Socorro!

Crítica – Socorro!

Sinopse (filmeb): Após um acidente aéreo, um chefe e uma funcionária que se odeiam são os únicos sobreviventes. Isolados numa ilha deserta, eles precisam decidir se cooperam ou competem para escapar, mas é difícil deixar para trás os conflitos do escritório.

Sam Raimi está de volta ao terror, dezesseis anos depois de Arraste-me Para o Inferno!

Socorro! (Send Help, no original) foi anunciado como “uma mistura de Louca Obsessão com Náufrago“, e parte de uma premissa interessante. Uma mulher sem muitas habilidades sociais e que por isso sofre bullying no trabalho, acaba indo viajar com o patrão e seus amigos num jato particular. O avião cai, e só sobrevivem ela e o chefe – que sempre a tratou mal. Mas agora ela que detém o poder, porque ela sabe se virar no meio do mato e ele não.

Socorro! tem tudo o que se espera num filme do Sam Raimi: sangue, gore e muito humor negro. Também tem um travelling pela mata, lembrando os movimentos de câmera de Evil Dead. Tem até um jump scare bem construído, daqueles que você não está esperando.

Lendo isso dá pra pensar que é uma pegada de terror trash sobrenatural, né? Que nada. O foco principal do filme é o embate entre dois personagens que se odeiam mas precisam se entender pela sobrevivência. Detalhe: ela, que era rejeitada e sofria bullying, era fanática por programas tipo Survivor, ou seja, ela sabe o que precisa para sobreviver. Agora é ela quem dá as cartas!

Mesmo assim, o filme tem bastante gore. Mas quase todas as sequências sanguinolentas geram mais risadas do que repulsa. A cena da caça ao javali é muito boa, e tem uma outra que envolve um veneno paralisante que vai deixar qualquer homem desconfortável. E, claro, assim como em Arraste-me Para o Inferno, tem cena – engraçada – envolvendo vômito. Muito vômito!

O elenco até tem mais nomes, mas quase todo o filme é em cima do casal principal. Rachel McAdams já tinha trabalhado com Sam Raimi em Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, de repente deve ter rolado alguma afinidade entre eles, e aqui ela está excelente, sem medo dos banhos de sangue. Dylan O’Brien também está bem como o antipático chefe. Ah, Bruce Campbell, “ator assinatura”do Sam Raimi, não está no filme, mas aparece em um quadro na sala do personagem do Dylan O’Brien.

Socorro! estava na minha lista de expectativas para 2026. Minha lista começou bem!

Indicados ao Oscar 2026

Indicados ao Oscar 2026

Um pouco atrasado, mas vou fazer uns comentários sobre os indicados ao Oscar.

Claro, vamos começar com as quatro indicações que O Agente Secreto teve. Contradizendo um vídeo recente meu, heu arriscaria que é o melhor momento do Brasil na história do Oscar. Já tivemos um filme indicado a quatro Oscars – Cidade de Deus concorreu a Diretor, Roteiro Adaptado, Edição e Cinematografia. Mas, entre as quatro indicações de Agente Secreto, está melhor filme. Se a gente pensar num “critério de desempate”, acho que indicação a melhor filme deve servir pra isso!

Vamos às indicações de O Agente Secreto. Ser indicado a melhor filme e uma ótima notícia, mas acho muito difícil o filme ganhar. Mas só de estar entre os dez, já acho uma excelente notícia. Agora, sobre melhor filme internacional, acredito temos mais chances – mas precisamos lembrar que Valor Sentimental também está concorrendo ao mesmo prêmio e está indicado a nove Oscars. Teoricamente, Valor Sentimental teria mais chance. Mas… Ano passado Emília Perez estava indicado a treze Oscars e perdeu o de filme internacional para Ainda Estou Aqui. Ou seja, temos chances.

Wagner Moura está concorrendo a melhor ator, e, depois de ganhar o Globo de Ouro, chega com moral. Mas, infelizmente, acredito que ele não ganha. Timothée Chalamet, em sua terceira indicação, está com o lobby forte. E ainda tem o Leonardo Dicaprio.

O Agente Secreto também concorre a melhor elenco, categoria nova, criada este ano. Ainda não sei exatamente quais são os critérios que direcionam esta categoria, então não sei se temos chances. Nem vou palpitar.

Bora falar dos outros? Pecadores foi o melhor filme de 2025 aqui no heuvi. E vi várias outras listas de melhores do ano, e não lembro de nenhuma outra com Pecadores em primeiro lugar. E agora, Pecadores é o filme com maior número de indicações. Vou além: Pecadores teve 16 indicações, e até o ano passado, o número máximo de indicações que um filme teve foi 14 (A Malvada, Titanic e La La Land). Nunca um filme tinha tido mais do que 14, e agora Pecadores batei esse recorde. Ou seja, a Academia concorda comigo…

Mas, se por um lado Pecadores é o que tem mais indicações, por outro lado todos sabem que a Academia tem preconceito com filmes de terror. E um exemplo disso é que A Hora do Mal só teve uma indicação, melhor atriz coadjuvante pra Amy Madigan, a tia Gladys (e estou torcendo por ela!). Ou seja, não sei se Pecadores é tão favorito assim.

Os dez filmes indicados ao prêmio principal são Pecadores, O Agente Secreto, Valor Sentimental, Uma Batalha Após a Outra, Hamnet, Frankenstein, Bugonia, Sonhos de Trem, Marty Supreme e F1. Tenho dois comentários. O primeiro é que Timothée Chalamet pode até merecer indicação, mas Marty Supreme não, achei o filme bem fraco. O outro é que vi gente criticando F1 nessa lista, mas discordo, porque o Oscar também é um prêmio comercial, e F1 simboliza o cinemão, um filme pra ver numa tela grande e com som alto. Se fossem só cinco indicados, ok, tira. Mas se são dez vagas, deixa o F1 lá! Não vai ganhar mesmo…

Alguns comentários rápidos sobre as outras categorias. Melhor atriz deve ir pra Jessie Buckley, que está muito bem em Hamnet (achei o filme meio chato, mas ela está realmente ótima). Ator coadjuvante os cinco estão bem, heu escolheria Sean Penn por Uma Batalha Após a Outra; atriz coadjuvante minha torcida é pra Amy Madigan mas tem outras que também estão bem. Direção acho que é a vez do Paul Thomas Anderson, grande diretor que nunca ganhou.

O Oscar acontece dia 15 de março, até lá espero estar mais bem estabelecido pra não atrasar os comentários!

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

Crítica – Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

Sinopse (imdb): Quando uma carta misteriosa o chama de volta a Silent Hill em busca de seu amor perdido, James encontra uma cidade outrora reconhecível e se depara com figuras aterrorizantes, tanto familiares quanto novas.

Já comentei sobre Silent Hill, não lembro se foi aqui ou no Podcrastinadores. Comentei quando falei de boas adaptações de videogames para o cinema: Silent Hill e o primeiro Resident Evil. Meu comentário era que Silent Hill não tinha continuações, enquanto Resident Evil tem tantas que nem sei quantos filmes já rolaram – e cada continuação é pior que o anterior. Ou seja, a qualidade vem caindo, e muito. Mas heu estava errado, achava que Silent Hill não tinha continuações, e na verdade teve uma em 2012. E agora tem mais uma. A má notícia é que parece seguir a linha Resident Evil: só o primeiro é bom – essa nova continuação é bem ruim.

O que me animava para este novo filme é que a direção é de Christophe Gans, o mesmo diretor do Terror em Silent Hill de 2006. Até revi o filme de vinte anos atrás antes da continuação – não é um filme perfeito, mas continua bom. Não sei o que deu errado, mas Gans desta vez errou feio, errou rude.

O Silent Hill de 20 anos atrás era um bom terror e tinha alguns elementos muito assustadores. Este novo até repete alguns desses elementos, mas no fim parece mais um drama psicológico do que um terror. Mas, para explicar o meu ponto, vou precisar comentar algumas coisas sobre a trama, e algumas pessoas podem considerar isso um spoiler. Então se você for spoilerfóbico, pule esse texto e volte depois – apesar de que o que eu vou falar não tem nada demais.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

No filme de 2006, uma mulher vai procurar sua filha e acaba presa dentro de uma dimensão paralela – a cidade Silent Hill que ela está não é exatamente a mesma Silent Hill da vida real. Esta dimensão paralela é onde existem aqueles monstros e onde ela precisa procurar sua filha. Agora, neste novo filme não tem nada de dimensão paralela, porque tudo acontece dentro da cabeça do protagonista.

Depois da sessão de imprensa, conversei com uma pessoa que conhece os jogos, que disse que o jogo 2 realmente tem uma história completamente diferente do jogo 1, e este filme seria a história do jogo 2. Ou seja, pra quem jogou, talvez isso tenha sentido. Mas não é o meu caso. Heu estou indo ao cinema para ver um filme, e o filme deve ser feito também para quem não jogou. Se heu vi o filme Silent Hill de 2006, e gostei daquilo que eu vi, e vou ver um novo Silent Hill dirigido pelo mesmo diretor, vou esperar algo parecido, um terror assustador, e não um drama psicológico onde tudo se passa dentro da cabeça do protagonista.

Tudo que tem de bom nesse filme de 2026 já tinha no filme de vinte anos atrás. Algumas criaturas que aparecem são realmente assustadoras, como aquele que anda como se fosse com os braços para trás, ou aquele corredor com umas enfermeiras zumbis. São coisas legais – mas já tinha tudo isso naquele filme de 2006. Ou seja, aqui não tem nada que valha você perder seu tempo.

Mas calma que ainda tem espaço pra piorar. Porque o filme já estava ruim, mas o final é péssimo! O fim resolve criar uma redenção para o personagem principal para ele recomeçar tudo do zero e não mais viver tudo aquilo. Péra aí, esse personagem não é um cara legal, não é um cara carismático, não é um cara que a gente está torcendo por ele. Por que ele tem que ter uma redenção? E por que o filme que era para ser um filme de terror tem um final feliz? Foi péssimo isso.

O resultado final é bem ruim, mal começou o ano e eu já tenho um candidato para minha lista de piores filmes de 2026.

Guerreiras do K-Pop

Crítica – Guerreiras do K-Pop

Sinopse (imdb): Um grupo feminino de K-Pop de renome mundial está conciliando sua vida sob os holofotes com sua identidade secreta como caçadoras de demônios.

Pra quem não sabe, faço parte do podcast Podcrastinadores, e temos um grupo de apoiadores, onde trocamos mensagens quase todos os dias. A apoiadora Mariane Paiva tinha comentado, meses atrás, sobre esse Guerreiras do K-Pop, mas pensei “não curto K-pop, deve ser infantil, não sou o público alvo”, por isso deixei pra lá. Aí veio a temporada de prêmios e o longa começou a se destacar. E no Globo de Ouro, levou dois prêmios, melhor longa do animação e melhor canção. Aí lembrei do meme do Leonardo Dicaprio: “você tinha a minha curiosidade, agora tem a minha atenção”.

Ou seja, bem atrasado, vou fazer meus comentários. Terei poucos views. Mas pelo menos vou cumprir com o prometido para a Mariane.

Guerreiras do K-Pop (KPop Demon Hunters, no original) é o novo longa de animação da Sony, mesmo estúdio de Homem Aranha no Aranhaverso e A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas. Inicialmente a gente repara alguma semelhança nos traços, mas um elogio que podemos fazer ao estúdio é que seus projetos não parecem ctrl c ctrl v do anterior (a Pixar, que já foi sinônimos de qualidade, tem se repetido bastante ultimamente). Enquanto no Aranhaverso o desenho parece emular as imperfeições de uma página impressa de um gibi, e em Família Mitchell temos elementos gráficos e colagens espalhados pela trama; aqui os personagens às vezes têm traços de animes e mangás em algumas reações exageradas. E preciso dizer que isso ficou bem engraçado.

Falemos sobre o Kpop. Não conheço absolutamente nada de Kpop. Pra mim, o som tocado no filme é igual a qualquer outro pop atual, se fosse uma Taylor Swift ou Ariana Grande, pra mim era a mesma coisa. Dito isso, não achei as músicas ruins, mas não entrariam na minha playlist. Mas, entraram na playlist de muita gente – Golden, a música principal do filme, alcançou o topo do Spotify Global e bateu 1 bilhão de streams.

(Um breve parênteses sobre música pop ser tudo parecido. Uma vez fiz um “teste cego” com minha filha e o namorado, mostrando músicas da Madonna e da Cyndi Lauper pra eles dizerem quem cantava cada música. Eles erraram mais da metade. Ou seja, música pop é meio tudo igual mesmo.)

A trama apresentada no filme é meio clichê – a menina que esconde um segredo e fica na dúvida se suas amigas vão aceitá-la como ela é. Mas é um clichê bem conduzido, e os personagens são carismáticos. Ou seja, é bobinho mas está longe de ser ruim.

No elenco, nunca tinha ouvido falar dos principais Arden Cho e Ahn Hyo-seop. Mas Guerreiras do K-Pop tem alguns nomes conhecidos nos papéis secundários, como Ken Jeong (Se Beber Não Case), Lee Byung-hun (que estava concorrendo ao Globo de Ouro de melhor ator por A Única Saída), e Yunjin Kim e Daniel Dae Kim (o casal oriental de Lost).

Guerreiras do K-Pop está na Netflix, todo mundo que era o público alvo já viu. Aliás, hoje, é o filme mais visto da história da Netflix, com 325 milhões de views nos primeiros três meses. E agora é a hora dos retardatários que só se interessaram depois dos prêmios. As indicações ao Oscar saem nos próximos dias, grandes chances deste filme estar na lista.

Song Sung Blue – Um Sonho A Dois

Crítica – Song Sung Blue – Um Sonho A Dois

Sinopse (imdb): Lightning and Thunder, um casal de Milwaukee que presta homenagem a Neil Diamond, experimentam um sucesso avassalador e uma decepção devastadora em sua jornada musical juntos.

Estava na dúvida se valia a pena ou não ver Song Sung Blue. É um filme sobre um duo que faz cover de Neil Diamond, cantor que sei da existência mas não conheço nenhuma música. Mas pensei, Hugh Jackman, Kate Hudson, gosto de filmes ligados a música, resolvi arriscar. Que bom que arrisquei, foi uma boa surpresa, Song Sung Blue é um filme bem agradável.

Mike, que usa o apelido Lightning, é um músico que faz cover. Quando conhece Claire, ela sugere que ele crie um show tributo ao Neil Diamond. Mike e Claire são pessoas reais, o filme conta a história deles. Heu nunca tinha ouvido falar na dupla Lightning and Thunder, então, pra mim, tudo era novidade na história do duo. E a história deles é muito boa, realmente merecia ser contada.

O ritmo do filme começa bem, mas tem uma queda na segunda metade, depois que acontece um acidente. Song Sung Blue tem duas horas e doze minutos, talvez apresentasse um resultado melhor se desse uma enxugada nesse miolo. Pelo menos melhora depois, a parte final é empolgante. Mesmo a história não sendo toda “feel good” (a história do casal tem altos e baixos), o espectador sai feliz do cinema.

A parte musical é muito boa. Não conhecia as músicas do Neil Diamond – na verdade, só reconheci os refrães de Song Sung Blue e Sweet Caroline. Mas algumas músicas são muito boas, como aquela do primeiro ensaio na garagem, ou aquela quase gospel no show perto do fim do filme. Mas, mais importante que isso é a interpretação dos atores músicos. Sempre quando vejo um ator interpretando um músico, presto atenção em suas mãos, em sua postura. O cara não precisa saber tocar, mas precisa convencer que está tocando – quando vemos um ator interpretando um cirurgião, ele não precisa saber operar, mas precisa parecer que sabe o que está fazendo. E neste aspecto, Song Sung Blue é muito bom, são vários momentos musicais, e em todos os atores realmente convencem – tanto nos instrumentos quanto na voz. Um exemplo: tem uma apresentação em um funeral, ouvimos um dedilhado de guitarra, os dedos do guitarrista estão coerentes com o que a gente ouve. Se são as notas certas? Não importa, o que vale é que ele realmente parece saber o que está fazendo.

Dito isso, queria fazer um mimimi de tecladista. Existem diferentes tipos de teclados, para diferentes objetivos. Tem simulador de órgão, piano digital, sintetizadores com opções de sintetizar os timbres, controladores midi, workstations (que são uma espécie de tudo em um), etc. E existem arranjadores, que têm opção de acompanhamento e caixas de som, e normalmente são usados em casa, ou em pequenos shows só com o tecladista e o cantor. Isso independe de preços, existem opções mais ou menos caras pra cada tipo. Normalmente não se usa um arranjador em uma banda, porque eles têm menos recursos. E durante todo o filme, a Kate Hudson usa um arranjador, que parece ser o Yamaha PSR-350. Ficou estranho ver uma banda abrindo pro Pearl Jam, usando um teclado arranjador. Kate foi casada por sete anos com Chris Robinson, vocalista do Black Crowes, ela deve ter alguma experiência em instrumentos musicais, será que ela não achou estranho? Acho que isso deve ser algo da dupla original Lightning and Thunder, mas catei no google e no youtube e não achei nenhuma imagem da Thunder tocando, ela está sempre cantando ou no máximo segurando uma pandeirola. Não sei o motivo de terem usado um PSR no filme, mas que ficou estranho, ah, ficou…

No elenco, os dois principais estão muito bem. Já tinha visto Hugh Jackman cantando (O Rei do Show, Os Miseráveis), mas não lembro da Kate Hudson cantando em outro filme. E aqui ambos cantam, e bem. E digo mais: Kate está tão bem no seu papel que foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz por este papel. Também no elenco, Michael Imperioli, Fisher Stevens e Jim Belushi.

Song Sung Blue foi co-escrito e dirigido por Craig Brewer, diretor que heu não conhecia. Mas certamente ficarei de olho nos seus próximos projetos.

Foi Apenas um Acidente

Crítica – Foi Apenas um Acidente

Sinopse (imdb): Um pequeno incidente provoca uma reação em cadeia de problemas cada vez mais graves.

Reconheço que inicialmente tive preconceito com esse filme. Recebi o convite para a sessão de imprensa, mas depois se ler a sinopse não achei que o filme ia ser bom. Heu estava errado…

Foi Apenas um Acidente é o novo filme de Jafar Pahani, cineasta iraniano que sofre com restrições impostas pelo seu governo, mas nunca se calou e sempre continuou seu ativismo. Em 2010, o diretor foi condenado a seis anos de prisão e a uma proibição de 20 anos de exercer atividades cinematográficas, sob acusações de “propaganda contra o sistema”. Mesmo sob restrições legais, Panahi continuou a realizar filmes, muitos dos quais produzidos de forma semiclandestina. Este Foi Apenas um Acidente foi filmado escondido, sem autorização das autoridades islâmicas.

E seu novo filme é uma denúncia. Ou seja, tinha tudo pra ser um filme chato. Que nada! O filme entra num ritmo maluco de entrada e saída de personagens que às vezes até parece que estamos vendo uma comédia vaudeville. O filme anda por caminhos tão bizarros que tornam algumas cenas engraçadíssimas.

No filme, um mecânico encontra por acaso o homem que acredita ter sido seu torturador na prisão. Ele o sequestra decidido a se vingar, mas, na dúvida sobre como agir, acaba pedindo ajuda para outras pessoas, que se juntam numa trupe bastante eclética, capaz de gerar momentos tensos e engraçados ao mesmo tempo.

Foi Apenas um Acidente tem algumas características narrativas muito bem construídas. São vários personagens, todos traumatizados pelo torturador, mas cada um encara isso de um jeito diferente do outro. Será que torturar um torturador seria justo, ou seria se igualar a ele? Além disso, o fato da gente não saber se o cara sequestrado é ou não é o torturador ainda deixa tudo mais tenso.

Gostei de como Pahani posiciona sua câmera. São vários planos longos ao longo do filme – não sei se podemos chamar de plano sequência porque não vemos muito malabarismo das câmeras, o foco aqui é mais na atuação do que na câmera. O texto é denso, pesado, e a câmera vai seguindo os atores. Tem uma cena longa no meio de um deserto, a câmera vai de um lado para o outro, enquanto os atores discutem os problemas. E tem outra cena, muito boa, perto do fim, onde a câmera fica parada enquanto acompanhamos uma longa e tensa discussão.

(Não é um problema do filme, é um problema meu: quando vejo filmes em inglês, entendo a maior parte dos diálogos, então meus olhos prestam atenção parte nas legendas, parte no resto do filme. Aqui o filme não era dublado, acho que era em árabe. Às vezes heu queria prestar mais atenção nas atuações, mas não conseguia porque estava focado no texto das legendas.)

Foi Apenas um Acidente ganhou a Palma de Ouro em Cannes ano passado. Ainda não temos os indicados ao Oscar de filme internacional, mas provavelmente este será um dos adversários de O Agente Secreto.

O cinema brasileiro não vive um bom momento

Polêmica: “O cinema brasileiro não vive um bom momento”!

Vou expor uma opinião polêmica: na minha humilde opinião o “cinema brasileiro” não vive um grande momento. Estou muito feliz com as vitórias internacionais conquistadas por Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, são dois grandes filmes (achei o primeiro bem melhor, mas reconheço os méritos do segundo), ano passado Ainda Estou Aqui ganhou Globo de Ouro de melhor atriz e Oscar de filme internacional – o primeiro Oscar 100% brasileiro; este ano O Agente Secreto acabou de ganhar Globo de Ouro de melhor ator e melhor filme em língua não inglesa e tem grandes chances de estar no próximo Oscar.

“Caramba, Helvecio, se você reconhece o sucesso internacional desses dois filmes, por que fala que não vivemos um bom momento?”

É porque, pelo meu ponto de vista, são casos isolados. O cinema brasileiro ainda é muito fraco. Ter um bom filme aqui, outro ali, não significa que o resto dos filmes traz qualidade parecida. Vou citar dois exemplos tirados da música. Nos anos 70, o ABBA foi um dos grupos musicais mais vendidos de todos os tempos, com sucessos como “Dancing Queen” e “Mamma Mia” – mas outros suecos a alcançar o sucesso só apareceram anos depois, como Europe e Roxette. Outro exemplo: Shakira faz sucesso mundial, mas não saberia dizer outro artista colombiano.

E aí mando a pergunta que não quer calar: cadê o “terceiro filme” brasileiro? Se vivemos um bom momento, era pra ter outros grandes filmes nos anos anteriores ou com estreia próxima. Cadê outros filmes com capacidade semelhante de fazerem bonito internacionalmente falando?

Vamos pegar o audiovisual sul-coreano. Park Chan-wook conseguiu um grande sucesso em 2003 com Oldboy, e está cotado este ano pra concorrer ao Oscar de filme internacional com o seu A Única Saída. Kim Ki-duk ganhou prêmios em Berlim e Veneza em 2004. Lee Chang-dong ganhou prêmios em Veneza em 2002 e em Cannes em 2010 e 2018. Hong Sang-soo ganhou prêmios em Berlim em 2020, 21 e 24 e já teve filmes exibidos em Cannes em dez edições diferentes. E, claro, Em 2019/20, Bong Joon-ho fez história com Parasita – não só ganhou Palma de Ouro em Cannes, como ganhou quatro Oscars, inclusive foi o primeiro filme de língua não inglesa a vencer o Oscar principal. E isso porque estou falando só de cinema, mas a gente não pode esquecer do grande sucesso mundial da série Round 6. Isso abriu portas pra muitas opções coreanas nos streamings. Podemos dizer que existe cinema sul-coreano atualmente.

Outro exemplo: entre 2014 e 2019, seis anos seguidos, Alfonso Cuarón, Guillermo del Toro e Alejandro G. Iñárritu, três mexicanos, ganharam cinco Oscars de melhor diretor – Cuarón por Gravidade e Roma, del Toro por A Forma da Água e Iñárritu por Birdman e O Regresso (Damien Chazelle foi o “intruso”, em 2017, com La La Land).

Já o cinema nacional vive de momentos, como aqueles exemplos musicais que citei. Orfeu Negro, co-produção Brasil, França e Itália, ganhou Oscar em 1960, mas o filme foi indicado pela França, não pelo Brasil. O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte, até hoje o foi único filme brasileiro a vencer a Palma de Ouro em Cannes (também foi indicado pro Oscar). O Beijo da Mulher-Aranha (1985), de Hector Babenco, tinha cara de filme gringo mas era co-produção Brasil e EUA, foi indicado aos Oscars de melhor filme, diretor e roteiro adaptado, e ganhou melhor ator, pra William Hurt. Central do Brasil (1998), de Walter Salles, ganhou Urso de Ouro em Berlim e foi indicado a dois Oscars, melhor filme em língua estrangeira e melhor atriz (Fernanda Montenegro), mas perdeu ambos. Cidade de Deus (2002) teve 4 indicações ao Oscar (direção, roteiro adaptado, fotografia e montagem), mas também perdeu todos. Tropa de Elite (2007), de José Padilha, ganhou Urso de Ouro em Berlim. O Quatrilho e O Que É Isso Companheiro também concorreram ao Oscar e não ganharam. Além desses, tivemos outras participações indiretas no Oscar, como Carlos Saldanha, indicado duas vezes, mas por produções gringas; Diários de Motocicleta, outro Walter Salles, mas co-produzido por oito países diferentes, concorreu a melhor roteiro adaptado e ganhou melhor canção (Al Otro Lado Del Rio, de Jorge Drexler); Sergio Mendes e Carlinhos Brown também concorreram a melhor canção em 2012, por Rio, mas não ganharam.

E agora, recentemente, tivemos Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.

Não vejo esse atual momento dos dois premiadíssimos filmes recentes como um ponto de partida para uma grande onda de cinema brasileiro. Na verdade, analisando o quadro geral, acho que são casos isolados. Que, por uma coincidência, vieram um ano depois do outro.

Repetindo o que falei no início: fico feliz pelo sucesso dos dois filmes. Mas infelizmente ainda acho que falta muito pra isso refletir no resto do cinema nacional.

Waterworld: O Segredo das Águas

Crítica – Waterworld: O Segredo das Águas

Sinopse (imdb): Num futuro em que o gelo dos pólos derreteu, quase toda a terra está submersa. Um homem solitário, com relutância, ajuda uma mulher e uma jovem a encontrar um terreno firme.

Tive a ideia de fazer uma lista de filmes injustiçados. Filmes que as pessoas se acostumaram a falar mal, mas não são tão ruins assim. Só que é uma lista que dá trabalho, porque preciso rever cada filme para julgar se merece ou não estar numa lista de injustiçados. GG, meu companheiro de Podcrastinadores, sugeriu Waterworld: O Segredo das Águas, um dos maiores fracassos comerciais da história do cinema. Aproveitei que revi e vou comentar aqui.

Waterworld surgiu como uma “versão aquática de Mad Max“: um mundo pós apocalíptico, um herói solitário, vilões bizarros e a luta por recursos (água/combustível). A diferença é que em vez de deserto, o planeta está inundado depois do derretimento das calotas polares. Aliás, Peter Rader, um dos roteiristas de Waterworld, admitiu a inspiração em Mad Max 2. Mais: o diretor de fotografia Dean Semler trabalhou em Mad Max 2Mad Max 3.

Waterworld é mal falado, mas nem é tão ruim assim. O lance é que foi uma produção muito cara, e o retorno nas bilheterias não refletiu o investimento. O filme tinha o orçamento de 175 milhões de dólares – o maior orçamento da história até aquela data, mas pouco depois Titanic bateu esse recorde (a diferença é que Titanic foi um sucesso de bilheteria). Detalhe: o próprio Kevin Costner pagou 22 milhões do próprio bolso! E se você tem um filme muito caro, a bilheteria tem que ser muito grande…

(Fui na wikipedia agora pra ver a lista dos filmes mais caros. Hoje, em 2026. O mais caro foi Star Wars ep 9, que custou 490 milhões. Na wikipedia tem uma lista com 68 títulos, o último dessa lista custou 204 milhões. Curiosamente, todos os 68 filmes são deste século.)

A direção é de Kevin Reynolds, que já tinha dirigido Kevin Costner em outros dois filmes, Fandango (1985) e Robin Hood (1991). Mas, segundo o imdb, há rumores de que Kevin Reynolds e Kevin Costner tiveram uma grande discussão sobre o filme, o que resultou na saída de Reynolds do projeto, deixando Costner na direção e na supervisão da edição. Reynolds teria dito que “Kevin Costner só deveria estrelar filmes que ele mesmo dirige. Dessa forma, ele pode trabalhar com seu ator e diretor favoritos.” Mesmo com a saída, Kevin Reynolds continuou creditado como diretor.

Filmar no mar era um grande desafio. Um dos maiores problemas era que boa parte do elenco e equipe ficavam enjoadas. Além disso, boa parte das cenas precisavam ser filmadas a duas milhas da costa, pra ter pelo menos 270 graus de mar aberto. As condições climáticas locais geralmente pioravam à tarde, então a maior parte das filmagens tinha que ser interrompida depois das 15h ou 16h. Para piorar a situação, cerca de 30 barcos adicionais, usados ​​pelo elenco e equipe, eram necessários para iluminação, câmeras, maquiagem, alimentação, figurinos etc., e nenhum deles tinha banheiro. As filmagens tinham que ser interrompidas repetidamente para que as pessoas pudessem ser levadas a banheiros químicos em uma balsa ancorada perto da costa. Todas essas limitações geralmente permitiam apenas cinco ou seis tomadas por dia de filmagem, estendendo significativamente o cronograma.

Era complicado, mas pelo menos temos algumas sequências realmente muito boas. Toda a sequência do ataque dos smokers ao atol é muito boa. E o trimarã do protagonista Mariner (o personagem não tem nome) é um barco muito bem estruturado, cheio de surpresas, e Kevin Costner parece muito à vontade fazendo de tudo no barco. Eram os anos 90, cgi ainda era algo sem muita força, e não existiam drones com câmeras. Então, durante algumas vezes durante o filme, a gente vê um close meio tremido no ator, e a câmera se afasta, mostrando o barco velejando – provavelmente cena feita com helicópteros. Antes de começarem as filmagens, Costner ficou três semanas velejando com o trimarã pra se acostumar.

O vilão, interpretado por Dennis Hopper, é bem ruim. Mas… Naquela época, vilões caricatos eram comuns. Vou deixar só um exemplo: Goonies é um filme cultuado pela maioria das pessoas, e os vilões daquele filme são tão caricatos quanto o daqui. E esse aqui é menos pior que o “Master Blaster”, do Mad Max 3. Ou seja, vilão ruim, mas coerente com a época.

O roteiro também tem várias forçadas de barra, mas que – de novo – eram comuns na época. Várias conveniências de roteiro se espalham pelo filme, tipo o balão aparecendo do nada pra salvar os personagens quando o barco estava danificado. E aquele bungee jump no fim talvez tenha sido um pouco demais – mas pelo menos a cena é empolgante. Enfim, anos 90…

No elenco, é um “filme do Kevin Costner”, que já era um nome gigante em Hollywood – cinco anos antes ele ganhou dois Oscars, melhor filme e melhor diretor, por Dança com Lobos. Gostei do personagem dele, que é um cara quieto e mal-humorado, e que precisa ter que conviver, a contragosto, com uma mulher e uma criança. E, vamos ser sinceros, uma criança bem chata. Os outros dois nomes grandes do elenco são Jeanne Tripplehorn e Dennis Hopper. A menina Tina Majorino está por aí até hoje, mas nunca mais teve um papel de sucesso. Ah, prestem atenção no piloto de avião que aparece rapidinho e debaixo de muita fuligem – é o Jack Black ainda antes de ser famoso.

(Aliás, li no imdb um fato curioso. A personagem da Jeanne Triplehorn tem uma cena de nudez bem discreta, e não é nudez gratuita – ela quer que o Mariner proteja a criança, então se oferece pra ele. É uma cena rápida, de costas. Mas Jeanne se recusou a fazer a cena. O curioso é que poucos anos antes ela mostrou bem mais em Instinto Selvagem…)

Revisto hoje, Waterworld está longe de ser ruim. É um bom filme pipoca. Tem seus problemas aqui e ali, mas se a gente desligar o fato de ter sido um grande prejuízo comercial, vai curtir a sessão.

Stranger Things – Temporada 5

Crítica – Stranger Things – Temporada 5

Sinopse (google): Em 1987, Hawkins está em quarentena militar após as fendas do Mundo Invertido se abrirem, forçando o grupo de amigos a se unir pela última vez para encontrar e derrotar um Vecna desaparecido, enfrentando uma escuridão mais poderosa.

Tenho sentimentos conflitantes quando o assunto é Stranger Things. Por um lado, gosto da série, reconheço que a primeira temporada é muito boa, e as outras temporadas têm vários momentos muito legais – a sequência do Eddie tocando guitarra no fim da quarta temporada é sensacional. Mas por outro lado, acho os episódios longos demais, e esse formato pra fazer “binge watching” acaba cansando.

Explicando o “binge watching”, também conhecido como “maratonar”. Antigamente, séries soltavam um episódio por semana. Você só conseguia maratonar uma série depois de finalizada, em VHS ou DVD. Aí a Netflix resolveu inovar e lançar temporadas de séries completas em sua plataforma, e criou-se o hábito de maratonar séries. Às vezes o hype é grande, e rola um fenômeno chamado FOMO, ou “fear of missing out”, que é quando o cara quer ver correndo pra não ficar pra trás nos assuntos mais comentados.

Inicialmente heu confesso que curti esse formato – às vezes um episódio termina com um gancho que a gente fica tenso a semana inteira pra saber como vai resolver. Problema resolvido, era só dar o play no próximo episódio. Mas… Hoje acredito que o formato tradicional é muito melhor. Um episódio, depois uma semana pensando e digerindo, quando chega a semana seguinte o episódio “desce” muito mais redondo. Vide Pluribus: uma série de mistério, onde cada episódio usou uma semana inteira para ser melhor apreciado.

Além disso, tem o tempo entre uma temporada e outra. Foram três anos e meio desde o fim da quarta temporada. Não dá pra seguir uma história depois de tanto tempo, a gente esquece do que viu. E Stranger Things ainda tem outro problema que é o tamanho dos episódios. O episódio final desta temporada teve duas horas e oito minutos! Isso é tamanho de filme, não de episódio de série!

Esses fatores todos me desanimavam a encarar a última temporada, que ainda foi dividida em três partes – foram quatro episódios lançados no fim de novembro, depois mais três no dia do Natal, e o último (o de mais de duas horas) lançado em 31 de dezembro. Larguei o FOMO, ignorei as primeiras datas, e vi todos os episódios depois que já estava tudo disponível.

E a grande pergunta: valeu? Médio. A temporada teve seus bons momentos, não posso ignorar isso. Mas dava pra dar uma enxugada no roteiro, e o tempo total da série podia ser a metade (somei os tempos dos episódios: são dez horas e vinte minutos, um pouco longo pra ser um “filme”). Porque em alguns momentos a série cansa.

(Li em algum lugar que isso é estratégia da Netflix, pra deixar o espectador mais tempo conectado à plataforma. Tem lógica a curto prazo, mas tenho minhas dúvidas se isso não pode acabar afastando o espectador em produções futuras.)

Vamos aos pontos positivos. Algumas sequências são empolgantes. Ok, nada de inovador, nada que vai marcar a história da TV, mas pelo menos são sequências emocionantes. Também gostei da parte técnica, a batalha final é contra um monstrão tipo um kaiju, os efeitos especiais são convincentes. Além disso, são vários personagens carismáticos, e tivemos uma boa conclusão pra história deles. E preciso dizer que gostei do gordinho mala, que começa como um moleque insuportável e acaba virando um personagem divertido.

Agora, por outro lado, o roteiro tem muitas forçadas de barra. Vou citar só uma: civis atacam o exército, e logo depois tudo está bem, ninguém sofre consequências. Além de várias facilitações de roteiro, tipo não ter demogorgons na batalha final. Mas, um amigo meu deu a dica: Stranger Things, desde a primeira temporada, sempre foi uma homenagem aos anos 80. E naquela época a gente aceitava essas forçações de barra – a gente nunca questionou um Rambo ou um Comando pra Matar, onde um cara sozinho derrotava um exército, e sua munição nunca acabava. Se o espectador entrar na série com esse pensamento, vai relevar esses problemas.

O episódio final tem uma característica que heu achei ruim, mas conversando com amigos, alguns disseram que isso foi visto como algo positivo. É que existe um grande evento final, onde os personagens precisam lutar contra o grande vilão, e depois que isso acaba, ainda tem uma hora de episódio, mostrando o que aconteceu com cada um dos muitos personagens. Heu achei isso uma enrolação que poderia ter sido resolvida com algumas cartelas na tela, contando o futuro de cada um, porque afinal a gente já tinha passado pela adrenalina do final. Mas, preciso reconhecer que teve gente dizendo que isso foi a melhor coisa do episódio.

Uma coisa que me incomodou bastante é a idade dos atores. Harry Potter teve oito filmes ao longo de dez anos, mas os personagens cresciam um ano por filme. Ou seja, quando acabou, os atores estavam bem mais velhos, mas os personagens tinham quase a mesma idade. Mas aqui não. Logo no primeiro episódio desta temporada, tem um breve flashback onde lembramos que a história começou em 1983. Depois rola um salto e passamos pra 1987 – quatro anos. E em algum episódio alguém comenta que Will tinha 11 anos na época do início da série. Ou seja, quase a temporada toda acompanhamos personagens de 15 anos. Mas os cinco atores principais têm entre 21 (Noah Schnapp, o Will) e 24 anos (Caleb McLaughlin, o Lucas). Na boa, não dá pra ter atores com barba na cara se passando por adolescentes de 15 anos!

(Lembrei de uma piada que ouvi numa sitcom que falava que as séries nos anos 90 tinham adolescentes de 25 anos e pais de 35…)

Sobre o elenco, não me lembro da Millie Bobby Brown ser tão ruim nas outras temporadas. Mas aqui ela está péssima. Ouvi um papo de que ela colocou botox e por isso não consegue mais fazer expressões faciais; ouvi outra teoria de que ela estaria de saco cheio e não queria fazer a temporada. Sei lá o que aconteceu, mas o ponto é que ela está com a mesma cara de “menina mimada enfezada” ao longo da temporada inteira! Sorte é que são muitos personagens, e outros têm carisma de sobra. Cada vez que a Maya Hawke aparecia em tela a gente esquecia da Millie Bobby Brown.

Enfim, pelo menos acabou. Mas não sei se um dia vou rever. Talvez só a primeira temporada, naquela época fiquei bem mais empolgado que agora.

Top 10: Melhores Surpresas de 2025

Top 10: Melhores Surpresas de 2025

Depois das listas de melhores filmes, piores filme, decepções e expectativas, que tal uma quinta lista, com as maiores surpresas? São filmes que a gente não esperava nada, mas que surpreenderam positivamente. A partir do fim deste ano, esta lista entra junto com as outras quatro.

Vou ordenar da menor para a melhor surpresa. Lembrando que os dez filmes foram comentados aqui!

10-Premonição 6: Laços de Sangue
Não sei se deveria colocar Premonição 6 aqui, porque reconheço que curto toda a franquia. Gosto de como eles inventam meios de enrolar aquela morte que a gente sabe que vai acontecer, só não sabe quando e como. E este novo Premonição manteve o nível, diferente de vários reboots caça níqueis que a gente vê por aí.

9-Corra que a Polícia Vem Aí
Falando em reboots caça níqueis, achei que este novo Corra que a Polícia Vem Aí ia ser bem bobo – a comédia mudou muito nas últimas décadas. Surpresa: o filme traz de volta humor nonsense como nos filmes dos anos 80 e 90! Ri como se estivesse vendo um filme do trio Zucker Abrahams Zucker!

8-Acompanhante Perfeita
O roteiro de Acompanhante Perfeita não é muito inovador. Mas, sabe quando um filme sabe usar os clichês? Temos um suspense com vários pequenos plot twists espalhados – confesso que alguns me pegaram de surpresa. Além disso, o roteiro equilibra bem o humor, algumas cenas são bem engraçadas, apesar do filme não ser uma comédia.

7-Lago dos Ossos
Suspense que vira quase um slasher na parte final, Lago dos Ossos é um filme que vi no Festival do Rio e que deve ser lançado agora no início de 2026. Não é um grande filme, mas tem sexo, tem sangue, tem plot twist, e, principalmente, é bem divertido.

6-Primitive War
Primitive War não é bom. Longo demais, roteiro arrastado, personagens mal construídos. Mas, é um filme de baixíssimo orçamento, que traz dinossauros melhores que os da milionária franquia Jurassic World. Luke Sparke, roteirista, diretor, produtor, editor e mais alguns créditos, pode vir a ser um nome respeitado em Hollywood.

5-Thunderbolts*
Num ano com três filmes da Marvel, o Capitão América foi fraco e o Quarteto Fantástico foi decepcionante. Qual foi o melhor Marvel então? Esse Thunderbolts*, que traz um grupo de heróis que são refugos de outros filmes, personagens secundários que ninguém se importa. Mas que mesmo assim foi o melhor Marvel desde Guardiões da Galáxia 3.

4-Flow
Um longa de animação, feito na Letônia, sem nenhum diálogo. Detalhe: a parte técnica da animação está longe da perfeição dos Pixar e Disney, o traço parece meio borrado, parece que pintaram e não finalizaram o desenho. E mesmo assim, é um desenho belíssimo – tanto que ganhou o Oscar de melhor longa animado de 2025.

3-O Macaco
O Macaco era o novo filme de Osgood Perkins, diretor do tenso e sério Longlegs. Ou seja, já existia alguma expectativa sobre a qualidade do filme. A surpresa foi no tom de humor negro usado. O filme é terror, com mortes, gore, e mesmo assim é engraçadíssimo!

2-The Ugly Stepsister
Estamos vivendo uma onda de adaptações de terror de contos infantis. E todos são péssimos. Mas como são baratos e dão retorno financeiro, continuam fazendo. Ursinho Puff, Mickey, Bambi, Popeye, todos ganharam filmes péssimos. Aí veio esse The Ugly Stpesister, uma versão de terror da Cinderela, e não é que o filme é bom?

1-Anaconda
Me diverti tanto vendo Anaconda que saí da sala de cinema pensando em alterar meu top 10 do ano. Ok, adrenalina baixou, o filme tem seus problemas aqui e ali, realmente não merece um top 10. Mas, como digo sempre, “cinema é a maior diversão”, e Anaconda é um filme que retrata esse lema perfeitamente!