John Morre no Final

Crítica – John Morre no Final

Quem gosta de filmes bizarros?

Uma nova droga, chamada de “molho de soja”, deixa seus usuários em um estado permanente de alucinação, e, sob seu efeito, eles conseguem viajar pelo tempo e por outras dimensões. Dois jovens precisam controlar os efeitos colaterais da droga para salvar o mundo de uma invasão.

Definitivamente, John Morre no Final (John Dies At The End, no original) não é pra qualquer um. Trata-se de um filme que fala de viagens no tempo, dimensões paralelas, seres esquisitos e drogas bizarras, e que a cada cena que passa, a trama fica ainda mais estranha. Mas, aqueles que gostam de viagens malucas não vão se decepcionar. É só embarcar no nonsense!

No meio do filme, tudo estava tão estranho que fiquei curioso de saber quem era o diretor. Dei uma pausa pra checar o imdb e descobri que John Morre no Final foi escrito e dirigido por Don Coscarelli, autor da também bizarra série de terror / ficção científica Fantasma, onde uma esfera metálica voadora ataca as pessoas, e ninguém da plateia entende o que acontece ao longo de quatro filmes. Coscarelli também fez Bubba-Ho-Tep, filme que não é tão bizarro apesar de sua premissa – Bruce Campbell interpreta um Elvis Presley idoso, num asilo, enfrentando uma múmia.

O elenco traz alguns nomes curiosos. O badalado Paul Giamatti tem um papel estratégico onde aparece o filme todo, mas deve ter filmado sua parte em apenas um dia. Clancy Brown, o Kurgan de Highlander, também está bem em um pequeno papel chave, assim como Doug Jones, mais conhecido por papeis onde não mostra a cara (Abe Sapien em Hellboy, o Surfista Prateado no segundo Quarteto Fantástico, o Fauno em Labirinto do Fauno). Pra quem é fã de Coscarelli, Angus Scrimm, o Tall Man de Fantasma, aparece rapidamente como o padre. Ah, quase esqueci, o filme é estrelado pelos desconhecidos Chase Williamson e Rob Mayes.

John Morre no Final foi adaptado de um livro. Li no imdb pessoas comparando o filme com o livro, mas como não li, não posso palpitar. Só posso dizer que fiquei curioso sobre um livro tão bizarro.

Ah, o título. Pode parecer um spoiler, mas não é. E, de mais a mais, John Morre no Final é aquele tipo de filme que tanto faz ter spoilers ou não, a história é tão bizarra e a trama dá tantas voltas que não faz diferença se você souber algo que acontece no fim…

Enfim, se você curte filmes diferentes e criativos, não perca. Mas se só gosta de blockbusters, passe longe!

Um Tiro na Noite

Crítica – Um Tiro na Noite

Recentemente, revi Carrie, A Estranha. Empolgado, fui catar outro clássico do Brian De Palma pra rever.

Um técnico de som que trabalha em filmes B de terror acidentalmente grava provas de que um suposto acidente de carro foi na verdade um assassinato de um figurão da política.

Faziam muitos anos desde a última vez que heu tinha visto Um Tiro na Noite (Blow Out, no original). E não sei se foi uma boa ter revisto o filme. Achei mais defeitos do que esperava encontrar…

Vamos ao que funciona. Já disse antes, Brian De Palma é um artesão do cinema. Aqui ele mostra isso várias vezes ao longo do filme – temos planos-sequência, telas divididas, zoom, travellings, o filme inteiro é uma aula de cinema.

Mas… Em outras ocasiões, De Palma mostrou sua técnica em uma história boa. Aqui não é o caso. Um Tiro na Noite parece rock progressivo dos anos 90: muita técnica, mas pouco conteúdo.

Spoilers leves a partir de agora, ok?

Jack, o personagem de John Travolta estava gravando ruídos aleatórios, e por sorte, pegou o acidente. Ok, plausível. Mas, péra aí, tinha uma pessoa fotografando exatamente o carro na hora do acidente? Péra aí 2, a câmera era uma novidade que filmava??? Péra aí 3, Jack descobriu isso com fotos tiradas de uma revista, que ele recortou e montou um filminho????? Jack deveria jogar na mega sena acumulada, era mais fácil ganhar o prêmio.

Mas tem mais: Jack nunca deixaria Sally ir sozinha encontrar o suposto jornalista. Assim como ele nunca conseguiria persegui-la de carro através da parada. E pra que apagar as fitas, se era mais fácil e mais rápido queimar tudo? Isso porque não estou falando do óbvio: o mais fácil seria matar logo Jack, um cara com pouca relevância, apenas um técnico de som de filmes vagabundos. E a gente ainda podia relacionar mais um monte de inconsistências…

Isso tudo gera um filme de opostos: por um lado, um filme tecnicamente exuberante; por outro lado, uma história cheia de furos.

Sobre o elenco, também rola um estranho equilíbrio. Travolta está bem, mas o destaque sem dúvida é John Lithgow, excelente. Por outro lado, Nancy Allen deixa a desejar… Tudo bem que o seu papel não ajuda, mas mesmo assim, ela é o ponto fraco do elenco.

Enfim, Um Tiro na Noite deve ser usado em escolas de cinema. Mas, como entretenimento, deixa a desejar.

p.s.: Fiquei duas semanas com acesso limitado à internet, e com pouquíssimo tempo para ver filmes, por causa de uma mudança – por isso a escassez de posts. Mas isso deve mudar agora, se tudo der certo!

Parker

Crítica – Parker

Jason Statham e Jennifer Lopez juntos. Será que a dupla funciona?

Um ladrão profissional que vive sob estritas regras é traído por sua equipe e deixado para morrer. Depois que se salva, vai atrás de vingança.

Sobre a pergunta do primeiro parágrafo: este é um filme de Jason Statham. Jennifer Lopez aqui é coadjuvante – ela não chega a atrapalhar, mas se o seu papel fosse subtraído, o filme não perdia em nada. Sabe essa pose de bad girl do poster? Só no poster mesmo… Ou seja: legal ter a J-Lo num filme de ação, mas se ela não estivesse, o filme não mudava nada.

Dito isso, Parker é um bom “filme do Jason Statham”, com tudo de bom e de ruim que esse estereótipo carrega. É um eficiente filme de ação, com boas cenas de pancadaria. E é um tanto previsível… Principalmente a parte final.

O curioso é que o diretor é veterano, experiente e versátil. É o mesmo de Ray, Advogado do Diabo, O Sol da Meia Noite e A Força do Destino. E mesmo assim, Parker é essencialmente um “filme do Jason Statham”…

Parker tem alguns bons coadjuvantes. Michael Chiklis e Nick Nolte atuam dentro do esperado. E o personagem de Bobby Cannavale é desnecessário. Ainda tem a bela Emma Booth em um pequeno papel e, talvez o único papel fora óbvio, Patti LuPone como a mãe de Jennifer Lopez. E, claro, a própria J-Lo, que não está mal, mas que tem um papel com pouquíssima importância na trama.

Claro, a maioria dos fãs de Statham quer mesmo é a ação. Estes não vão ficar decepcionados. Mas não espere nada demais.

Turbo

Crítica – Turbo

Dreamworks novo…

Um caracol sofre um acidente, ganha super-poderes, e fica tão rápido quanto um carro de corridas. Agora ele quer seguir seu sonho de correr as 500 Milhas de Indianapolis.

Anos atrás, vimos uma revolução na indústria dos longas de animação. Surgiram duas empresas novas, a Pixar e a Dreamworks, que, cheias de boas ideias, elevaram a qualidade do então combalido mercado.

O tempo passou, a Pixar se firmou com vários filmes excelentes, enquanto a Dreamworks alternava entre momentos geniais e outros nem tanto. E, na minha humilde opinião, acho que agora, em 2013, temos o maior abismo entre as produções dos dois estúdios: enquanto Universidade Monstros é quase tão bom quanto Monstros S.A., Turbo ficou devendo.

Antes de qualquer coisa, é preciso uma suspensão de descrença muito grande pra se curtir Turbo. Assim como, para ver Universidade Monstros, temos que acreditar que existe um universo paralelo onde a energia é tirada de sustos de crianças, aqui precisamos acreditar que um caracol pode passar por uma transformação digna de um super-herói de quadrinhos e virar um corredor capaz de correr a 300 km/h. E que depois ele vai conseguir convencer um humano a inscrevê-lo nas 500 Milhas de Indianapolis. Até aí, tudo bem. Mas, daí a ele ser aceito numa corrida com regras reais, achei demais. Segundo o filme, qualquer um com 20 mil dólares pode se inscrever em Indianapolis, independente de ter um carro compatível com as regras da competição.

Além disso, os personagens coadjuvantes são fracos. Li por aí que a ideia da Dreamworks é fazer uma série de TV com eles, semelhante ao que fez com os pinguins de Madagascar. Na TV pode até que funcione, mas no filme, não rolou.

Talvez um dos erros de Turbo seja não se definir entre a narrativa muito infantil e algo mais adulto. Formiguinhaz e Bee Movie são atraentes para os pequenos, e conseguem agradar os pais, nem que seja pelos seus atores originais (quem dubla os protagonistas são, respectivamente, Woody Allen e Jerry Seinfeld). Turbo tem um grande elenco – mas não adianta ter um Samuel L. Jackson se o seu personagem é fraco.

Além de Samuel, o bom elenco conta com Ryan Reynolds, Paul Giamatti, Michael Peña, Michelle Rodriguez, Maya Rudolf, Bill Hader, Snoop Dog, Luiz Guzmán, Richard Jenkins e Ken Jeong, entre outros.. Vi a versão dublada, deu pena de perder todas essas vozes…

Enfim, Turbo pode até agradar os pequenos. Mas é uma grande decepção, vindo de um estúdio de onde saiu Shrek, Madagascar, Kung Fu Panda, Megamente e Monstros vs Alienígenas

O Exterminador do Futuro

Crítica – O Exterminador do Futuro

Sábado passado teve Cineclube Sci-Fi, evento organizado mensalmente pelo Conselho Jedi RJ no Planetário. O filme era o primeiro O Exterminador do Futuro. Há tempos que não via este filme, aproveitei a oportunidade e fui lá prestigiar o evento.

Alguém ainda não viu? No futuro, as máquinas dominam a Terra, e enviam um robô exterminador ao passado para eliminar Sarah Connor, mulher que será mãe do futuro líder dos humanos

Ver um filme de quase trinta anos atrás (O Exterminador do Futuro é de 1984), tem seus problemas. Reparamos em muita coisa que não vimos na época. A maquiagem é muito mal feita, toda a sequência onde o robô conserta o braço e tira o olho é muito tosca. O stop motion é muito inferior ao d’O Retorno do Jedi, lançado um ano antes. Ainda tem a trilha sonora datada, mas isso a gente não tinha como ver na época… 😉

Outra coisa: precisamos de uma boa dose de suspensão de descrença para relevar as inconsistências do roteiro – se um robô pode voltar no tempo se tiver carne em volta, por que não envolver armas pesadas em carne e mandar junto? Mesmo assim, considero este um dos melhores roteiros de viagem no tempo. Cada detalhe da história é importante, o roteiro não deixa pontas soltas.

Além da boa história, O Exterminador do Futuro ainda é um excelente filme de ação. O ritmo do filme é ótimo, o quase novato diretor James Cameron já mostrava talento. Cameron antes tinha feito apenas um longa (de qualidade duvidosa), Piranhas 2 – Assassinas Voadoras. Mas depois, sua carreia deslanchou e ele virou um dos nomes mais importantes da Hollywood contemporânea. Ele fez Aliens – O Resgate, O Segredo do Abismo, O Exterminador do Futuro 2, True Lies, e depois bateu recordes de bilheteria e ganhou 11 Oscars com Titanic – e ainda nem falei de Avatar, outro recordista de público.

O Exterminador do Futuro também foi um marco importante na carreira de outro nome “gigante” hoje em dia: Arnold Schwarzenegger, que era um fisiculturista tentando fazer carreira como ator. Ele já tinha sido o Conan no filme de 1982, mas ainda estava longe de se firmar. O forte sotaque (Arnold é austríaco) e o talento limitado como ator eram compensados pelo enorme carisma. O papel do Exterminador lhe caiu como uma luva: poucas falas e poucas expressões faciais não atrapalharam e Arnoldão teve o seu primeiro grande sucesso. E daí para o estrelato foi um pulo – Schwarzenegger se tornou um dos nomes mais fortes do cinema de ação pelas décadas seguintes.

Os outros dois atores principais, Linda Hamilton e Michael Biehn, não fizeram filmes relevantes fora dos anos 80. Mas o elenco ainda traz algumas curiosidades. Lance Henriksen tem um papel menor como um dos policiais; e Bill Paxton aparece numa ponta, como um dos punks que são atacados pelo Exterminador no início do filme.

Agora, uma história com spoilers leves (pode spoiler de um filme de quase trinta anos atrás?). Lembro, na época do lançamento, o cinema lotado, com todos gritando cada vez que achavam que o Exterminador estava morto, mas depois se levantava – mais uma vez. Era uma histeria divertida!

O Exterminador do Futuro teve três continuações e gerou uma série de TV. E diz a lenda que em 2015 vem mais um filme por aí…

Oldboy

Crítica – Oldboy

Parece que este ano teremos a refilmagem do Oldboy coreano, dirigida por Spike Lee. Tenho dois pés atrás com esta refilmagem – primeiro por não achar necessária uma refilmagem; depois por achar que o estilo de Spike Lee não tem nada a ver com o filme. Bem, independente do filme novo, é hora de rever o original.

Oh Dae-su é sequestrado e preso por 15 anos, sem que lhe seja dada justificativa alguma sobre o ato. Depois da libertação, Dae-su agora quer vingança, e para isso precisa descobrir quem o prendeu e o por que.

Na minha humilde opinião, Oldboy é o melhor filme de vingança da história do cinema. Sou fã dos dois Kill Bill, mas reconheço que a vingança de Oldboy é muito mais elaborada, e MUITO mais cruel.

Baseado no mangá japonês de mesmo nome escrita por Nobuaki Minegishi e Garon Tsuchiya, Oldboy foi o primeiro filme de Chan-wook Park a entrar em circuito aqui no Brasil – hoje seu nome é conhecido entre cinéfilos.

Além da boa história e do bom roteiro, Oldboy tem uma parte visual forte e muito bem construída. Temos várias imagens com muita violência gráfica e alguma escatologia, e pelo menos um plano-sequência genial, onde Dae-su, armado apenas com um martelo, briga com uns vinte inimigos em um corredor.

Oldboy é o segundo filme da “trilogia da vingança”, do diretor Chan-wook Park. Mas os outros dois são bem mais fracos – Mr. Vingança, de 2002, é meio tosco; Lady Vingança, de 2005, parece uma cópia barata de Kill Bill. Os dois filmes até são legais, mas Oldboy é infinitamente melhor.

Como é um filme sul-coreano, admito que não conhecia ninguém no elenco. Os atores seguem o estilo oriental de interpretação, algo mais intenso, mais exagerado do que estamos acostumados no cinema ocidental. Min-sik Choi, o protagonista, está impressionante, vai do zero a 100 por hora em segundos.

Oldboy é de 2003, mas só foi lançado aqui no Brasil em 2005 – e esteve presente em várias listas de melhores daquele ano. E, revisto hoje em 2013, continua um filme excelente.

O Homem de Aço

Crítica – O Homem de Aço

Filme novo do Superman. E aí, será tão fraco quanto o Superman – O Retorno, lançado em 2006; ou manterá o nível da trilogia Batman, o atual top da DC?

A notícia é boa: Homem de Aço é muito bom!

Um menino descobre que tem poderes extraordinários e que não é deste planeta. Mais velho, ele viaja para tentar descobrir de onde veio e por que foi mandado para cá. Mas o heroi deve surgir para salvar o mundo e virar o símbolo de esperança para a humanidade.

A citação ao Batman de Christopher Nolan não é gratuita. Não só por serem os dois principais personagens da DC, mas também pelo fato de Nolan ter atuado aqui como produtor e autor do argumento. E o roteirista é o mesmo David S Goyer, que trabalhou nos três filmes do homem-morcego. Isso tudo é importante, porque a DC quer reunir os herois em um filme da Liga da Justiça tão bem sucedido quanto o ótimo Os Vingadores da Marvel.

E a influência do Batman de Nolan fez de Homem de Aço um filme mais sério do que a maior parte dos filmes de super-herois. O Kal-El / Clark daqui não usa cueca sobre a calça e é cheio de problemas existenciais. Rola até uma sutil comparação com Jesus Cristo – não acredito que tenha sido coincidência Clark estar com 33 anos. Acho que este será o grande diferencial entre DC e Marvel: enquanto uma foca na seriedade, a outra pensa no lema “o cinema é a maior diversão” (ambos os caminhos são válidos, na minha humilde opinião).

A direção coube a Zack Snyder, que já tinha provado seu talento em imagens bem cuidadas em filmes como 300, Watchmen e Sucker Punch. Em Homem de Aço, Snyder teve uma direção mais discreta, acho que não rola nenhuma das suas famosas câmeras super lentas. Mas, mesmo sem a sua “assinatura”, Snyder mostra boa mão na condução das várias cenas de ação.

Não sei o quanto o diretor teve parte nisso, mas os efeitos especiais são absurdamente bem feitos. Os computadores em Krypton tem uma textura diferente de tudo o que estamos acostumados a ver, e a destruição de Metropolis está entre as melhores destruições de cidades já mostradas no cinema. Snyder não usa câmera lenta, mas sua câmera não treme como os “MichaelBays” da vida – conseguimos ver tudo.

Os fãs querem esquecer o filme de 2006, mas a comparação com o clássico de 1978, dirigido por Richard Donner, é inevitável. E a boa notícia: se Homem de Aço não é melhor que o filme de 78, também não é pior. Ambos podem figurar entre as melhores adaptações cinematográficas de quadrinhos de super-herois.

É inevitável pensar no Superman e não lembrar de Christopher Reeve, que imortalizou a personificação do heroi. Henry Cavill faz um bom trabalho, não sentimos falta de Reeve. Mas acho que a tarefa mais difícil era a trilha sonora. A trilha de John Williams para o filme clássico é fantástica, o tema pan-pa-rá pa-ra-ra-ra-rá é um dos temas mais conhecidos da história do cinema (talvez um dos 4 mais conhecidos, ao lado de Tubarão, Guerra nas Estrelas e Caçadores da Arca Perdida – todos de John Williams). Hans Zimmer fez bem em ter ignorado a melodia original, e fez uma trilha competentíssima, que pode não ser tão assoviável quanto a de Williams, mas faz um belíssimo trabalho aqui.

Apesar de O Homem de Aço não ser um filme que exige muito dos atores, Michael Shannon faz um excelente trabalho com o seu general Zod – este sim superior ao anterior de Terence Stamp (que por sua vez também tinha feito um bom trabalho em Superman 2). O resto do elenco, repleto de nomes conhecidos, também está bem: Amy Adams, Diane Lane, Russell Crowe, Kevin Costner e Laurence Fishburn.

Infelizmente, O Homem de Aço não é perfeito. Como pontos negativos, podemos citar a longa duração, que chega a cansar (Os Vingadores também é longo, mas não é tão cansativo); e alguns pontos do roteiro que ficaram muito mal explicados – como assim, o planeta vai explodir, e os condenados por traição são mandados para fora do planeta???

Não vi em 3D. Atualmente evito pagar mais caro por um efeito que mais atrapalha do que ajuda. E pelo que li por aí, fiz boa escolha.

Resumindo: apesar dos poucos pontos contra, temos um forte candidato ao Top 10 2013!

p.s.: Só heu achei que o nome “Homem de Aço” parece uma tentativa barata de ganhar visibilidade com “Homem de Ferro”? Sei que o Superman sempre foi “Super Homem, o homem de aço”, mas o título assim, solto, me pareceu querer ganhar a rebarba do Tony Stark. Não precisava, DC, seu filme é bom, não é nenhum Asylum (que lançou “Transmorfers” na época do “Transformers”…

Truque de Mestre

Crítica – Truque de Mestre

Um agente do FBI e uma detetive da Interpol investigam um grupo de ilusionistas que rouba bancos durante suas performances e distribui o dinheiro para sua plateia

Truque de Mestre (Now You See Me, no original) é um filme coerente. Como num espetáculo de mágica, temos um monte de artifícios para chamar nossa atenção. Então, enquanto nos distraímos com o espetáculo, não reparamos no roteiro cheio de falhas.

Como espetáculo, Truque de Mestre é empolgante. Da escola “lucbessoniana”, o diretor Louis Leterrier proporciona um visual bem cuidado ao seu filme. Parece que não há nenhuma tomada estática, a câmera está sempre se movimentando, na grua, na dolly ou na mão do operador, isso tudo ajudado por uma trilha sonora empolgante. E os shows de mágica são bem legais.

Tudo flui num ritmo muito bom – mas, se a gente parar pra pensar, começa a notar as inconsistências do roteiro. Não vou entrar em detalhes por causa dos spoilers, mas todos os três grandes shows de mágica têm pontos mal explicados. E a necessidade de uma reviravolta final gerou uma solução que foi uma das maiores forçações de barra do cinema recente, era melhor ter terminado o filme sem esta desnecessária reviravolta.

Ah, o elenco é acima da média: Morgan Freeman, Michael Caine, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Isla Fisher, Dave Franco, Mark Ruffalo e Mélanie Laurent. Alguns estão no piloto automático – Eisenberg parece repetir o papel de A Rede Social; mas outros estão muito bem – gostei muito do personagem de Harrelson.

Enfim, assim como um bom espetáculo de ilusionismo, Truque de Mestre é bem divertido. Mas só se você se deixar enganar.

A Lonely Place To Die

Crítica – A Lonely Place To Die

Um grupo de montanhistas nas highlands escocesas encontra por engano uma menina raptada, e, quando resolvem salvá-la, caem num jogo de gato e rato fugindo dos sequestradores.

Produção modesta, diretor desconhecido, só uma atriz conhecida no elenco (e nem tão conhecida assim) – A Lonely Place To Die poderia ser bom. Mas se perde completamente no terço final.

O início é promissor. O diretor Julian Gilbey não só filma belas tomadas aéreas de escaladas nas highlands escocesas, como sua história (ele escreveu o roteiro junto com seu irmão Will Gilbey) pega um rumo inesperado e interessante. Mas aí a trama se muda pra uma cidade, e a quantidade de furos no roteiro passa do limite aceitável…

Melissa George lidera um elenco quase desconhecido, onde quase todos estão bem. Gostei das atuações de Sean Harris (Prometheus) e Karel Roden (Hellboy).

Mas, no geral, A Lonely Place To Die fica devendo. Só vale pelo início.

Guerra Mundial Z

Crítica – Guerra Mundial Z

O primeiro blockbuster de zumbis!

O funcionário da ONU Gerry Lane roda o mundo numa corrida contra o tempo atrás da cura para uma epidemia zumbi.

Vamulá. É a primeira vez que temos uma superprodução, com um astro do primeiro escalão no elenco, usando o tema “zumbi”. Por um lado, isso é positivo: os efeitos especiais são excelentes. O tal “formigueiro zumbi” é impressionante, e são várias tomadas aéreas bem feitas com centenas de pessoas correndo ao mesmo tempo.

Mas, por outro lado, Guerra Mundial Z não era pra ser um filme de terror? Cadê o sangue? Cadê o gore? E vemos muito pouco das ações dos zumbis, quase todos os ataques são vistos de longe. Parece que os realizadores estavam preocupados com a censura e optaram por não mostrar nada – mesmo em cenas onde era importante vermos, a câmera desvia o olhar (como na mão decepada ou no pé-de-cabra preso).

Seguindo com o tema: os zumbis aqui não são “zumbis clássicos”. Não falo isso só pelo fato de serem zumbis corredores (a refilmagem de Madrugada dos Mortos tinha zumbis “maratonistas”), mas principalmente pelo fato de não termos mortos voltando à vida. Todos os zumbis aqui são pessoas infectadas, mais ou menos como no filme Extermínio e seus “raivosos” que parecem zumbis (mas na verdade não são). Então, me questiono se realmente são zumbis aqui…

O diretor é Marc Foster, o mesmo de 007 Quantum of Solace. Não achei uma boa escolha, talvez fosse melhor alguém mais íntimo do cinema de horror, sei lá, um Sam Raimi ou um mesmo um Brian de Palma. Acaba que o filme não se decide entre ação e drama – a única coisa certa aqui é que não estamos diante de um filme de terror.

O roteiro foi baseado no livro de Max Brooks. Não li o livro, mas li que o roteiro foi muito mexido – o que quase sempre é sinal de problemas. E pelo que li, o clima entre e o diretor e o ator principal não era muito bom. Não sei se é por causa disso, mas Guerra Mundial Z tem sérios problemas de ritmo. Algumas sequências são muito boas, como a fuga pelo engarrafamento. Mas outras são bobas e confusas, como toda a parte na Coreia. E, pra piorar, a câmera às vezes dá uma “michaelbayada”, algumas cenas tremem demais e a gente não consegue entender o que está acontecendo.

Enfim, Guerra Mundial Z não chega a ser ruim. Mas que é uma decepção, isso é.