 1984 (que teve algumas continuações, e uma refilmagem em 2012).

(Aliás, tudo é tão genérico que existe outro filme, de 2019, que também ganhou o mesmo nome “Natal Sangrento”…)

Dirigido pelo pouco conhecido Mike P. Nelson, Natal Sangrento usa como marketing ser “do mesmo estúdio de Terrifier“, o que a gente sabe que não significa nada. Principalmente porque, segundo o imdb, são oito produtoras, e só uma delas, a Screambox, também estava em Terrifier.

O filme traz Billy, um homem que viaja para cidades onde ninguém o conhece para cometer assassinatos. E ele tem uma voz interna que passa metade do filme discutindo com ele. Sim, impossível não lembrar de Venom, que também tem um protagonista que conversa o tempo todo com uma voz interna.

Agora, nos anos 80 era mais fácil aceitar uma trama dessas, onde um viajante solitário anda de cidade em cidade matando pessoas aleatórias. Hoje em dia, com câmeras de segurança, com reconhecimento facial, com DNA, a tarefa de Billy ia ser bem mais difícil.

(Fui pesquisar, segundo o Google, a partir de 1986 começaram a usar DNA em investigações criminais. Ou seja, o primeiro filme é antes disso.)

O filme é bastante inverossímil, mas até tem algumas boas cenas. A cena do carro, como o protagonista ainda criança, é boa. E tem uma divertida e absurda sequência contra nazistas – absurda porque é um cara sozinho e desarmado contra dezenas de oponentes.

A trama traz alguns pontos mal explorados, como o livro que o protagonista carrega, mas isso me pareceu proposital, pra deixar assunto para prováveis continuações.

Mas, como falei no início, tudo é genérico demais. Podia ter mais gore (já que se vende junto com Terrifier), mas até nisso o filme pega leve. Vai divertir os menos exigentes e só.

Five Nights At Freddy’s 2

Crítica – Five Nights At Freddy’s 2

Sinopse (imdb): Um ano após o pesadelo sobrenatural na Freddy Fazbear’s Pizza, Abby foge para se reconectar com seus amigos animatrônicos, revelando segredos obscuros sobre a verdadeira origem da Freddy’s e libertando um horror escondido há décadas.

Lançado em 2023, o primeiro Five Nights At Freddy’s não foi bom. Mas teve uma boa bilheteria – custou 20 milhões e rendeu 291 milhões. Além disso, é um filme baseado na franquia de jogos Five Nights At Freddy’s (ou FNAF). Então uma continuação não é surpresa. Pena que o segundo filme é tão fraco quanto o primeiro.

Mais uma vez dirigido por Emma Tammi (mesma diretora do primeiro filme), Five Nights At Freddy’s 2 traz os personagens do filme anterior lidando com os robôs animatrônicos, além de um novo fantasma. Mas o problema é que o roteiro é muito ruim. Ruim do nível de aparecer um novo personagem com o mesmo nome do protagonista – sim, tem dois Mikes no filme.

Dava tranquilamente pra fazer um vídeo “10 furos de roteiro em Five Nights At Freddy’s 2“, mas pra isso heu teria que rever o filme, e não pretendo fazer isso tão cedo. Mas vou trazer dois grandes erros aqui pra dar um exemplo. Um deles é que os robôs fazem muito barulho quando estão andando. Mas quando o personagem não está vendo, os passos são completamente silenciosos! Galera, ou o bicho faz barulho quando anda, ou não. Não dá pra ser os dois.

Outro erro é num momento onde robôs são acionados remotamente, e, do nada, aparece um robô em cima do carro. Em cima do carro, em movimento! E o pior é que esse erro dava pra ser consertado numa revisão de roteiro. O carro não é da personagem, ela pegou o carro que estava lá. Era só ter um enfeite em cima do carro…

Five Nights At Freddy’s 2 é cheio de jumpscares ruins. Todos são baseados em som alto, nenhum tem uma construção de roteiro. Jumpscare de barulho só assusta quem não está prestando atenção no filme. Agora, assustar o filme não assusta. E como é direcionado ao público adolescente, não tem nenhuma cena violenta. Todas as mortes acontecem fora da tela.

Sobre os animatrônicos, trago o mesmo elogio e a mesma crítica do filme anterior. O elogio é que são bonecos reais, em vez de cgi – mais uma vez chamaram a empresa do Jim Henson, criador dos Muppets. Muito melhor ter bonecos reais do que algo feito por computador. Agora, o problema é que são bonecos que não assustam ninguém. Repito o que escrevi dois anos atrás: “O filme parte do princípio de que as pessoas têm medo dos robôs, mas, você precisa fazer alguma coisa com esse robô pra ele virar assustador. É que nem um palhaço. Um palhaço não é assustador, mas pode virar assustador dependendo de como você apresentá-lo.

No elenco, os três principais, Josh Hutcherson, Piper Rubio e Elizabeth Lail repetem os personagens sem carisma e sem graça do primeiro filme. Matthew Lillard aparece em algumas cenas de sonho (lembrei de outro furo de roteiro, a personagem diz “não tenho medo de você” – e logo depois foge, com medo). Wayne Knight faz um alívio cômico sem graça (como sempre faz), e que destoa completamente do resto do filme. Além disso, tem duas participações que heu queria destacar. Skeet Ulrich (que estava em Pânico com Matthew Lillard), aparece em uma única cena, mas está tão diferente que nem reconheci. E Mckenna Grace, jovem com grande currículo no terror, é desperdiçada em apenas duas sequências.

Como falei, FNAF tem seu público. E Five Nights At Freddy’s 2 termina com gancho pro terceiro, além de uma cena pós créditos só pra fãs. Ou seja, teremos mais FNAFs…

Sombras no Deserto

Crítica – Sombras no Deserto

Sinopse (imdb): O filho, conhecido apenas como “O Menino”, é levado a duvidar por outra criança misteriosa e se rebela contra o seu guardião, o Carpinteiro, revelando poderes inatos e um destino além de sua compreensão.

Taí, um filme de terror com Jesus Cristo adolescente pode ser uma boa ideia.

Fui católico, mas não sou um grande entendedor de assuntos bíblicos. Mas sei que, oficialmente, a Bíblia fala do nascimento de Jesus e depois só fala dele depois dos 30 anos de idade. Teoricamente, tudo o que ele fez foi dos 30 aos 33. Fico imaginando uma história de ficção com Jesus aos 25 anos, trabalhando como carpinteiro como seu pai. Será que naquela época as pessoas se casavam cedo? Imagina se Jesus casou e teve filhos antes de descobrir sua vocação? Imagina uma história com um filho de Jesus sofrendo porque ficou órfão?

(Acho que se alguém escrevesse uma história dessas, mesmo dizendo que é ficção, seria cancelado…)

Em Sombras no Deserto (The Carpenter’s Son, no original), acompanhamos um casal com um filho recém nascido, que foge porque estão matando bebês. Anos se passam, o garoto agora é adolescente, quase adulto, e começa a descobrir que tem poderes milagrosos, quando acidentalmente cura um leproso.

Escrito e dirigido por Lotfy Nathan, Sombras no Deserto teoricamente é baseado no evangelho apócrifo de Tomé – um texto não oficial da Bíblia que conta sobre milagres realizados por Jesus ainda criança. Não entendo de evangelhos apócrifos, mas li no imdb que a trama aqui não tem muito a ver com o texto bíblico…

Mas, sabe qual é o problema? Tudo é muito raso. Sombras no Deserto falha em propor uma boa trama usando questionamentos em cima dos dogmas da igreja católica. E também falha em criar um clima de terror, não existe nada assustador aqui. É só um filme arrastado – e chato.

Nem tudo é ruim. A ambientação em locações no Egito é boa. E gostei de como mostraram o diabo. Quando o garoto é tentado, aparece para ele como uma menina jovem – mas quando outras pessoas veem o mesmo diabo, enxergam outras coisas.

Li no imdb que Robert Eggers teria dito que seria um desafio trabalhar com Nicolas Cage. Cage então teria pedido ao seu agente para procurar um roteiro o mais próximo possível aos filmes de Eggers. Deve ter sido assim que Cage entrou no elenco. Mas, não é um “filme do Nicolas Cage”, não temos exageros de over acting comuns no atual momento da carreira do astro. Noah Jupe (Um Lugar Silencioso) faz “o garoto”, que a gente sabe que é Jesus, mas o filme não quer assumir. FKA Twigs (O Corvo) é a mãe, mas está bem apagada, é uma das Marias mais sem graça da história do cinema. Também no elenco, Isla Johnston, gostei dela como a versão do diabo que interage com Jesus.

Sombras no Deserto podia ser um novo A Última Tentação de Cristo, provocando os dogmas cristãos. Mas faltou talento. Será um filme esquecido em pouco tempo.

Enterre Seus Mortos

Crítica – Enterre Seus Mortos

Sinopse (imdb): Em uma paisagem rural apocalíptica, o coletor de animais atropelados Edgar Wilson planeja uma fuga com sua namorada Nete, mas tem sonhos violentos.

Enterre Seus Mortos passou no Festival do Rio ano passado, não consegui ver, mas alguns amigos viram, e todos foram unânimes: era um dos piores filmes daquele ano. Mais de um ano depois, passou nos cinemas e finalmente tive oportunidade de assistir, e concordo com eles. Pensei em não fazer texto sobre Enterre Seus Mortos, porque não gosto muito de falar mal de terror nacional. Mas Enterre Seus Mortos foi tão decepcionante que talvez ele volte no top 10 de piores do ano. Então bora comentar logo.

Enterre Seus Mortos é o novo filme dirigido por Marco Dutra. Não sou muito fã do estilo dele, mas já vi alguns dos seus filmes. E ele merece respeito porque quase sempre consegue colocar seus filmes no circuito, coisa rara em se falando em terror nacional. O filme foi baseado no livro homônimo, escrito por Ana Paula Maia, que co-escreveu o roteiro com Dutra.

(Enterre Seus Mortos estava em cartaz. Fui ao Cinemark Downtown numa segunda feira para assistir. E heu era o ÚNICO dentro da sala de cinema. Fico triste pela bilheteria ruim. Mas, olhando pelo lado egoísta, olha só, não tinha ninguem usando celular…)

Enterre Seus Mortos começa bem. O espectador cai direto num mundo apocalíptico, onde pessoas estão fugindo do planeta e uma religião fundamentalista toma conta da sociedade. Somos apresentados a Edgar Wilson, um cara cujo trabalho é recolher animais mortos que podem estar contaminados.

(Sabe aquelas coisas que só heu penso? Toda vez que ouvia “Edgar Wilson” me lembrava de Ed Wilson, cantor da época da Jovem Guarda, um dos fundadores da banda Renato e Seus Blue Caps…)

A trama é arrastada, mas reconheço que estava gostando desse clima apocalíptico maluco. Mas, na parte final, o filme muda para uma direção completamente diferente. Mas vou ter que entrar nos spoilers pra comentar isso.

SPOILERS!

A distopia apocalíptica estava andando bem. Mas do nada mudam o foco do filme e vira um filme de possessão demoníaca. De onde veio isso?

Depois ainda tem uma maluquice de uma menina polvo. Mas quando isso apareceu, o filme já tinha me perdido com a possessão.

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, gostei de ver Selton Mello num papel um pouco diferente do de sempre. Não que seja uma grande atuação, não é. Mas, sabe aquele estilo sempre igual, que ele repete em qualquer filme ou programa de TV? Aqui ele não está igual. Já Marjorie Estiano, grande atriz, aqui só faz o feijão com arroz. Também no elenco, Betty Faria, Danilo Grangheia e Gilda Nomacce.

Gosto do Marco Dutra, gosto de prestigiar terror nacional. Tomara que 2025 tenha dez filmes piores…

Terror em Shelby Oaks

Crítica – Terror em Shelby Oaks

Sinopse (imdb): A busca desesperada de uma mulher por sua irmã há muito tempo perdida torna-se uma obsessão ao perceber que o demônio imaginário de sua infância pode ter sido real.

Fui ver Terror em Shelby Oaks sem saber nada sobre o filme. Achei um terror meia boca, algumas boas ideias aqui e ali, mas um filme esquecível no geral. Só depois que fui ler sobre os bastidores…

Terror em Shelby Oaks (Shelby Oaks, no original) é o filme de estreia de Chris Stuckmann, pioneiro em fazer críticas de cinema no youtube – o canal dele, hoje, tem pouco mais de dois milhões de inscritos. Mas, confesso que não conhecia ele…

Para conseguir financiamento para este filme, Stuckmann fez um crowdfunding no Kickstarter, e acabou levantando um milhão, trezentos e noventa mil dólares, através de 14720 apoiadores – e se tornou o maior sucesso da plataforma no que diz respeito à filmes de terror.

Ou seja: palmas para Stuckmann, youtuber que tinha um sonho, e conseguiu realizá-lo. Pena que o filme é fraco.

Me parece que Stuckmann tinha várias ideias e resolveu misturá-las. E faltou uma revisão mais rigorosa no roteiro para tirar excessos. Um exemplo simples: tem uma longa introdução no formato mockumentary, usando algumas cenas em found footage. Não contei, mas deve ser tipo meia hora de filme. Aí do nada o filme muda para a narrativa convencional. E aí mistura prisão assombrada, bruxa velha, possessão, demônio…

Parece que parte do problema foi uma alteração no projeto original, quando entrou um dinheiro extra além do que foi planejado e fizeram algumas refilmagens para “melhorar” o filme. Inclusive, Mike Flanagan virou produtor executivo e ajudou na divulgação. Não conhecemos o roteiro antes do aporte financeiro, mas, se já era um roteiro bagunçado antes, só piorou depois.

O resultado não “deu liga”. Algumas cenas são boas, mas é pouco. E o roteiro ainda tem várias coisas que não fazem o menor sentido, como por exemplo uma personagem que presencia um homem se matando na frente dela, o sangue do cara jorra no seu rosto, mas ela não se limpa e continua com a cara suja de sangue horas depois.

Enfim, aguardemos por um segundo projeto do youtuber diretor. Porque esse aqui ficou devendo.

Primitive War

Crítica – Primitive War

Sinopse (imdb): Vietnã, 1968. A equipe de reconhecimento do Esquadrão Abutre vai para um vale isolado para investigar o desaparecimento de um pelotão de boinas verdes. Sua missão toma um rumo sombrio quando descobrem uma ameaça invisível.

A premissa lembra um filme da Asylum: guerra do Vietnã com dinossauros. Mas, preciso reconhecer que o resultado aqui é bem melhor que a média da Asylum.

Primitive War é um filme australiano, baseado no livro homônimo escrito por Ethan Petrus em 2017. Não conheço o livro, vou falar só do filme. Acompanhamos uma equipe que precisa resgatar um grupo de boinas verdes. O problema é que encontram dinossauros quando chegam lá, o que muda todo o planejamento.

Claro que o grande lance são os dinossauros, principalmente em tempos onde temos alguns Jurassic World decepcionantes. E preciso dizer que quem curte dinossauros não vai se decepcionar: são muitos, de várias espécies diferentes. E alguns são ligeiramente diferentes do padrão “Jurassic Park” que estamos acostumados há 30 anos – por exemplo, alguns dinossauros têm penas! Não tem gente por aí que diz que aves são dinossauros?

Primitive War é um filme de baixo orçamento, e em algumas cenas vemos dinossauros meio toscos. Mas preciso dizer que durante a maior parte do filme o cgi dos dinossauros é muito bem feito. E se a gente pensar que Primitive War teve orçamento de 7 milhões, contra 180 milhões do último Jurassic World, o resultado ficou muito acima do esperado.

(Elogio os dinossauros, mas preciso reclamar do barulho tosco de quando o Tiranossauro Rex fecha a mandíbula. O som parece uma colher de pau batendo num balde de plástico. Talvez o cara tenha pesquisado e este talvez seja mais próximo do que deveria ser o som real. Mas, caramba, ficou muito tosco!)

Primitive War foi escrito, produzido, dirigido e editado por Luke Sparke, que ainda foi o responsável pelo design de produção e está creditado como produtor e supervisor de efeitos especiais. Vou além: Carly Sparke e Tracey Rose Sparke, mesmo sobrenome (catei no Google, não descobri se são esposa, irmã, filha, mãe… mas devem ser da família), estavam na produção, na escolha do elenco e no figurino. Ou seja, estamos diante de um projeto muito pessoal. Parabéns a Luke Sparke, mas, talvez fosse uma boa ideia ter alguém no topo da produção pra dizer “menos”… O resultado ficou muito bom, mas é longo demais. Um filme com essa temática não precisa ter mais de uma hora e meia, e Primitive War tem duas horas e treze minutos!

Primitive War chega a cansar, porque não tem necessidade de ser tão longo. Aí a gente começa a pensar em personagens inúteis, como por exemplo aquela vietnamita que andava com os russos, uma personagem tão irrelevante que nem consegui ver direito se ela sobreviveu no fim ou não. E aquele vilão russo é a coisa mais trash do filme. Não precisava disso, uma trama de soldados fugindo de dinossauros já seria suficiente.

O elenco também lembra Asylum, que costuma pegar sub celebridades hollywoodianas que precisam pagar boletos. Os principais aqui são Ryan Kwanten, que era um personagem secundário em True Blood, e Tricia Helfer, a Caprica Six de Battlestar Galactica – dois atores ok, mas que não têm muito mais a apresentar nos seus currículos. Também tem Jeremy Piven num papel menor. Ninguém está bem, mas ninguém está mal. Afinal, o importante é ver dinossauros.

O resultado final de Primitive War é bem melhor que o esperado. Ainda aguardo Luke Sparke numa produção um pouco melhor, onde alguém pode dar conselhos sobre alguns detalhes que podem melhorar sua obra. Mas fica aqui um parabéns!

Bom Menino

Crítica – Bom Menino

Sinopse (imdb): Um cão fiel se muda com seu tutor para uma casa de campo. Lá, ele descobre forças sobrenaturais escondidas nas sombras. Quando as entidades sombrias ameaçam seu dono, o corajoso cão deve lutar para protegê-lo.

A ideia era muito boa, um filme de terror sob o ponto de vista de um cachorro. Pena que o roteiro é fraco.

Mas antes de tudo, preciso falar uma coisa, responder a dúvida que paira na cabeça de todos os que leram essa sinopse e que gostam de cachorro. Espero que não seja spoiler, mas acho importante avisar: não, o cachorro não morre, nem tem nenhuma maldade com ele. Podem ver tranquilamente, se esse for o caso.

Vamos ao filme. Dirigido por Ben Leonberg, Bom Menino (Good Boy, no original) conta a história pelo ponto de vista do cachorro. E sem cgi! O filme todo é focado no cachorro e nas suas reações, enquanto o seu dono enfrenta problemas típicos de filmes de terror.

Tenho um grande elogio e uma grande crítica. Vou começar pelo elogio. O cachorro Indy é sensacional. Rolam piadas na Internet que ele deveria ser indicado ao Oscar, e é uma piada com fundo de verdade. Indy é o cachorro do diretor Ben Leonberg, e o cara fez mágica ao filmar seu doguinho. Tenho cachorro, tenho noção do quanto difícil é conseguir uma expressividade assim de um bicho de estimação.

O filme é curto, mas demorou 400 dias ao longo de três anos para ser filmado. Imagina o trabalho “de formiguinha” para conseguir tantos bons takes! Parabéns para o Indy e para seu dono Ben Leonberg!

Agora, precisamos trazer uma crítica: é um cachorro, ele não fala, tudo fica muito limitado. Então temos várias ideias repetidas. Ou seja, é um filme de uma hora e treze minutos que se arraaasta. Chega a ser chato. Indy merecia um roteiro melhor!

Sobre o elenco, o único nome importante é o do cachorro Indy. Inclusive, quase não vemos os rostos dos outros personagens. O filme é do cachorro!

Por fim, um mimimi sobre o título nacional. Já ouvi pessoas em inglês chamando cachorro de “good boy”, mas nunca ouvi a tradução em português. Acho que o melhor título em português seria “Bom Cachorro”…

O Telefone Preto 2

Crítica – O Telefone Preto 2

Sinopse (imdb): Enquanto Finn, de 17 anos, lida com a vida após seu cativeiro, sua irmã recebe ligações do telefone preto em seus sonhos e tem visões perturbadoras de três meninos perseguidos no acampamento de Alpine Lake.

Quatro anos atrás, terminei minha crítica de O Telefone Preto com a pergunta: será que veremos novamente o vilão “Grabber”? Bem, o filme custou 18 milhões e a bilheteria foi mais de 161 milhões. Além disso, é uma produção da Blumhouse, que tem várias franquias. Então, para surpresa de ninguém, chegou a continuação.

O problema é que – spoiler do primeiro filme – o vilão morreu. E agora? Como criar algo com um vilão que não está no mundo dos vivos? Por sorte, o filme tem temática sobrenatural. O Grabber virou uma espécie de Freddy Kruger – voltarei a esse ponto mais tarde.

O Telefone Preto 2 (Black Phone 2, no original) repete Scott Derrickson na direção, além de quase todo o elenco. Se passaram alguns anos, as crianças agora são quase jovens adultos, que vivem com o trauma do que aconteceu no primeiro filme. Gwen, a irmã mais nova, tem pesadelos que se mostram cada vez mais perigosos. Eles resolvem ir a uma espécie de acampamento de férias num lago congelado para investigar, e acabam presos lá por causa de uma nevasca.

Assim como no filme anterior, Scott Derrickson consegue criar um bom clima de tensão ao longo do filme. Agora não temos mais um cárcere num porão, mas por outro lado, durante boa parte do filme os personagens estão presos no tal acampamento, isolado por causa da neve – o visual é uma mistura de Sexta Feira 13 (Crystal Lake) com O Iluminado (isolados pela neve). A ambientação no início dos anos 80 também é muito boa, assim como aconteceu no filme anterior (que era no fim dos anos 70).

Scott Derrickson sabe usar sua câmera, e algumas sequências são bem legais. Tem uma onde o personagem está numa cabine telefônica e a câmera está rodando em volta que é muito boa! E ainda tem algumas cenas onde o gore é bem usado.

Sobre a citação ao Freddy Kruger, determinado momento o filme entra numa vibe meio Hora do Pesadelo 3 Os Guerreiros dos Sonhos. Em ambos os filmes, o personagem que está sonhando precisa aprender a lutar dentro do sonho para enfrentar o vilão. Ou seja, ideia repetida. Só não achei um problema porque Hora do Pesadelo 3 foi lançado 38 anos atrás. Ok, já tá liberado reciclar a ideia.

No elenco, Mason Thames e Madeleine McGraw cresceram, e o roteiro soube aproveitar isso, agora os personagens são quase adultos. Aliás, o ator que faz o Ernesto também estava no primeiro filme. Se no outro filme Finn era o principal, agora Gwen tem mais protagonismo. E é curioso que Ethan Hawke não mostra o rosto nenhuma vez. Pode até ser outro ator debaixo da máscara e da maquiagem – imagino ele conversando com o diretor (devem ser amigos, já fizeram três filmes juntos), “Scott, deve estar uma friaca lá, filma com o meu dublê e depois coloco a voz!”.

O Telefone Preto 2 não é o melhor terror do ano, mas não vai fazer feio com a garotada que curte terror pipoca no fim de semana no shopping.