Plano de Fuga

Crítica – Plano de Fuga

Mel Gibson está de volta!

Um criminoso americano é preso no México, perto da fronteira dos EUA. A cadeia parece uma grande favela, onde todo e qualquer comércio é liberado, e um poderoso traficante manda em tudo. Dentro da cadeia, ele faz amizade com um garoto de nove anos de idade, enquanto faz planos para fugir.

Gibson foi um grande astro em Hollywood nos anos 80 e 90, com personagens marcantes como o Martin Riggs de Máquina Mortífera e o Mad Max. Mas ele se envolveu em polêmicas, como comentários anti-semitas e um divórcio complicado, e foi meio que deixado de lado pela indústria – hoje ele faz bem menos filmes do que anos atrás.

Um dos caminhos que ele encontrou para continuar na ativa foi produzir os próprios filmes. Além de estrelar Plano de Fuga (Get The Gringo, no original), ele também produtor co-roteirista. A direção ficou sob responsabilidade do estreante Adrian Grunberg, que antes foi assistente de direção de vários filmes, inclusive Apocalypto e O Fim da Escuridão, onde trabalhou com Gibson.

E a grande dúvida: o filme presta?

Plano de Fuga não é nenhuma obra prima, mas é bem divertido. Algumas boas sequências de ação, alguns bons diálogos, alguns bons momentos politicamente incorretos. Claro, rolam alguns clichês e cenas previsíveis, além de situações mal explicadas – coisas títicas de filmes de ação, onde o mocinho às vezes parece um super-heroi. Mas nada que desabone o filme.

Aos 56 anos, Mel Gibson mostra que está em boa forma, tanto como ator, quanto na parte física. Tomara que deixe as polêmicas de lado e faça mais filmes!

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Bad Ass

Crítica – Bad Ass

Um filme chamado “Bad Ass”, estrelado por Danny Trejo? Taí, quero ver isso!

Veterano da guerra do Vietnã, Frank Vega vive à margem da sociedade há 40 anos. Devido a um incidente no qual defendeu um senhor negro e idoso de dois skinheads, ele se torna um herói local.

Não é de hoje que rola uma crise de criatividade em Hollywood. Temos filmes baseados em livros, em quadrinhos, em séries de tv, em desenhos animados, em videogames, até em jogos de tabuleiro. E agora, também temos um filme baseado em viral de youtube… É o caso deste Bad Ass, baseado no video “Epic Beard Man”, que fez sucesso em 2010 ao mostrar um senhor de idade batendo em um jovem marginal negro. O filme recria a cena, e inventa uma história por trás disso.

Claro, ninguém espera que Bad Ass seja um grande filme. É tudo meio tosco. Aliás, algumas cenas são dignas de um bom filme trash, como Vega ajudando a velhinha, ou o motorista do ônibus fã do Bad Ass. Uma das falhas do filme escrito e dirigido pelo pouco conhecido Craig Moss é justamente essa: não se decidir entre um filme sério e uma paródia. Isso enfraquece a premissa do filme, já que às vezes Vega parece ter super poderes. Mais: por que quase nenhum bandido anda armado na vizinhança?

(Moss tem no currículo um filme com um bom nome: The 41-Year-Old Virgin Who Knocked Up Sarah Marshall and Felt Superbad About It. Mas não vi esse, tenho medo de todas as piadas estarem no título…)

Ironicamente, outro problema está logo no seu protagonista. Com 68 anos recém completados, Danny Trejo tem idade compatível com o personagem Frank Vega, mas estamos acostumados a vê-lo em papeis onde não aparenta a idade – caramba, o cara tá filmando a continuação de Machete! Trejo pode ser velho, mas não tem cara de terceira idade – diferente do senhor anônimo do video original.

Mas, se a gente não levar a sério, Bad Ass é até divertido – ganha pontos por não ser pretensioso e por Danny Trejo, que nunca foi um grande ator, mas sempre foi um personagem carismático. Ainda no elenco, Ron Perlman e Charles S. Dutton, outros veteranos legais.

Só não espere um novo Machete

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O Senhor dos Aneis – O Retorno do Rei

Crítica – O Senhor dos Aneis – O Retorno do Rei

Último filme da trilogia visto!

Enquanto Frodo, Sam e Gollum continuam levando o Um Anel para ser destruído em Mordor, o resto da Sociedade do Anel se junta a Rohan e Gondor em batalhas contra os exércitos de Sauron em Minas Tirith e pelos campos de Pelennor.

Depois de A Sociedade do Anel e As Duas Torres, era hora de terminar a saga. E O Senhor dos Aneis – O Retorno do Rei o faz com perfeição.

Esta terceira e última parte não só conseguiu manter o altíssimo nível dos dois primeiros filmes, como ainda teve um desempenho impressionante no Oscar de 2004, quando igualou o recorde de 11 estatuetas que antes só tinha sido alcançado por Ben Hur e Titanic – O Senhor dos Aneis – O Retorno do Rei ganhou todos os prêmios que estava concorrendo: melhor filme, diretor, roteiro adaptado, efeitos especiais, maquiagem, trilha sonora, canção, som, edição, figurino e direção de arte.

Não tenho nada a acrescentar sobre o elenco. Acho que todos os que estavam no segundo filme estão de volta aqui. Todos mandam bem, com destaque para Sean Astin, Elijah Wood, Viggo Mortensen e Ian McKellen. Ainda no elenco, Liv Tyler, Cate Blanchett, Miranda Otto, John Rhys-Davies, Orlando Bloom, Christopher Lee, David Wenham, Dominic Monaghan, Billy Boyd, Hugo Weaving, Ian Holm, Brad Dourif, Sean Bean, Karl Urban e Andy Serkis como o Gollum.

Como aconteceu nos outros dois filmes, os efeitos especiais são absurdamente bons. Se As Duas Torres trazia a impressionante batalha do Abismo de Helm, O Retorno do Rei tem batalhas ainda mais grandiosas, com milhares de seres fantásticos como orcs, trolls, nazgul alados e gigantescos olifantes. Detalhe – tudo parece real na tela.

A estratégia de marketing para o lançamento dos filmes foi bem interessante. Quando o segundo filme chegou aos cinemas, o primeiro foi lançado em dvd. E quando o terceiro chegou aos cinemas, era hora de lançar o segundo em dvd e passar o primeiro na tv a cabo. Tudo pensado pra ganhar muito dinheiro!

O Senhor dos Aneis – O Retorno do Rei  conseguiu algo difícil: manter o alto padrão de qualidade da saga – são poucas as trilogias que contam com três bons filmes. Entretanto, esta terceira parte tem um problema: o fim. Quem leu o livro, sabe que ainda tinha história no Condado depois do término da parte em Gondor. Na minha humilde opinião, o filme deveria acabar em Gondor; se continuou, deveria ter mostrado o que aconteceu no Condado. Mas nada acontece. Ou seja, temos um epílogo sonolento…

Mas nada que tire o brilho do trabalho de Peter Jackson, que conseguiu provar a todos que era muito mais do que um diretor neo-zelandês de filmes esquisitos. Jackson definitivamente entrou para o primeiro time de diretores de Hollywood – o cara transpôs para as telas uma saga fantástica, e de quebra ganhou muitos prêmios e bateu recordes de bilheteria.

No fim deste ano de 2012 está previsto o lançamento de O Hobbit, com Peter Jackson novamente como o diretor! Aguardamos ansiosamente!

Nem Tudo É O Que Parece

Crítica – Nem Tudo É O Que Parece

Quando gosto de um filme de um diretor que não conhecia, guardo o nome dele. Se gosto de um segundo filme, pesquiso o que mais o cara fez. Depois de Kick-Ass e X-Men: Primeira Classe, tive vontade de procurar este Nem Tudo É O Que Parece, filme de estreia do diretor Mathew Vaughn.

Um bem sucedido traficante de cocaína, que trabalha como um sério homem de negócios, planeja se aposentar. Mas antes ainda precisa fazer dois trabalhos para o chefão local. Durante a execução destes trabalhos, conhecemos as várias “camadas de bolo” (“layer cake”) do crime organizado.

Só depois de ver o filme é que descobri que Mathew Vaughn foi o produtor dos primeiros filmes de Guy Ritchie, Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch. Originalmente, Ritchie também dirigiria Nem Tudo É O Que Parece, mas por ter assumido outros compromissos, teve que largar o projeto. Vaughn assumiu a cadeira de diretor e fez um excelente trabalho.

Nem Tudo É O Que Parece (Layer Cake, no original) pode não ser o filme mais original do mundo – parece uma mistura de Tarantino, Scorsese e o já citado Ritchie. Mas é bem melhor que os genéricos de ação que infestam Hollywood, e foi uma bela estreia para Vaughn – tanto que hoje, oito anos depois, o cara já faz parte do primeiro time de diretores.

Baseado no livro de J.J. Connolly, também autor do roteiro, Nem Tudo É O Que Parece mostra uma envolvente trama não linear com vários bons personagens e algumas sequências muito boas, como o espancamento ao som de Duran Duran ou a sedução de Sienna Miller ao som de Rolling Stones.

O papel principal é de Daniel Craig, hoje badaladíssimo por ser o atual James Bond, além de filmes como Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres e Cowboys & Aliens. Na época Craig ainda um nome menos conhecido, assim como Tom Hardy, que estava em A Origem e será o vilão do próximo Batman. Ainda no elenco, Sienna Miller, Colm Meaney, Michael Gambon, George Harris, Dexter Fletcher e Jason Flemyng.

Nem Tudo É O Que Parece não é muito conhecido hoje em dia. Mas vale procurar, para aqueles que ainda não viram.

Agora preciso ver Stardust – O Mistério da Estrela, aí fecho a (ainda) curta filmografia de Mathew Vaughn.

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Absentia

Crítica – Absentia

As resenhas do imdb elogiam muito este filme obscuro. Fui ver qualé.

Sete anos depois de seu marido ter desaparecido, uma mulher está prestes a declará-lo morto e obter uma certidão de óbito. Sua irmã, que vem ajudá-la a superar este momento difícil, começa a desconfiar de estranhos acontecimentos ligados a um túnel de pedestres que tem por perto.

Absentia tem uma característica que traz qualidades e também defeitos: é um filme quase amador, de orçamento minúsculo (70 mil dólares), parece um projeto feito por amigos do diretor / roteirista / editor. Por um lado, o produto final é melhor do que muito filme “grande”; por outro lado, a produção às vezes se mostra precária demais.

Mike Flanagan, o tal diretor / roteirista / editor, conseguiu um resultado impressionante com o seu Absentia. O roteiro é sólido e criativo, a trama é envolvente e o filme é melhor que a média atual de terror e suspense que temos por aí nos dias atuais. E ainda rolam alguns sustos não óbvios.

Mas… Penso que se tivesse uma produção mais, digamos, generosa, talvez o filme fosse melhor. Os atores são amadores demais, e a edição às vezes deixa vazios não intencionais. Só pra citar um exemplo sem spoilers: Tricia, a mulher que teve o marido desaparecido, é interpretada por Courtney Bell, esposa de Flanagan. O problema é que ela estava grávida de sete meses. Ora, uma mulher sofrendo com o desaparecimento do marido há sete anos não deveria estar grávida, né? 😉

Além disso, rola outro problema que nada tem a ver com orçamento. A solução final não convence, deixa muitas pontas soltas. Tá, não precisa deixar tudo didaticamente explicado, o clima do filme é legal mesmo sem a gente saber exatamente o que aconteceu. Mas mesmo assim, o lance poderia ser melhor explorado…

Apesar disso, Absentia é uma boa surpresa. Fiquemos de olho no nome de Mike Flanagan!

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O Corvo

Crítica – O Corvo

(Não, não se trata de uma refilmagem de O Corvo, de 1994, último filme estrelado por Brandon Lee!)

A ideia era boa: um thriller de suspense com John Cusack interpretando Edgar Alan Poe poucos dias antes de morrer (Poe morreu com 40 anos). Será que funcionaria?

Baltimore, 1849. Em seus últimos dias de vida, o escritor Edgar Allan Poe ajuda a polícia a desvendar o caso de um serial killer que se baseia em seus livros.

O Corvo (The Raven, no original), novo filme de James McTeigue (V de Vingança) acerta em vários aspectos. Pena que o roteiro deixa a desejar.

O roteiro é cheio de furos e de situações forçadas. Vou citar alguns exemplos, tomando cuidado pra não soltar spoilers. Determinado momento descobrimos que um personagem foi sequestrado, mas na cena anterior este personagem está no meio dos outros, e cercado de policiais. Detalhe: o bilhete do sequestro veio antes do ato em si! Mais: uma pessoa, dentro de um caixão, na horizontal, consegue espiar através de um furo, e consegue ver a parede em vez do teto!

Situações assim vão acontecendo ao logo da projeção, e isso vai minando a credibilidade do filme. A boa vontade que antes existia se transforma em má vontade, e O Corvo desperdiça uma boa premissa.

Mesmo assim, O Corvo tem alguns méritos, como uma boa trilha sonora e uma bem feita ambientação em Baltimore do sec 19. Além disso, o sempre eficiente John Cusack não decepciona e apresenta um Poe bem construído. Além de Cusack, o elenco ainda conta com Alice Eve, Luke Evans e Brendan Gleeson

O Corvo não é exatamente ruim. Mas é uma grande decepção…

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Battleship – A Batalha dos Mares

Crítica – Battleship – A Batalha dos Mares

Um filme baseado num brinquedo, com enormes estruturas metálicas que parecem robôs, vindas de outro planeta, causando destruição por aqui. Não, não estou falando de Transformers, e sim de Battleship – A Batalha dos Mares, novo blockbuster em cartaz nos cinemas.

Durante uma pacífica festa militar no Oceano Pacífico, alguns navios de guerra se vêem obrigados a confrontar perigosas naves alienígenas, que chegam de repente causando destruição e ameaçando a existência da raça humana.

Battleship – A Batalha dos Mares é um típico “blockbuster barulhento”. Muitas explosões, muito barulho, muito apuro visual nos efeitos especiais, tudo isso para disfarçar personagens unidimensionais em uma trama batida e cheia de clichês.

Dirigido por Peter Berg (que fez o divertido Hancock), o filme parece uma mistura do já citado Transformers e Independece Day, com uma pitada de propaganda militar americana desnecessária. Tudo aqui é previsível, todos os personagens estão a caminho de uma espécie de “redenção”: temos o rebelde que vai virar heroi, a mocinha bonitinha que vai ter uma participação essencial, o pai da mocinha que vai ser um empecilho até se render no fim do filme, um antagonista que vai virar o melhor amigo do mocinho, um ex-militar amargurado com um problema físico que vai se redimir… Rola até o cientista gênio atrapalhado que aparece na hora H. Tudo isso no meio de uma overdose de símbolos militares americanos.

O curioso é que o filme foi baseado em um jogo, aquele velho jogo batalha naval (“E5” – “água!”). Mas a trama não tem nada disso…

O elenco nem é ruim. Taylor Kitsch, o John Carter, estrela mais uma produção de grande porte – será que estamos diante de uma nova estrela? Ainda no elenco, Alexander Skarsgård (True Blood), a modelo Brooklyn Decker, a cantora Rihanna e um sub-aproveitado Liam Neeson.

O que funciona muito bem no filme é a parte técnica. Os efeitos especiais são muito bons, as batalhas navais são bastante “reais”, e os alienígenas são bem feitos. Prato cheio para quem gosta do estilo. Só não dá pra parar e pensar no roteiro, porque senão a gente descobre que os alienígenas deveriam ter destruído logo todos os navios em volta – e aí não teria filme… 😉

Enfim, Battleship – A Batalha dos Mares é divertido. Mas talvez seja melhor deixar o cérebro fora do cinema.

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Armadilha / ATM

Crítica – Armadilha / ATM

Três colegas de trabalho param em um caixa eletrônico no meio da madrugada. Quando vão sair, reparam que um homem sinistro os espreita lá fora.

Longa de estreia de David Brooks, Armadilha é uma típica produção modesta, mas mesmo assim é quase um bom filme. O pequeno elenco está ok, e o clima de tensão funciona ao longo da curta hora e vinte de projeção. O que estraga é um roteiro cheio de furos e situações forçadas.

Vamos ao que deu certo: a tensão em cima do misterioso vilão sem rosto é bem construída. E o trio de atores está bem, heu só conhecia Alice Eve, de Território Restrito e O Corvo, nunca tinha visto nada com os outros dois, Josh Peck e Brian Geraghty. Mas o filme não pede muito esforço deles…

Agora, o roteiro… Se heu fosse listar aqui as inconsistências, o post ia ser longo. Sem entregar spoilers, fico apenas com uma pergunta: por que eles não fugiram em algum momento de distração do vilão? Pior é que o roteirista é Chris Sparling, o mesmo do interessante Enterrado Vivo

E tem outra coisa que me incomodou muito, mas aí preciso dos aviso de spoiler.

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

A trama é construída para que pensemos na motivação do vilão – e no fim do filme, seguimos o vilão, mas não chegamos a nenhuma conclusão. Era melhor que o vilão continuasse misterioso e sem explicações…

FIM DOS SPOILERS!

Armadilha nem é ruim. Mas poderia ser melhor, ah, poderia…

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Os Três Mosqueteiros

(Outro dia descobri que o meu post sobre o filme Os Três Mosqueteiros sumiu do Blog. Sei lá o que aconteceu, só sei que não estava aqui, só no índice, como se tivesse sido publicado no fim de outubro de 2011. Pra não ficar sem o texto, recuperei no “cache” do Google, e estou postando de novo.)

Crítica – Os Três Mosqueteiros

Mais uma adaptação da clássica história de Alexandre Dumas!

O jovem D’Artagnan vai para Paris para se tornar um mosqueteiro e acaba se tornando companheiro dos três lendários mosqueteiros Athos, Porthos e Aramis, em uma aventura com fundo político.

Tenho lido por aí muitas críticas a essa nova versão da história que todos conhecem. É porque na verdade o roteiro toma várias “liberdades poéticas”… Mas o grande barato aqui não é verificar a veracidade do texto, e sim curtir a aventura. Porque este é o real objetivo de Os Três Mosqueteiros: um filme de aventura!

Apesar de ser um filme de época, Os Três Mosqueteiros tem a cara do seu diretor, Paul W.S. Anderson, o mesmo do primeiro Resident Evil e do fraco Alien vs Predador, que tem um pé na ficção científica em quase todos os filmes de sua carreira. Aqui, Anderson puxa mais para a aventura, a semelhança com Piratas do Caribe é óbvia e – acredito heu – intencional. Afinal, rola até o Orlando Bloom em um navio… Então, se você procura uma aventura neste estilo, você não se decepcionará.

O roteiro é cheio de ação. Algumas das lutas de espadas são bem legais, apesar de quase não vermos sangue ao longo do filme. Gostei da luta entre os quatro mosqueteiros e dezenas de guardas de Rochefort!

O elenco é muito bom. Como é comum hoje em dia, os melhores papeis são dos vilões. Christoph Waltz (Bastardos Inglórios), sempre competente, manda bem como o Cardeal Richelieu. Milla Jovovich ignora a Milady clássica e age como se estivesse em mais um Resident Evil: corre, pula e dá porrada, tudo de um jeito estiloso, cheio de câmeras lentas. E ainda tem Mads Mikkelsen como Rochefort.

O papel principal – D’Artagnan – fica nas mãos do jovem Logan Lerman, que comprova o que já tínhamos visto em Percy Jackson e o Ladrão de Raios: se o garoto souber administrar a carreira, vai longe. Ainda preciso comentar que achei irregular a escolha dos três atores que fazem os mosqueteiros. Achei que o Porthos de Ray Stevenson (Roma, O Justiceiro – Zona de Guerra) se destaca dos outros dois, e isso pareceu estranho, pois para mim faltou equilíbrio. Talvez seja porque Stevenson é mais ator; talvez seja porque Porthos é um personagem melhor desenvolvido – provavelmente uma combinação das duas coisas. Os outros dois, Luke Evans e Matthew Macfadyen, nem são ruins, mas aí a gente se lembra das duas últimas versões cinematográficas do trio – e, na comparação, o filme atual perde feio, tanto pra versão pop 80′s (Kiefer Sutherland, Charlie Sheen e Oliver Platt), quanto a versão “madura” de O Homem da Máscara de Ferro (John Malkovich, Jeremy Irons e Gerard Depardieu).

Por fim, falemos do 3D. Este é um dos poucos filmes em cartaz onde o 3D vale realmente a pena. Os Três Mosqueteiros foi filmado em 3D, e não convertido para 3D como acontece mais frequentemente. Faz diferença…

Enfim, se você é fã de Alexandre Dumas e procura correção histórica, passe longe. Mas se o seu negócio é aventura, esse é o seu filme.

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Entrevistas – Supernatural

Entrevistas – Supernatural – Roadhouse Convention

Sábado dia 5 de maio teve uma convenção de Supernatural aqui no Rio. Me cadastrei para as entrevistas coletivas e fui lá tentar entrevistar cinco dos atores e um dos produtores da série. Era gente importante: Jared Padalecki, um dos dois atores principais, e três coadjuvantes importantes, Misha Collins (Castiel), Mark Pellegrino (Lúcifer) e Mark Sheppard (Crowley). De última hora confirmaram mais duas pessoas: o produtor Jim Michaels e o ator Richard Speight (Trickster / Gabriel), que só esteve em 4 episódios, mas 4 dos melhores episódios de todas as temporadas.

A organização do evento foi muito ruim, e tive duas decepções. A primeira coletiva foi num horário antes do divulgado, então perdi a coletiva com os atores Mark Sheppard e Richard Speight. Mais: Jared Padalecki, a estrela da convenção, não daria entrevistas.

Sobre o segundo problema, nada podíamos fazer. Mas corri atrás para resolver o primeiro. Enchi o saco da agente de Sheppard e Speight, e consegui algo que mais ninguém que estava lá pelas coletivas conseguiu: uma curta exclusiva com os dois!

Agora, para vocês leitores do Blog do Heu, seguem trechos da coletiva e os dois breves bate-papos exclusivos.

(fotos de Marcelo Melo)

Misha Collins e Mark Pellegrino

Misha Collins (Castiel)

Quando você foi contratado, você tinha ideia de como o seu personagem seria importante?

– Primeiro fui contratado para fazer 3 episódios. No fim do terceiro, me perguntaram se eu poderia fazer mais 3, e depois se poderia fazer mais 6, e depois me convidaram para ser um personagem regular. Então não, achei que seriam apenas algumas semanas. Então, quando fui fazer o teste de figurino – quando você é contratado por um programa de TV, a primeira coisa é o teste de figurino, onde experimentamos roupas – eu coloquei um terno que era muito grande para mim, não vestiu bem, mas pensei, “ok, quem se importa?” – e acabei usando o terno por quatro anos. Agora sou mais cauteloso: no meu próximo teste de figurino, terei certeza ao pegar uma roupa que veste bem. Ah, sim, definitivamente foi uma surpresa.

Como você vê os fãs?

– É uma pergunta difícil de responder, porque há muito o que falar. Ontem à noite tinham pessoas dormindo na calçada do nosso hotel, só para – não sei, o que eles queriam? Acho que me dizer “oi, bom dia”. Nós temos muitos fãs entusiastas, que nos mandam toneladas de coisas incríveis pelo correio. Tem muita coisa estranha que mandam, outro dia trouxeram um livro de fotos de bonecos do Sam e do Dean, e nós folheamos o livro, e contava uma história através das fotos de bonecos, e o final era meio erótico – tinha um gato fazendo sexo com os bonecos.

– Eu tenho uma coleção de roupas de baixo. Fãs me deram centenas de roupas de baixo laranjas, graças ao Richard Speight. É uma longa história, tem muita coisa estranha acontecendo. (Jim Michaels interrompe e lembra ele da história dos 5 mil patos) Sim, tinham 5 ou 6 mil patos no estacionamento do estúdio, vindos de todo o mundo.

Como você se prepara para as filmagens?

– Eu não sigo sempre o mesmo método, uso coisas diferentes em épocas diferentes, dependendo de quanto tempo tenho para me preparar. Às vezes não tenho nenhum tempo para me preparar. Por exemplo, quando o Castiel voltou, ele estava maluco. Quando começamos a filmar, eu tinha indicações do roteirista, que também era o diretor, que disse “vamos fazê-lo leve, alegre e exuberante o tempo todo”. Fizemos um take de uma cena, e ele então disse “ok, em vez disso, vamos fazê-lo dark” – exatamente o oposto do inicial. Às vezes temos que fazer mudanças radicais em pouco tempo, outras vezes temos tempo para toda uma preparação que envolve a parte física, a parte vocal e o histórico do personagem e o seu relacionamento com todos em volta.

Tem algo de Misha Collins em Castiel?

– Sim, eu acredito que sempre tem um pouco de você dentro de cada personagem que você faz. Você filtra tudo através dos seus olhos. Eu coloquei um pouco do meu irmão mais novo em Castiel, porque ele tem algumas estranhas características angelicais às vezes.

Qual é o seu episódio favorito?

The French Mistake, quando quebramos, ou melhor, destruímos a “quarta parede”, e Sam e Dean viraram Jared e Jensen.

Você já correu aqui no Rio?

– Sim, por Copacabana, Ipanema e em volta da Lagoa. É muito quente, eu suei muito. É possível correr até o Cristo Redentor? Talvez eu faça isso.

Misha Collins, Mark Pellegrino e Jim Michaels

Mark Pellegrino (Lúcifer)

Você gosta de interpretar um vilão?

– Eu nunca penso em nenhum personagem meu como um vilão ou um cara mau, sempre penso nele como alguém mal interpretado. Todos os vilões que interpretei são caras que tentam fazer algo que qualquer ser humano diria que é uma boa coisa. Bishop, o personagem da série Being Human, parece ser um cara mau, mas ele é apenas um pai que está tentando salvar o seu filho, por ter cometido um erro terrível – é assim que eu vejo. Lúcifer é um cara que quer vingança, mas pelos motivos certos, na minha cabeça. Eu acho que isso é o que torna os caras maus “menos maus”, você pode ficar do lado deles.

– Se for pra ser um cara mau, é melhor que seja um cara mau engraçado, para que você possa ficar ao lado dele, e isso é mérito dos roteiristas. Antes de ser engraçado, Lúcifer tinha uma causa, ele acreditava no que estava fazendo.

Como é ser o Lúcifer dentro da cabeça do Sam?

– Tem muito espaço lá dentro! (gargalhadas na sala) Muito espaço vazio, muito espaço para brincar. É legal, eu acho que Lúcifer se tornou um brincalhão agora, porque eles está aborrecido. Em vez de ter missões como antes, agora ele tortura uma única pessoa. Depois que sair, ele voltará ao objetivo apocalíptico, matar pessoas em grande escala…

– O momento “Good Morning Vietnam” teve um grande impacto. Tenho tido muita diversão dentro da cabeça de Sam, mais do que em qualquer época anterior. Brincar lá, bagunçar lá, tem muita coisa pro Lúcifer fazer, e eu gosto disso.

Os fãs falam sobre Lost?

– Sim, no hotel uma mulher me viu andando e gritou “JACOB!” . Sim, sempre falam de Lost.

E o que você achou do fim de Lost?

– Eu adorei o último episódio! Você não? Vou ligar agora pros roteiristas agora e dizer que você não gostou (pegou o celular e fingiu que ia ligar) “É, temos um problema aqui, ele disse que não gostou do episódio, será que a gente pode voltar e refilmar?”

(nota do entrevistador: senti uma ironia na resposta… 😉 )

Você foi Jacob, e agora é Lúcifer. Como se sente?

– Vou te falar que poderia ser pior, me sinto ótimo. Foi bom trabalhar no Havaí e fazer um personagem icônico; Vancouver também, gosto de trabalhar lá, gosto de trabalhar com esses caras, é como se fossem uma família. Me sinto bem, quero seguir em frente.

Como você se preparou para fazer o Lúcifer? Vendo filmes de terror?

Filmes de terror? Não, eu saí pela rua perseguindo e matando pessoas. (risos)

Você tem algum vilão favorito de histórias em quadrinhos?

Bem, eu só lia quadrinhos quando era criança, eu gostava dos quadrinhos do Hulk, mas não tinha um vilão favorito. Hoje gosto de Walking Dead, gosto dos zumbis, não tem exatamente um vilão, as pessoas são vilãs.

Qual o seu diabo favorito no cinema?

– Acho que todos os caras que interpretaram diabos tiveram características boas, todos são bem diferentes, nenhum me atingiu tipo “oh meu Deus, isso foi sensacional, esse é O diabo”. Cada um tinha algo único, eu meio que gostei de todos, gostei do Al Pacino (O Advogado do Diabo), do cara de Constantine (Peter Stormare).

Que personagem que você gostaria de interpretar?

Howard Roark, do livro Fountainhead, escrito por Ayn Rand.

Jim Michaels (produtor)

Qual a chance do John Winchester (Jeffrey Dean Morgan) voltar?

– Nunca se sabe. (Misha Collins interrompe e fala, ironicamente, “4 ou 5% de chance”). Às vezes gostamos de alguns atores, que não estão mais disponíveis. Logisticamente falando, mesmo que queiramos um ator, se ele estiver fazendo um seriado ou filme, fica difícil assumir o compromisso. É desafiador, mas nunca dizemos nunca.

Mark Sheppard e Mark Pellegrino

Mark Sheppard (Crowley)

(Perdi a coletiva de Mark Sheppard. Como sou fã do cara que esteve na série BSG, insisti até conseguir uma exclusiva com ele. Quando o encontrei, ele estava ao lado de Mark Pellegrino)

Como você se prepara para um personagem como o Crowley?

– Eu procuro matar o máximo de pessoas que conseguir.

Comentei que Mark Pellegrino, ao lado dele, tinha dado a mesma resposta durante a coletiva. Então ele deu uma resposta séria.

– Ler, ler, ler, ler, imaginar, pensar – e fazer.

Sou fã de BSG, mas vejo que aqui no Brasil não é uma é uma série popular. Você, alguém de dentro – o advogado Romo Lampkin – vê a série como um marco na história da TV, ou apenas mais uma série?

– Uma parte importante da história da TV. Daqui a 25 anos ainda será uma grande série, daqui a 50 anos, ainda será uma grande série. É um “standard”. Alto padrão no roteiro e na execução, do início ao fim, algo raro quando se fala de séries, e com um grande fim. Veremos, daqui a 25 anos, as pessoas estarão falando da série, ainda estarão vendo a série. É uma ótima série, eu era fã da série antes de entrar. Foi ótimo fazer parte disso.

Você sabia da importância do seu papel antes de começar?

– Sim, Ronald Moore escreveu o Romo Lampkin pra mim, eu já o conhecia antes.

Helvecio Parente e Richard Speight

Richard Speight (Trickster / Gabriel)

O Trickster esteve em poucos episódios, mas todos eles foram excelentes. Você preferiria trabalhar em mais episódios “mais ou menos”, ou só ficar com os acima da média?

– É o seguinte: eu realmente gostei dos episódios, e você está certo, eles foram realmente muito bons, e os fãs gostaram muito mesmo. Changing Channels, Hammer of Gods e Mistery Spot são considerados entre os melhores episódios. Foi ótimo fazer parte disso. Eu adoraria ver o personagem voltar, e eu acho que isso ainda é possível. Mas eu gostaria que os roteiristas o colocassem de volta em episódios do mesmo calibre. Não vejo o ponto de aparecer algumas vezes em episódios que não sejam necessariamente do mesmo nível. Quer dizer, todos os episódios são bons, mas os que contaram com Trickster, ou Gabriel, ou ambos, foram acima da média. Eu adoraria manter o padrão.

– As coisas estão boas para trazer de volta o Gabriel, os fãs continuam apoiando o personagem e pressionando os roteiristas. Acho que teremos o cara de volta, acho que é só descobrir como trazê-lo, porque não quero ver as coisas pela metade, se fizerem, que façam bem feito, exatamente como os fãs querem.