O Morro dos Ventos Uivantes

Crítica – O Morro dos Ventos Uivantes

Sinopse (imdb): Uma história de amor apaixonada e tumultuada que tem como pano de fundo os pântanos de Yorkshire, explorando o relacionamento intenso e destrutivo entre Heathcliff e Catherine Earnshaw.

Antes de tudo, preciso falar que nunca li o livro. Foram algumas diferentes versões cinematográficas, vi a de 1992, com Juliette Binoche e Ralph Fiennes, mas vi na época e nunca revi, então não lembrava de nada da história. Como de costume aqui no heuvi, os comentários serão sobre o filme, e não sobre o livro que deu origem.

Só queria fazer um breve comentário, porque ouvi gente reclamando que a escolha do Jacob Elordi seria errada, porque no livro o Heathcliff não é branco. Ora, na versão de 92, Heathcliff era o Ralph Fiennes. Essa reclamação está atrasada, não?

O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights, no original) é o terceiro filme de Emerald Fennell, que tirou onda ganhando Oscar de melhor roteiro original (além de indicações para filme e diretora) por seu filme de estreia, Bela Vingança, de 2020. Em 2023 ela fez Saltburn, bom filme, mas não tão bom quanto Bela Vingança. E agora chega seu terceiro filme, bem mais fraco que os dois anteriores…

(Detalhe: o título do filme, no poster, está entre aspas. É um meio discreto que Emerald Fennell usou para avisar “galera, este filme não é exatamente a mesma história, é a minha versão, ok?”)

O Morro dos Ventos Uivantes não é bom. Não é um lixo, mas tem muito mais problemas que virtudes. Duas coisas me incomodaram muito, uma sobre a história, a outra do filme em si. Vamos por partes.

Sobre a história, não sei vocês, mas heu tô de saco cheio com gente que alimenta problemas desnecessários. Ele gosta dela, ela gosta dele, mas ninguém fala nada e eles não ficam juntos. Isso não é um problema exclusivo desse livro/filme, isso tem de monte por aí, inclusive na vida real. Galera, qual é a dificuldade de você verbalizar o que você sente por alguém? Pra que problematizar algo que não é um problema? Aí, no filme, vemos Heathcliff decepcionado com algo que ele ouviu – mas não confirmou – e vai embora. E volta anos depois, dizendo que sempre amou Cathy. Cara, se você a ama, por que foi embora? Você se ausentou, “a fila andou”. Agora não reclame! E ela também fica fazendo jogo duro – pra que??? Sei lá, esse tipo de problema me enche o saco.

Agora, sobre o filme, o problema é que é chato e arrastado. São duas horas e quinze, e aquela história poderia facilmente ser contada em uma hora e meia. É impossível passar pela reta final do filme, repetindo a mesma coisa várias vezes, sem ficar olhando pro relógio.

Além disso, O Morro dos Ventos Uivantes tem algumas coisas meio estranhas. O figurino usa umas roupas que parecem de plástico, talvez celofane. Qual é o sentido de usar um tecido que não parece compatível com a época que o filme se passa? Faço o mesmo comentário sobre alguns momentos musicais usando Charlie XCX, umas músicas que não têm nada a ver com o clima do filme, parecia um videoclipe.

Um amigo comentou que O Morro dos Ventos Uivantes era pra ser um romance gótico, mas virou um thriller erótico. Mas, olhando pelo lado erótico, achei bem fraco. O filme tem zero nudez, e pouquíssimas cenas de sexo. Ok, algumas cenas sugerem erotismo em situações do dia a dia, como por exemplo alguém sovando massa de pão na mesa. Mas na minha humilde opinião é tudo muito discreto pra ser chamado de thriller erótico.

Nem tudo é ruim. A fotografia é muito boa – talvez o único elogio que faço sem nenhuma ressalva. Várias cenas são belíssimas, daquelas que dá vontade de pausar e colocar num quadro. Também gostei das cenas que envolvem Heathcliff e Isabella, uma relação bem tóxica, mas que foi bem escrita e bem filmada.

No elenco, Margot Robbie e Jacob Elordi servem para o que o filme propõe: um casal bonito e carismático. Não precisa de grandes atuações, a ideia é que eles façam o básico. A melhor do elenco é Alison Oliver, que faz Isabella, é um personagem bem mais interessante que o casal principal. E achei legal ver Owen Cooper, o garoto de Adolescência, em seu primeiro papel para o cinema. Também no elenco, Hong Chau, Shazad Latif e Martin Clunes.

O Morro dos Ventos Uivantes está em cartaz, e aparentemente não está agradando. Espero que Emerald Fennell tenha melhor sorte no seu quarto filme.

O Som da Morte

Crítica – O Som da Morte

Sinopse (imdb): Um grupo de estudantes desajustados do ensino médio se depara com um artefato amaldiçoado, um antigo apito mortal asteca. Eles descobrem que, ao soarem o apito e ouvirem o som aterrorizante que ele emite, suas futuras mortes os assombrarão.

Bora pra mais um terror genérico?

Em O Som da Morte (Whistle, no original), um grupo de jovens estudantes acha um antigo apito maia (ou asteca – já vou comentar sobre isso), e todos os que ouvem o som desse apito são perseguidos pela morte.

Sim, a premissa parece Premonição. A diferença é que em Premonição as pessoas que estão fugindo da morte acabam sofrendo acidentes bizarros e imprevisíveis (e isso acabou sendo o melhor da saga), enquanto aqui a pessoa é perseguida pelo seu “eu futuro”. Tipo assim: se você vai morrer daqui a dez anos em um acidente, você passa a ser perseguido por um fantasma que é você acidentado, dez anos mais velho.

(Existe um problema de conveniência de roteiro. A velocidade que o fantasma te alcança depende de quanto o roteiro está precisando. Pode ser imediatamente, pode ser depois de dias. Mas, não vou reclamar, porque isso é algo recorrente em filmes assim – inclusive no citado Premonição.)

O Som da Morte até tem seus méritos, mas o roteiro é bem fraco. Por exemplo, a protagonista se muda pra casa do primo, e o filme nem mostra se existe uma família ou não (são adolescentes, deveria ter um pai e/ou uma mãe). Todo o núcleo de personagens é muito mal elaborado, eles não se gostam, mas do nada inventam uma festa e todos são convidados – e só eles estão presentes, não tem mais ninguém. Isso sem contar as facilitações tipo um professor que consegue ler o que está escrito em asteca (ou maia), ou uma personagem que só entra em cena para dizer fatos exatos sobre o artefato. Além disso, o roteiro é cheio de clichês que parecem tirados de outros filmes. Tem Premonição, tem Fale Comigo, tem Sorria 2, tem Linha Mortal, tem até Clube dos Cinco!

(Sobre o maia ou asteca: determinada cena eles estão pesquisando cultura asteca, outra cena é cultura maia. Afinal, o artefato vem de onde?)

Mesmo assim, não achei de todo ruim. A direção é de Corin Hardy, de A Freira e da série Gangs of London. Tem algumas boas sacadas na direção, gostei do plano sequência na feira. E algumas mortes são bem legais – a do acidente de carro ficou muito boa.

No elenco, o papel principal é de Dafne Keen, a X23 de Logan. Sophie Nélisse, de Yellowjackets, é talvez a melhor num elenco fraco. O filme também tem participações especiais de Nick Frost e Michelle Fairley.

Tem uma cena no meio dos créditos com um gancho para uma possível continuação. Mas na minha humilde opinião podia parar por aí mesmo.

Dupla Perigosa

Crítica – Dupla Perigosa

Sinopse (imdb): Uma dupla improvável de meio-irmãos, um detetive impulsivo e outro disciplinado, é atraída pelo assassinato de seu pai no Havaí, levando-os a uma jornada perigosa para desmascarar uma conspiração de longo alcance.

Outro dia vi um videozinho no Instagram com a Morena Baccarin e o Jason Momoa, ele fala com ela em espanhol, e ela responde “I don’t speak spanish, cause I’m from Brasil. I speak portuguese. Seu idiota!” Fui catar de onde era e achei este Dupla Perigosa / The Wrecking Crew, estreia da Prime, com os dois, mais Dave Bautista e Temuera Morrison no elenco. Aproveitei pra ver.

A direção é de Angel Manuel Soto, de Besouro Azul (onde, coincidência ou não, ele dirigiu outra brasileira, Bruna Marquezine). Ele apresenta um resultado cheio de cenas de ação e bom humor. É previsível? Sim, totalmente. Mas sabe aquele feijão com arroz bem feito? É o caso aqui. Soto usa bem os clichês a favor de seu filme.

Tecnicamente, Dupla Perigosa é muito bom. Abre com um plano sequência que começa num take aéreo de uma cidade, entra numa rua onde acontece uma festa popular e segue uma perseguição a pé no meio de uma multidão. E temos várias cenas de lutas bem filmadas – a primeira, com Jason Momoa seminu contra três membros da Yakuza, é divertidíssima. No quesito “tiro porrada e bomba”, Dupla Perigosa não decepciona.

Agora, a gente sabe que é um filme de ação descompromissado, mas tem algumas coisas que forçaram a barra demais. Determinado momento do filme, os personagens estão num carro, sendo perseguidos por vilões armados, numa moto e num helicóptero. Ok, cena cheia de adrenalina, mas… Em primeiro lugar: como os vilões sabiam onde os mocinhos estavam? E se sabiam, não seria mais fácil num lugar menos “aberto”? Mais: era um elevado com duas pistas, cheio de carros batidos e capotados. Como um carro consegue escapar? Não tem espaço! Ok, sei que metade dos filmes com cenas de perseguição têm o mesmo problema, mas é algo que precisa ser dito: quando um carro capota e atravessa a estrada, não dá pra passar!

Heu até aceitava essa cena do helicóptero. Cena absurda, mas está dentro do limite aceitável em filmes do gênero. Mas teve outra que não deu pra passar. Um milionário, badalado na sociedade, quer construir um grande empreendimento – ilegal, mas ele quer mexer os pauzinhos para conseguir seu objetivo. Aí em determinado momento ele grava um vídeo, mostrando o rosto, dizendo que sequestrou pessoas. Galera, esse cara NUNCA iria mostrar o rosto num vídeo que mostra uma ação criminosa! Seria o seu fim!

O elenco é bom. Jason Momoa e Dave Bautista são carismáticos e funcionam bem juntos. E ambos têm porte físico compatível com a proposta de filme de ação com porradaria. Jacob Batalon, o amigo gordinho do Homem Aranha, faz um bom alívio cômico. Morena Baccarin, Roimata Fox e Frankie Adams estão bem, mas têm pouco espaço, Dupla Perigosa é assumidamente um “filme de meninos”. Claes Bang está apenas ok como antagonista, confesso que gostei mais do vilão secundário vivido por Miyavi, o japonês com o corte no rosto, ele aparece pouco, mas pareceu um personagem bem melhor. Por fim, Maia Kealoha, a filha do Dave Bautista, é a Lilo do recente Lilo & Stitch.

Pra quem gosta de filme de ação onde não precisa usar muito o cérebro, Dupla Perigosa é uma boa opção. E, já disse outras vezes mas não canso de repetir: pra mim, “cinema é a maior diversão”, então Dupla Perigosa se encaixa nos meus critérios. Me diverti vendo, apesar dos clichês e da previsibilidade.

Por fim, queria implicar com o título nacional. “The Wrecking Crew” seria algo como “equipe de demolição” – o nome original não é bom. Mas, “Dupla perigosa”??? Detalhe: não é uma dupla qualquer, são irmãos! O título nacional parece uma comédia besta de sessão da tarde! O filme merecia mais do que isso!

Destruição Final 2

Crítica – Destruição Final 2

Sinopse (imdb): A família sobrevivente Garrity deve deixar a segurança do bunker da Groenlândia e embarcar em uma jornada perigosa pelo deserto gelado dizimado da Europa para encontrar um novo lar.

Antes de falar do filme, um comentário irônico sobre o título nacional. Afinal, se teve uma “destruição final”, o segundo filme seria uma hora e meia de tela preta! Mas entendo a mudança, afinal, o nome original, “Groenlândia”, não é um nome muito bom pra vender ingressos. Pior foi com “28 Dias”, que resolveram chamar de “Extermínio”. Aí quando veio a continuação, “28 semanas”, virou “Extermino 2″…

Enfim, vamos ao filme. Em 2020, tivemos Destruição Final O Último Refúgio, um filme catástrofe com uma pegada um pouco diferente. O foco do filme não era na catástrofe em si, e sim nas pessoas tentando sobreviver. Boa ideia, um filme diferente do óbvio, pena que não era exatamente um grande filme. Agora temos uma continuação dirigida pelo mesmo Ric Roman Waugh e estrelada pelos mesmos Gerard Butler e Morena Baccarin (trocou o ator que faz o filho, agora é Roman Griffin Davis, de Jojo Rabbit e A Longa Marcha).

No primeiro filme, um cometa se chocou com a Terra, matando boa parte da população e alterando várias coisas da natureza que conhecemos. Os personagens se salvaram porque se isolaram num bunker. Cinco anos depois, em Destruição Final 2 (Greenland 2: Migration, no original), a vida no bunker não está muito fácil, e rola uma teoria de um local onde a sobrevivência seria mais viável: a cratera causada pelo choque do cometa, que fica na França. A família tenta então ir até lá – daí o “migration” do título original.

Destruição Final 2 não é um grande filme. Mas, alguém esperaria ver um grande filme numa continuação daquele que já não foi tão grandes coisas assim? Pensando sob este aspecto, Destruição Final 2 não é ruim. É um filme competente, traz algumas boas sequências, outras nem tanto, mas, distrai o espectador por pouco mais de uma hora e meia.

O roteiro tem aquele formato em etapas: a família tem que enfrentar um obstáculo de cada vez – como se fossem fases de um videogame. Algumas dessas fases são boas, admito que gostei da passagem pelo Canal da Mancha sem água, a sequência é absurda, mas é tensa e bem filmada. Outras fases são exageradas além do ponto – tem um momento onde eles atravessam uma guerra, no meio de trincheiras e soldados em fogo cruzado. Essa parte da guerra foi desnecessária…

Como disse antes, Destruição Final 2 não é um grande filme. Mas se você estiver com expectativa baixa, vai curtir.

Justiça Artificial

Crítica – Justiça Artificial

Sinopse (imdb): Depois de ser acusado de um crime violento, um policial é forçado a provar sua inocência.

O diretor russo Timur Bekmambetov chamou a atenção de Hollywood com os filmes Guardiões da Noite (2004) e Guardiões do Dia (2006). Dirigiu poucos filmes nos EUA (O Procurado, Abraham Lincoln Caçador de Vampiros, Ben Hur), mas tem atuado muito como produtor. E dentre seus filmes como produtor, está por trás de alguns projetos que usam o screenlife – formato onde o filme se passa todo na tela de um computador, o espectador fica acompanhando diferentes abas de navegadores e de redes sociais, além de aplicativos de comunicação como Skype e Messenger. Ele produziu bons filmes em screenlife, como Buscando e Desaparecida, mas também filmes bem ruins, como o Guerra dos Mundos do ano passado.

Depois de cinco anos, Bekmambetov está de volta à cadeira de diretor. Justiça Artificial (Mercy, no original) apresenta uma Inteligência Artificial que é juiz, júri e executor ao mesmo tempo. O acusado tem 90 minutos para provar sua inocência, se não é condenado à morte. Durante esses 90 minutos, ele pode acessar arquivos em quaisquer computadores e celulares. O lance é que o acusado agora é Chris Raven (Chris Pratt), um dos policiais que trabalhava levando criminosos para esse sistema.

Justiça Artificial usa elementos do screenlife, mas não se passa todo dentro da mesma tela. Chris passa o filme sendo julgado pela IA interpretada pela Rebecca Ferguson, e muita coisa é jogada na tela, como se fossem pop-ups mostrando arquivos de câmeras de segurança e chamadas de vídeo, dentre outras coisas.

O filme se passa em “tempo real”, vemos um cronômetro ao lado da tela quase o tempo todo. Por um lado, isso é ruim porque sabemos que nada de conclusivo vai acontecer na primeira hora de filme. Mas por outro lado a tensão é bem construída ao longo de toda a projeção.

Claro, o roteiro tem algumas facilitações. O formato de roteiro escolhido cai nos clichês esperados, tipo as pistas falsas até o clímax. E achei forçado não conseguirem parar o caminhão na parte final – cadê aquelas metais pontudos que usam pra furar pneus? Além disso, o filme podia acabar antes do último plot twist, me pareceu um certo exagero. Nada grave, felizmente.

No elenco, quase todo o filme é em cima da dupla Chris Pratt e Rebecca Ferguson. Ela faz uma IA, então acho que poderiam usar um filtro e deixá-la um pouco mais artificial – mas isso não é exatamente um problema, é só um head canon meu, ambos estão ok. Também no elenco, Kali Reis, Annabelle Wallis, Chris Sullivan e Kylie Rogers.

Justiça Artificial não entrará em nenhuma lista de melhores. Mas vai agradar o espectador comum.

Socorro!

Crítica – Socorro!

Sinopse (filmeb): Após um acidente aéreo, um chefe e uma funcionária que se odeiam são os únicos sobreviventes. Isolados numa ilha deserta, eles precisam decidir se cooperam ou competem para escapar, mas é difícil deixar para trás os conflitos do escritório.

Sam Raimi está de volta ao terror, dezesseis anos depois de Arraste-me Para o Inferno!

Socorro! (Send Help, no original) foi anunciado como “uma mistura de Louca Obsessão com Náufrago“, e parte de uma premissa interessante. Uma mulher sem muitas habilidades sociais e que por isso sofre bullying no trabalho, acaba indo viajar com o patrão e seus amigos num jato particular. O avião cai, e só sobrevivem ela e o chefe – que sempre a tratou mal. Mas agora ela que detém o poder, porque ela sabe se virar no meio do mato e ele não.

Socorro! tem tudo o que se espera num filme do Sam Raimi: sangue, gore e muito humor negro. Também tem um travelling pela mata, lembrando os movimentos de câmera de Evil Dead. Tem até um jump scare bem construído, daqueles que você não está esperando.

Lendo isso dá pra pensar que é uma pegada de terror trash sobrenatural, né? Que nada. O foco principal do filme é o embate entre dois personagens que se odeiam mas precisam se entender pela sobrevivência. Detalhe: ela, que era rejeitada e sofria bullying, era fanática por programas tipo Survivor, ou seja, ela sabe o que precisa para sobreviver. Agora é ela quem dá as cartas!

Mesmo assim, o filme tem bastante gore. Mas quase todas as sequências sanguinolentas geram mais risadas do que repulsa. A cena da caça ao javali é muito boa, e tem uma outra que envolve um veneno paralisante que vai deixar qualquer homem desconfortável. E, claro, assim como em Arraste-me Para o Inferno, tem cena – engraçada – envolvendo vômito. Muito vômito!

O elenco até tem mais nomes, mas quase todo o filme é em cima do casal principal. Rachel McAdams já tinha trabalhado com Sam Raimi em Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, de repente deve ter rolado alguma afinidade entre eles, e aqui ela está excelente, sem medo dos banhos de sangue. Dylan O’Brien também está bem como o antipático chefe. Ah, Bruce Campbell, “ator assinatura”do Sam Raimi, não está no filme, mas aparece em um quadro na sala do personagem do Dylan O’Brien.

Socorro! estava na minha lista de expectativas para 2026. Minha lista começou bem!

Song Sung Blue – Um Sonho A Dois

Crítica – Song Sung Blue – Um Sonho A Dois

Sinopse (imdb): Lightning and Thunder, um casal de Milwaukee que presta homenagem a Neil Diamond, experimentam um sucesso avassalador e uma decepção devastadora em sua jornada musical juntos.

Estava na dúvida se valia a pena ou não ver Song Sung Blue. É um filme sobre um duo que faz cover de Neil Diamond, cantor que sei da existência mas não conheço nenhuma música. Mas pensei, Hugh Jackman, Kate Hudson, gosto de filmes ligados a música, resolvi arriscar. Que bom que arrisquei, foi uma boa surpresa, Song Sung Blue é um filme bem agradável.

Mike, que usa o apelido Lightning, é um músico que faz cover. Quando conhece Claire, ela sugere que ele crie um show tributo ao Neil Diamond. Mike e Claire são pessoas reais, o filme conta a história deles. Heu nunca tinha ouvido falar na dupla Lightning and Thunder, então, pra mim, tudo era novidade na história do duo. E a história deles é muito boa, realmente merecia ser contada.

O ritmo do filme começa bem, mas tem uma queda na segunda metade, depois que acontece um acidente. Song Sung Blue tem duas horas e doze minutos, talvez apresentasse um resultado melhor se desse uma enxugada nesse miolo. Pelo menos melhora depois, a parte final é empolgante. Mesmo a história não sendo toda “feel good” (a história do casal tem altos e baixos), o espectador sai feliz do cinema.

A parte musical é muito boa. Não conhecia as músicas do Neil Diamond – na verdade, só reconheci os refrães de Song Sung Blue e Sweet Caroline. Mas algumas músicas são muito boas, como aquela do primeiro ensaio na garagem, ou aquela quase gospel no show perto do fim do filme. Mas, mais importante que isso é a interpretação dos atores músicos. Sempre quando vejo um ator interpretando um músico, presto atenção em suas mãos, em sua postura. O cara não precisa saber tocar, mas precisa convencer que está tocando – quando vemos um ator interpretando um cirurgião, ele não precisa saber operar, mas precisa parecer que sabe o que está fazendo. E neste aspecto, Song Sung Blue é muito bom, são vários momentos musicais, e em todos os atores realmente convencem – tanto nos instrumentos quanto na voz. Um exemplo: tem uma apresentação em um funeral, ouvimos um dedilhado de guitarra, os dedos do guitarrista estão coerentes com o que a gente ouve. Se são as notas certas? Não importa, o que vale é que ele realmente parece saber o que está fazendo.

Dito isso, queria fazer um mimimi de tecladista. Existem diferentes tipos de teclados, para diferentes objetivos. Tem simulador de órgão, piano digital, sintetizadores com opções de sintetizar os timbres, controladores midi, workstations (que são uma espécie de tudo em um), etc. E existem arranjadores, que têm opção de acompanhamento e caixas de som, e normalmente são usados em casa, ou em pequenos shows só com o tecladista e o cantor. Isso independe de preços, existem opções mais ou menos caras pra cada tipo. Normalmente não se usa um arranjador em uma banda, porque eles têm menos recursos. E durante todo o filme, a Kate Hudson usa um arranjador, que parece ser o Yamaha PSR-350. Ficou estranho ver uma banda abrindo pro Pearl Jam, usando um teclado arranjador. Kate foi casada por sete anos com Chris Robinson, vocalista do Black Crowes, ela deve ter alguma experiência em instrumentos musicais, será que ela não achou estranho? Acho que isso deve ser algo da dupla original Lightning and Thunder, mas catei no google e no youtube e não achei nenhuma imagem da Thunder tocando, ela está sempre cantando ou no máximo segurando uma pandeirola. Não sei o motivo de terem usado um PSR no filme, mas que ficou estranho, ah, ficou…

No elenco, os dois principais estão muito bem. Já tinha visto Hugh Jackman cantando (O Rei do Show, Os Miseráveis), mas não lembro da Kate Hudson cantando em outro filme. E aqui ambos cantam, e bem. E digo mais: Kate está tão bem no seu papel que foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz por este papel. Também no elenco, Michael Imperioli, Fisher Stevens e Jim Belushi.

Song Sung Blue foi co-escrito e dirigido por Craig Brewer, diretor que heu não conhecia. Mas certamente ficarei de olho nos seus próximos projetos.

Stranger Things – Temporada 5

Crítica – Stranger Things – Temporada 5

Sinopse (google): Em 1987, Hawkins está em quarentena militar após as fendas do Mundo Invertido se abrirem, forçando o grupo de amigos a se unir pela última vez para encontrar e derrotar um Vecna desaparecido, enfrentando uma escuridão mais poderosa.

Tenho sentimentos conflitantes quando o assunto é Stranger Things. Por um lado, gosto da série, reconheço que a primeira temporada é muito boa, e as outras temporadas têm vários momentos muito legais – a sequência do Eddie tocando guitarra no fim da quarta temporada é sensacional. Mas por outro lado, acho os episódios longos demais, e esse formato pra fazer “binge watching” acaba cansando.

Explicando o “binge watching”, também conhecido como “maratonar”. Antigamente, séries soltavam um episódio por semana. Você só conseguia maratonar uma série depois de finalizada, em VHS ou DVD. Aí a Netflix resolveu inovar e lançar temporadas de séries completas em sua plataforma, e criou-se o hábito de maratonar séries. Às vezes o hype é grande, e rola um fenômeno chamado FOMO, ou “fear of missing out”, que é quando o cara quer ver correndo pra não ficar pra trás nos assuntos mais comentados.

Inicialmente heu confesso que curti esse formato – às vezes um episódio termina com um gancho que a gente fica tenso a semana inteira pra saber como vai resolver. Problema resolvido, era só dar o play no próximo episódio. Mas… Hoje acredito que o formato tradicional é muito melhor. Um episódio, depois uma semana pensando e digerindo, quando chega a semana seguinte o episódio “desce” muito mais redondo. Vide Pluribus: uma série de mistério, onde cada episódio usou uma semana inteira para ser melhor apreciado.

Além disso, tem o tempo entre uma temporada e outra. Foram três anos e meio desde o fim da quarta temporada. Não dá pra seguir uma história depois de tanto tempo, a gente esquece do que viu. E Stranger Things ainda tem outro problema que é o tamanho dos episódios. O episódio final desta temporada teve duas horas e oito minutos! Isso é tamanho de filme, não de episódio de série!

Esses fatores todos me desanimavam a encarar a última temporada, que ainda foi dividida em três partes – foram quatro episódios lançados no fim de novembro, depois mais três no dia do Natal, e o último (o de mais de duas horas) lançado em 31 de dezembro. Larguei o FOMO, ignorei as primeiras datas, e vi todos os episódios depois que já estava tudo disponível.

E a grande pergunta: valeu? Médio. A temporada teve seus bons momentos, não posso ignorar isso. Mas dava pra dar uma enxugada no roteiro, e o tempo total da série podia ser a metade (somei os tempos dos episódios: são dez horas e vinte minutos, um pouco longo pra ser um “filme”). Porque em alguns momentos a série cansa.

(Li em algum lugar que isso é estratégia da Netflix, pra deixar o espectador mais tempo conectado à plataforma. Tem lógica a curto prazo, mas tenho minhas dúvidas se isso não pode acabar afastando o espectador em produções futuras.)

Vamos aos pontos positivos. Algumas sequências são empolgantes. Ok, nada de inovador, nada que vai marcar a história da TV, mas pelo menos são sequências emocionantes. Também gostei da parte técnica, a batalha final é contra um monstrão tipo um kaiju, os efeitos especiais são convincentes. Além disso, são vários personagens carismáticos, e tivemos uma boa conclusão pra história deles. E preciso dizer que gostei do gordinho mala, que começa como um moleque insuportável e acaba virando um personagem divertido.

Agora, por outro lado, o roteiro tem muitas forçadas de barra. Vou citar só uma: civis atacam o exército, e logo depois tudo está bem, ninguém sofre consequências. Além de várias facilitações de roteiro, tipo não ter demogorgons na batalha final. Mas, um amigo meu deu a dica: Stranger Things, desde a primeira temporada, sempre foi uma homenagem aos anos 80. E naquela época a gente aceitava essas forçações de barra – a gente nunca questionou um Rambo ou um Comando pra Matar, onde um cara sozinho derrotava um exército, e sua munição nunca acabava. Se o espectador entrar na série com esse pensamento, vai relevar esses problemas.

O episódio final tem uma característica que heu achei ruim, mas conversando com amigos, alguns disseram que isso foi visto como algo positivo. É que existe um grande evento final, onde os personagens precisam lutar contra o grande vilão, e depois que isso acaba, ainda tem uma hora de episódio, mostrando o que aconteceu com cada um dos muitos personagens. Heu achei isso uma enrolação que poderia ter sido resolvida com algumas cartelas na tela, contando o futuro de cada um, porque afinal a gente já tinha passado pela adrenalina do final. Mas, preciso reconhecer que teve gente dizendo que isso foi a melhor coisa do episódio.

Uma coisa que me incomodou bastante é a idade dos atores. Harry Potter teve oito filmes ao longo de dez anos, mas os personagens cresciam um ano por filme. Ou seja, quando acabou, os atores estavam bem mais velhos, mas os personagens tinham quase a mesma idade. Mas aqui não. Logo no primeiro episódio desta temporada, tem um breve flashback onde lembramos que a história começou em 1983. Depois rola um salto e passamos pra 1987 – quatro anos. E em algum episódio alguém comenta que Will tinha 11 anos na época do início da série. Ou seja, quase a temporada toda acompanhamos personagens de 15 anos. Mas os cinco atores principais têm entre 21 (Noah Schnapp, o Will) e 24 anos (Caleb McLaughlin, o Lucas). Na boa, não dá pra ter atores com barba na cara se passando por adolescentes de 15 anos!

(Lembrei de uma piada que ouvi numa sitcom que falava que as séries nos anos 90 tinham adolescentes de 25 anos e pais de 35…)

Sobre o elenco, não me lembro da Millie Bobby Brown ser tão ruim nas outras temporadas. Mas aqui ela está péssima. Ouvi um papo de que ela colocou botox e por isso não consegue mais fazer expressões faciais; ouvi outra teoria de que ela estaria de saco cheio e não queria fazer a temporada. Sei lá o que aconteceu, mas o ponto é que ela está com a mesma cara de “menina mimada enfezada” ao longo da temporada inteira! Sorte é que são muitos personagens, e outros têm carisma de sobra. Cada vez que a Maya Hawke aparecia em tela a gente esquecia da Millie Bobby Brown.

Enfim, pelo menos acabou. Mas não sei se um dia vou rever. Talvez só a primeira temporada, naquela época fiquei bem mais empolgado que agora.

Anaconda (2025)

Anaconda (2025)

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos que enfrenta a crise da meia-idade se prepara para refazer seu filme juvenil favorito, mas quando entram na selva, as coisas ficam feias.

Quando soube de um novo Anaconda, fui catar a versão de 1997 pra rever. Aquele filme é bem ruim. Mas, pelo trailer, esta nova versão parecia que ia ser mais divertida. E meu pressentimento estava certo. O novo Anaconda é divertidíssimo!

O protagonismo aqui é dividido entre o Jack Black e o Paul Rudd. Quando adolescentes, eles faziam curtas amadores com mais dois amigos; hoje, Jack Black faz vídeos de casamento, enquanto Paul Rudd é um ator frustrado em Hollywood. A turma se reúne para fazer um remake de baixíssimo orçamento do Anaconda de 97, quando uma equipe vai pro Amazonas fazer um documentário sobre uma tribo indígena e é atacada por uma cobra gigante. Mas a grande diferença é que aquele filme se levava a sério, enquanto aqui a galhofa é assumida. Ri alto diversas vezes ao longo da sessão!

Teve uma cena que achei simples e genial, logo no início do filme, quando conhecemos o trabalho do Jack Black. Ele descreve como seria a ideia dele do vídeo de casamento, e começa a cantarolar a música que ele imaginou para a cena, e a trilha do filme começa a acompanhar o que ele está cantarolando. No cinema, música diegética é aquela que os personagens estão ouvindo, tipo o Jack Black cantarolando; música não diegética é quando só o espectador ouve, é a trilha sonora que está acompanhando o cantarolar. Gosto quando um filme quebra essa barreira entre a música diegética e a não diegética.

(Preciso dizer que me identifiquei com o momento que eles se reúnem pra rever o filme que fizeram quando adolescentes. Assisti Anaconda ao lado do Eduardo Miranda, do canal Projeto Cinevisão, e ele estava comigo quando filmei O Boitatá, um dos meus primeiros curtas, há quase 14 anos…)

A direção é de Tom Gormican, o mesmo de O Peso do Talento, aquele filme onde um milionário quer conhecer o Nicolas Cage. Ou seja, o cara sabe brincar com a metalinguagem, usando piadas ligadas ao cinema. E aqui são várias, tem algumas geniais – a do Jordan Peele é sensacional! Aliás, a única coisa boa de ter revisto Anaconda de 97 foi pegar o contexto de todas as piadas sobre aquele filme.

No resto do elenco, o destaque vai pra Selton Mello, e juro que isso não é um comentário bairrista. Selton faz um brasileiro que cuida de cobras. Ele não é um dos principais, mas ele tem um papel bem grande, e posso dizer tranquilamente que ele rouba todas as cenas que aparece. Um dos momentos mais engraçados do filme é quando estão conversando sobre cabeçadas, ele fala de colocar um “brazilian twist” e grita “TOMA!”, e todo o elenco começa a gritar “TOMA!” com ele. Não li em lugar algum, mas não acharia estranho isso ser sugestão do próprio Selton – duvido que um roteirista gringo tenha pensado em gritar “TOMA!” no meio de uma cena de briga. No resto do elenco, Thandiwe Newton, Steve Zahn e Daniela Melchior. Aliás, Daniela, que é portuguesa, aparece falando português, mas sem nenhum sotaque, me pareceu dublada.

(No cinema tinham duas salas passando Anaconda, uma com a cópia dublada e a outra, legendada. Quando o filme começou, com um diálogo em português, fiquei com medo de ter entrado na sala errada. Não, são só algumas cenas em português.)

Aliás, assim como tem uma atriz portuguesa que parece dublada, nos créditos descobri que Anaconda foi filmado na Austrália. Ué, por que não filmar no Amazonas? Pelo menos ouvimos diálogos e lemos cartazes em português. Décadas atrás Hollywood não respeitava isso – inclusive no filme de 97 tem um personagem brasileiro que fala português com sotaque.

(E todo brasileiro vai dar uma gargalhada ao ver que, dos EUA pro Amazonas, eles passam pelo Rio de Janeiro. Tem uma cena mostrando o Corcovado!)

Os efeitos especiais são apenas ok. Em algumas cenas, a cobra não convence. Sorte que o objetivo do filme é galhofa e não mostrar uma cobra assustadora.

Agora, se por um lado o roteiro é bem divertido, por outro precisamos reconhecer que são várias forçadas de barra. Sem spoilers, mas o modo como a cobra é derrotada no final não fez o menor sentido! Além disso, tem uma sequência envolvendo um personagem fazendo xixi que achei uma piada ruim e demasiadamente prolongada.

Ah, tem cenas pós créditos. Uma delas é genial, mostra um videozinho de casamento feito pelo Jack Black. E tem um possível gancho pra continuação. Que seja tão divertido como este!

 

A Empregada

Crítica – A Empregada

Sinopse (imdb): Segue uma mulher em dificuldades que está feliz em recomeçar como empregada doméstica para um casal rico e elitista.

A Empregada (The Housemaid, no original) é o novo suspense dirigido por Paul Feig, que tem um longo currículo na comédia (Missão Madrinha de Casamento, As Bem Armadas, Caça Fantasmas (2016)), mas que já tinha entrado no suspense, com Um Pequeno Favor. Seu novo filme é baseado no livro de Freida McFadden – não li o livro, meus comentários serão só sobre o filme.

A Empregada tem aquele formato onde vemos uma trama com alguns elementos estranhos, e depois rola uma reviravolta de roteiro onde tudo passa a ser visto sob uma nova perspectiva. Millie (Sydney Sweeney), que tem um passado misterioso, está procurando emprego, e começa a trabalhar na casa de Nina (Amanda Seyfried). Só que pouco depois que começa o trabalho, Nina se mostra uma pessoa completamente desequilibrada.

Depois da virada de roteiro a gente entende algumas coisas que antes estavam nebulosas. Mas se heu puder fazer uma crítica, achei meio abrupta a mudança de comportamento de alguns personagens. No filme até funciona, mas me pareceu artificial.

O grande lance aqui é a dinâmica entre Sydney Sweeney e Amanda Seyfried. Sydney esteve envolvida recentemente em polêmicas vazias (talvez o maior problema do mundo atual seja essa polarização que transforma tudo em flaxflu), mas já mostrou que é uma grande atriz – e quem discorda de mim, veja o final de Imaculada. Enfim, polêmicas à parte, Sydney, que além de atuar bem, é uma das mais bonitas da sua geração, está bem aqui. Amanda às vezes parece um pouco over, mas ela também funciona bem no papel, principalmente depois do plot twist, quando sabemos o que realmente aconteceu. Enfim, as duas estão bem e valem o filme.

O papel masculino principal é de Brandon Sklenar. Curioso que já vi alguns filmes com ele, mas não lembro de nenhuma das suas atuações. Não sei se é uma falha minha ou se ele realmente é um cara mais apagado. Michele Morrone, famoso pela bomba 365 Dias e por ser um novo “Cigano Igor”, tem um papel muito mal desenvolvido como o jardineiro – ou seja, é um ator ruim num papel ruim. E, pra quem é das antigas, a mãe do protagonista é Elisabeth Perkins, de Sobre Ontem À Noite (1986) e Quero ser Grande (88).

A Empregada é um pouco longo, não precisava de mais de duas horas pra contar essa história. Mas quem curtia aqueles suspenses dos anos 90, com reviravoltas e um toque de erotismo, vai se divertir.