Waterworld: O Segredo das Águas

Crítica – Waterworld: O Segredo das Águas

Sinopse (imdb): Num futuro em que o gelo dos pólos derreteu, quase toda a terra está submersa. Um homem solitário, com relutância, ajuda uma mulher e uma jovem a encontrar um terreno firme.

Tive a ideia de fazer uma lista de filmes injustiçados. Filmes que as pessoas se acostumaram a falar mal, mas não são tão ruins assim. Só que é uma lista que dá trabalho, porque preciso rever cada filme para julgar se merece ou não estar numa lista de injustiçados. GG, meu companheiro de Podcrastinadores, sugeriu Waterworld: O Segredo das Águas, um dos maiores fracassos comerciais da história do cinema. Aproveitei que revi e vou comentar aqui.

Waterworld surgiu como uma “versão aquática de Mad Max“: um mundo pós apocalíptico, um herói solitário, vilões bizarros e a luta por recursos (água/combustível). A diferença é que em vez de deserto, o planeta está inundado depois do derretimento das calotas polares. Aliás, Peter Rader, um dos roteiristas de Waterworld, admitiu a inspiração em Mad Max 2. Mais: o diretor de fotografia Dean Semler trabalhou em Mad Max 2Mad Max 3.

Waterworld é mal falado, mas nem é tão ruim assim. O lance é que foi uma produção muito cara, e o retorno nas bilheterias não refletiu o investimento. O filme tinha o orçamento de 175 milhões de dólares – o maior orçamento da história até aquela data, mas pouco depois Titanic bateu esse recorde (a diferença é que Titanic foi um sucesso de bilheteria). Detalhe: o próprio Kevin Costner pagou 22 milhões do próprio bolso! E se você tem um filme muito caro, a bilheteria tem que ser muito grande…

(Fui na wikipedia agora pra ver a lista dos filmes mais caros. Hoje, em 2026. O mais caro foi Star Wars ep 9, que custou 490 milhões. Na wikipedia tem uma lista com 68 títulos, o último dessa lista custou 204 milhões. Curiosamente, todos os 68 filmes são deste século.)

A direção é de Kevin Reynolds, que já tinha dirigido Kevin Costner em outros dois filmes, Fandango (1985) e Robin Hood (1991). Mas, segundo o imdb, há rumores de que Kevin Reynolds e Kevin Costner tiveram uma grande discussão sobre o filme, o que resultou na saída de Reynolds do projeto, deixando Costner na direção e na supervisão da edição. Reynolds teria dito que “Kevin Costner só deveria estrelar filmes que ele mesmo dirige. Dessa forma, ele pode trabalhar com seu ator e diretor favoritos.” Mesmo com a saída, Kevin Reynolds continuou creditado como diretor.

Filmar no mar era um grande desafio. Um dos maiores problemas era que boa parte do elenco e equipe ficavam enjoadas. Além disso, boa parte das cenas precisavam ser filmadas a duas milhas da costa, pra ter pelo menos 270 graus de mar aberto. As condições climáticas locais geralmente pioravam à tarde, então a maior parte das filmagens tinha que ser interrompida depois das 15h ou 16h. Para piorar a situação, cerca de 30 barcos adicionais, usados ​​pelo elenco e equipe, eram necessários para iluminação, câmeras, maquiagem, alimentação, figurinos etc., e nenhum deles tinha banheiro. As filmagens tinham que ser interrompidas repetidamente para que as pessoas pudessem ser levadas a banheiros químicos em uma balsa ancorada perto da costa. Todas essas limitações geralmente permitiam apenas cinco ou seis tomadas por dia de filmagem, estendendo significativamente o cronograma.

Era complicado, mas pelo menos temos algumas sequências realmente muito boas. Toda a sequência do ataque dos smokers ao atol é muito boa. E o trimarã do protagonista Mariner (o personagem não tem nome) é um barco muito bem estruturado, cheio de surpresas, e Kevin Costner parece muito à vontade fazendo de tudo no barco. Eram os anos 90, cgi ainda era algo sem muita força, e não existiam drones com câmeras. Então, durante algumas vezes durante o filme, a gente vê um close meio tremido no ator, e a câmera se afasta, mostrando o barco velejando – provavelmente cena feita com helicópteros. Antes de começarem as filmagens, Costner ficou três semanas velejando com o trimarã pra se acostumar.

O vilão, interpretado por Dennis Hopper, é bem ruim. Mas… Naquela época, vilões caricatos eram comuns. Vou deixar só um exemplo: Goonies é um filme cultuado pela maioria das pessoas, e os vilões daquele filme são tão caricatos quanto o daqui. E esse aqui é menos pior que o “Master Blaster”, do Mad Max 3. Ou seja, vilão ruim, mas coerente com a época.

O roteiro também tem várias forçadas de barra, mas que – de novo – eram comuns na época. Várias conveniências de roteiro se espalham pelo filme, tipo o balão aparecendo do nada pra salvar os personagens quando o barco estava danificado. E aquele bungee jump no fim talvez tenha sido um pouco demais – mas pelo menos a cena é empolgante. Enfim, anos 90…

No elenco, é um “filme do Kevin Costner”, que já era um nome gigante em Hollywood – cinco anos antes ele ganhou dois Oscars, melhor filme e melhor diretor, por Dança com Lobos. Gostei do personagem dele, que é um cara quieto e mal-humorado, e que precisa ter que conviver, a contragosto, com uma mulher e uma criança. E, vamos ser sinceros, uma criança bem chata. Os outros dois nomes grandes do elenco são Jeanne Tripplehorn e Dennis Hopper. A menina Tina Majorino está por aí até hoje, mas nunca mais teve um papel de sucesso. Ah, prestem atenção no piloto de avião que aparece rapidinho e debaixo de muita fuligem – é o Jack Black ainda antes de ser famoso.

(Aliás, li no imdb um fato curioso. A personagem da Jeanne Triplehorn tem uma cena de nudez bem discreta, e não é nudez gratuita – ela quer que o Mariner proteja a criança, então se oferece pra ele. É uma cena rápida, de costas. Mas Jeanne se recusou a fazer a cena. O curioso é que poucos anos antes ela mostrou bem mais em Instinto Selvagem…)

Revisto hoje, Waterworld está longe de ser ruim. É um bom filme pipoca. Tem seus problemas aqui e ali, mas se a gente desligar o fato de ter sido um grande prejuízo comercial, vai curtir a sessão.

Stranger Things – Temporada 5

Crítica – Stranger Things – Temporada 5

Sinopse (google): Em 1987, Hawkins está em quarentena militar após as fendas do Mundo Invertido se abrirem, forçando o grupo de amigos a se unir pela última vez para encontrar e derrotar um Vecna desaparecido, enfrentando uma escuridão mais poderosa.

Tenho sentimentos conflitantes quando o assunto é Stranger Things. Por um lado, gosto da série, reconheço que a primeira temporada é muito boa, e as outras temporadas têm vários momentos muito legais – a sequência do Eddie tocando guitarra no fim da quarta temporada é sensacional. Mas por outro lado, acho os episódios longos demais, e esse formato pra fazer “binge watching” acaba cansando.

Explicando o “binge watching”, também conhecido como “maratonar”. Antigamente, séries soltavam um episódio por semana. Você só conseguia maratonar uma série depois de finalizada, em VHS ou DVD. Aí a Netflix resolveu inovar e lançar temporadas de séries completas em sua plataforma, e criou-se o hábito de maratonar séries. Às vezes o hype é grande, e rola um fenômeno chamado FOMO, ou “fear of missing out”, que é quando o cara quer ver correndo pra não ficar pra trás nos assuntos mais comentados.

Inicialmente heu confesso que curti esse formato – às vezes um episódio termina com um gancho que a gente fica tenso a semana inteira pra saber como vai resolver. Problema resolvido, era só dar o play no próximo episódio. Mas… Hoje acredito que o formato tradicional é muito melhor. Um episódio, depois uma semana pensando e digerindo, quando chega a semana seguinte o episódio “desce” muito mais redondo. Vide Pluribus: uma série de mistério, onde cada episódio usou uma semana inteira para ser melhor apreciado.

Além disso, tem o tempo entre uma temporada e outra. Foram três anos e meio desde o fim da quarta temporada. Não dá pra seguir uma história depois de tanto tempo, a gente esquece do que viu. E Stranger Things ainda tem outro problema que é o tamanho dos episódios. O episódio final desta temporada teve duas horas e oito minutos! Isso é tamanho de filme, não de episódio de série!

Esses fatores todos me desanimavam a encarar a última temporada, que ainda foi dividida em três partes – foram quatro episódios lançados no fim de novembro, depois mais três no dia do Natal, e o último (o de mais de duas horas) lançado em 31 de dezembro. Larguei o FOMO, ignorei as primeiras datas, e vi todos os episódios depois que já estava tudo disponível.

E a grande pergunta: valeu? Médio. A temporada teve seus bons momentos, não posso ignorar isso. Mas dava pra dar uma enxugada no roteiro, e o tempo total da série podia ser a metade (somei os tempos dos episódios: são dez horas e vinte minutos, um pouco longo pra ser um “filme”). Porque em alguns momentos a série cansa.

(Li em algum lugar que isso é estratégia da Netflix, pra deixar o espectador mais tempo conectado à plataforma. Tem lógica a curto prazo, mas tenho minhas dúvidas se isso não pode acabar afastando o espectador em produções futuras.)

Vamos aos pontos positivos. Algumas sequências são empolgantes. Ok, nada de inovador, nada que vai marcar a história da TV, mas pelo menos são sequências emocionantes. Também gostei da parte técnica, a batalha final é contra um monstrão tipo um kaiju, os efeitos especiais são convincentes. Além disso, são vários personagens carismáticos, e tivemos uma boa conclusão pra história deles. E preciso dizer que gostei do gordinho mala, que começa como um moleque insuportável e acaba virando um personagem divertido.

Agora, por outro lado, o roteiro tem muitas forçadas de barra. Vou citar só uma: civis atacam o exército, e logo depois tudo está bem, ninguém sofre consequências. Além de várias facilitações de roteiro, tipo não ter demogorgons na batalha final. Mas, um amigo meu deu a dica: Stranger Things, desde a primeira temporada, sempre foi uma homenagem aos anos 80. E naquela época a gente aceitava essas forçações de barra – a gente nunca questionou um Rambo ou um Comando pra Matar, onde um cara sozinho derrotava um exército, e sua munição nunca acabava. Se o espectador entrar na série com esse pensamento, vai relevar esses problemas.

O episódio final tem uma característica que heu achei ruim, mas conversando com amigos, alguns disseram que isso foi visto como algo positivo. É que existe um grande evento final, onde os personagens precisam lutar contra o grande vilão, e depois que isso acaba, ainda tem uma hora de episódio, mostrando o que aconteceu com cada um dos muitos personagens. Heu achei isso uma enrolação que poderia ter sido resolvida com algumas cartelas na tela, contando o futuro de cada um, porque afinal a gente já tinha passado pela adrenalina do final. Mas, preciso reconhecer que teve gente dizendo que isso foi a melhor coisa do episódio.

Uma coisa que me incomodou bastante é a idade dos atores. Harry Potter teve oito filmes ao longo de dez anos, mas os personagens cresciam um ano por filme. Ou seja, quando acabou, os atores estavam bem mais velhos, mas os personagens tinham quase a mesma idade. Mas aqui não. Logo no primeiro episódio desta temporada, tem um breve flashback onde lembramos que a história começou em 1983. Depois rola um salto e passamos pra 1987 – quatro anos. E em algum episódio alguém comenta que Will tinha 11 anos na época do início da série. Ou seja, quase a temporada toda acompanhamos personagens de 15 anos. Mas os cinco atores principais têm entre 21 (Noah Schnapp, o Will) e 24 anos (Caleb McLaughlin, o Lucas). Na boa, não dá pra ter atores com barba na cara se passando por adolescentes de 15 anos!

(Lembrei de uma piada que ouvi numa sitcom que falava que as séries nos anos 90 tinham adolescentes de 25 anos e pais de 35…)

Sobre o elenco, não me lembro da Millie Bobby Brown ser tão ruim nas outras temporadas. Mas aqui ela está péssima. Ouvi um papo de que ela colocou botox e por isso não consegue mais fazer expressões faciais; ouvi outra teoria de que ela estaria de saco cheio e não queria fazer a temporada. Sei lá o que aconteceu, mas o ponto é que ela está com a mesma cara de “menina mimada enfezada” ao longo da temporada inteira! Sorte é que são muitos personagens, e outros têm carisma de sobra. Cada vez que a Maya Hawke aparecia em tela a gente esquecia da Millie Bobby Brown.

Enfim, pelo menos acabou. Mas não sei se um dia vou rever. Talvez só a primeira temporada, naquela época fiquei bem mais empolgado que agora.

Top 10: Melhores Surpresas de 2025

Top 10: Melhores Surpresas de 2025

Depois das listas de melhores filmes, piores filme, decepções e expectativas, que tal uma quinta lista, com as maiores surpresas? São filmes que a gente não esperava nada, mas que surpreenderam positivamente. A partir do fim deste ano, esta lista entra junto com as outras quatro.

Vou ordenar da menor para a melhor surpresa. Lembrando que os dez filmes foram comentados aqui!

10-Premonição 6: Laços de Sangue
Não sei se deveria colocar Premonição 6 aqui, porque reconheço que curto toda a franquia. Gosto de como eles inventam meios de enrolar aquela morte que a gente sabe que vai acontecer, só não sabe quando e como. E este novo Premonição manteve o nível, diferente de vários reboots caça níqueis que a gente vê por aí.

9-Corra que a Polícia Vem Aí
Falando em reboots caça níqueis, achei que este novo Corra que a Polícia Vem Aí ia ser bem bobo – a comédia mudou muito nas últimas décadas. Surpresa: o filme traz de volta humor nonsense como nos filmes dos anos 80 e 90! Ri como se estivesse vendo um filme do trio Zucker Abrahams Zucker!

8-Acompanhante Perfeita
O roteiro de Acompanhante Perfeita não é muito inovador. Mas, sabe quando um filme sabe usar os clichês? Temos um suspense com vários pequenos plot twists espalhados – confesso que alguns me pegaram de surpresa. Além disso, o roteiro equilibra bem o humor, algumas cenas são bem engraçadas, apesar do filme não ser uma comédia.

7-Lago dos Ossos
Suspense que vira quase um slasher na parte final, Lago dos Ossos é um filme que vi no Festival do Rio e que deve ser lançado agora no início de 2026. Não é um grande filme, mas tem sexo, tem sangue, tem plot twist, e, principalmente, é bem divertido.

6-Primitive War
Primitive War não é bom. Longo demais, roteiro arrastado, personagens mal construídos. Mas, é um filme de baixíssimo orçamento, que traz dinossauros melhores que os da milionária franquia Jurassic World. Luke Sparke, roteirista, diretor, produtor, editor e mais alguns créditos, pode vir a ser um nome respeitado em Hollywood.

5-Thunderbolts*
Num ano com três filmes da Marvel, o Capitão América foi fraco e o Quarteto Fantástico foi decepcionante. Qual foi o melhor Marvel então? Esse Thunderbolts*, que traz um grupo de heróis que são refugos de outros filmes, personagens secundários que ninguém se importa. Mas que mesmo assim foi o melhor Marvel desde Guardiões da Galáxia 3.

4-Flow
Um longa de animação, feito na Letônia, sem nenhum diálogo. Detalhe: a parte técnica da animação está longe da perfeição dos Pixar e Disney, o traço parece meio borrado, parece que pintaram e não finalizaram o desenho. E mesmo assim, é um desenho belíssimo – tanto que ganhou o Oscar de melhor longa animado de 2025.

3-O Macaco
O Macaco era o novo filme de Osgood Perkins, diretor do tenso e sério Longlegs. Ou seja, já existia alguma expectativa sobre a qualidade do filme. A surpresa foi no tom de humor negro usado. O filme é terror, com mortes, gore, e mesmo assim é engraçadíssimo!

2-The Ugly Stepsister
Estamos vivendo uma onda de adaptações de terror de contos infantis. E todos são péssimos. Mas como são baratos e dão retorno financeiro, continuam fazendo. Ursinho Puff, Mickey, Bambi, Popeye, todos ganharam filmes péssimos. Aí veio esse The Ugly Stpesister, uma versão de terror da Cinderela, e não é que o filme é bom?

1-Anaconda
Me diverti tanto vendo Anaconda que saí da sala de cinema pensando em alterar meu top 10 do ano. Ok, adrenalina baixou, o filme tem seus problemas aqui e ali, realmente não merece um top 10. Mas, como digo sempre, “cinema é a maior diversão”, e Anaconda é um filme que retrata esse lema perfeitamente!

Anaconda (2025)

Anaconda (2025)

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos que enfrenta a crise da meia-idade se prepara para refazer seu filme juvenil favorito, mas quando entram na selva, as coisas ficam feias.

Quando soube de um novo Anaconda, fui catar a versão de 1997 pra rever. Aquele filme é bem ruim. Mas, pelo trailer, esta nova versão parecia que ia ser mais divertida. E meu pressentimento estava certo. O novo Anaconda é divertidíssimo!

O protagonismo aqui é dividido entre o Jack Black e o Paul Rudd. Quando adolescentes, eles faziam curtas amadores com mais dois amigos; hoje, Jack Black faz vídeos de casamento, enquanto Paul Rudd é um ator frustrado em Hollywood. A turma se reúne para fazer um remake de baixíssimo orçamento do Anaconda de 97, quando uma equipe vai pro Amazonas fazer um documentário sobre uma tribo indígena e é atacada por uma cobra gigante. Mas a grande diferença é que aquele filme se levava a sério, enquanto aqui a galhofa é assumida. Ri alto diversas vezes ao longo da sessão!

Teve uma cena que achei simples e genial, logo no início do filme, quando conhecemos o trabalho do Jack Black. Ele descreve como seria a ideia dele do vídeo de casamento, e começa a cantarolar a música que ele imaginou para a cena, e a trilha do filme começa a acompanhar o que ele está cantarolando. No cinema, música diegética é aquela que os personagens estão ouvindo, tipo o Jack Black cantarolando; música não diegética é quando só o espectador ouve, é a trilha sonora que está acompanhando o cantarolar. Gosto quando um filme quebra essa barreira entre a música diegética e a não diegética.

(Preciso dizer que me identifiquei com o momento que eles se reúnem pra rever o filme que fizeram quando adolescentes. Assisti Anaconda ao lado do Eduardo Miranda, do canal Projeto Cinevisão, e ele estava comigo quando filmei O Boitatá, um dos meus primeiros curtas, há quase 14 anos…)

A direção é de Tom Gormican, o mesmo de O Peso do Talento, aquele filme onde um milionário quer conhecer o Nicolas Cage. Ou seja, o cara sabe brincar com a metalinguagem, usando piadas ligadas ao cinema. E aqui são várias, tem algumas geniais – a do Jordan Peele é sensacional! Aliás, a única coisa boa de ter revisto Anaconda de 97 foi pegar o contexto de todas as piadas sobre aquele filme.

No resto do elenco, o destaque vai pra Selton Mello, e juro que isso não é um comentário bairrista. Selton faz um brasileiro que cuida de cobras. Ele não é um dos principais, mas ele tem um papel bem grande, e posso dizer tranquilamente que ele rouba todas as cenas que aparece. Um dos momentos mais engraçados do filme é quando estão conversando sobre cabeçadas, ele fala de colocar um “brazilian twist” e grita “TOMA!”, e todo o elenco começa a gritar “TOMA!” com ele. Não li em lugar algum, mas não acharia estranho isso ser sugestão do próprio Selton – duvido que um roteirista gringo tenha pensado em gritar “TOMA!” no meio de uma cena de briga. No resto do elenco, Thandiwe Newton, Steve Zahn e Daniela Melchior. Aliás, Daniela, que é portuguesa, aparece falando português, mas sem nenhum sotaque, me pareceu dublada.

(No cinema tinham duas salas passando Anaconda, uma com a cópia dublada e a outra, legendada. Quando o filme começou, com um diálogo em português, fiquei com medo de ter entrado na sala errada. Não, são só algumas cenas em português.)

Aliás, assim como tem uma atriz portuguesa que parece dublada, nos créditos descobri que Anaconda foi filmado na Austrália. Ué, por que não filmar no Amazonas? Pelo menos ouvimos diálogos e lemos cartazes em português. Décadas atrás Hollywood não respeitava isso – inclusive no filme de 97 tem um personagem brasileiro que fala português com sotaque.

(E todo brasileiro vai dar uma gargalhada ao ver que, dos EUA pro Amazonas, eles passam pelo Rio de Janeiro. Tem uma cena mostrando o Corcovado!)

Os efeitos especiais são apenas ok. Em algumas cenas, a cobra não convence. Sorte que o objetivo do filme é galhofa e não mostrar uma cobra assustadora.

Agora, se por um lado o roteiro é bem divertido, por outro precisamos reconhecer que são várias forçadas de barra. Sem spoilers, mas o modo como a cobra é derrotada no final não fez o menor sentido! Além disso, tem uma sequência envolvendo um personagem fazendo xixi que achei uma piada ruim e demasiadamente prolongada.

Ah, tem cenas pós créditos. Uma delas é genial, mostra um videozinho de casamento feito pelo Jack Black. E tem um possível gancho pra continuação. Que seja tão divertido como este!

 

Expectativa Diferentona 2026

Expectativa 2026

Mais uma vez, vou criar uma lista com expectativas fora do óbvio, como fiz nos anos anteriores. Minha lista não vai ter continuações ou filmes de franquias. Seria uma lista fácil – e óbvia. Bora fazer uma rapidinho? Começo pelo novo Star Wars (Mandalorian e Grogu) e pelos filmes de super heróis: o filme da Supergirl, o novo Homem Aranha e o novo Vingadores. Toy Story 5 também entra, assim como o novo Super Mario. Resident Evil normalmente não empolgaria, mas quem está dirigindo é Zach Cregger, então claro que quero ver. Fecho a lista com três filmes de terror: Pânico 7, Casamento Sangrento 2 e o novo Evil Dead. E nem incluí Clayface, terror de super herói, nem o novo Duna. Taí, gostei da lista, quero ver todos.

Claro, como estou falando de alguns filmes que ainda estão em produção, não tenho certeza de que teremos os dez títulos em 2026. Afinal, em nenhum dos quatro anos anteriores os dez filmes estrearam no ano seguinte. E tem alguns projetos que citei lá atrás que foram cancelados. Mas, por outro lado, falei de O Sobrevivente, que acabou de estrear, na minha lista de 2023, publicada no fim de 2022!

Fiquei na dúvida se valia colocar na lista The Adventures of Cliff Booth, com David Fincher na direção, Quentin Tarantino no roteiro e Brad Pitt no papel principal. Mas, é um spin off de Era uma Vez em Hollywood, então saiu da lista.

Matt Damon e Ben Affleck vão atuar juntos novamente em The Rip, filme dirigido por Joe Carnaham. Esse trio valeria um lugar na minha lista de expectativas, mas o último filme do Carnaham, Shadow Force, foi tão ruim que estou com um pé atrás agora.

Queria trazer Young Sinner, direção do Paul Verhoeven, roteiro de Edward Neumeier, mesmo roteirista de Robocop e Tropas Estelares. Mas não achei quase nada desse filme, não tem quase nada no imdb!

Vamos aos filmes? Sem nenhuma ordem específica

Socorro!
Sam Raimi dirigindo um longa de terror, coisa que ele não faz desde 2009, com Arraste-me Para o Inferno. Com Rachel McAdams e Dylan O’Brien no elenco.
Previsão de estreia em 12 de fevereiro.

Devoradores de Estrelas
Ficção científica dirigida pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (Uma Aventura Lego) e escrita por Drew Goddard e Andy Weir (Perdido em Marte). E ainda tem Ryan Gosling, Ken Leung e Sandra Hüller no elenco.
Previsão de estreia em 20 de março.

A Lei do Rebanho
Quando um pastor é assassinado, suas ovelhas partem para resolver o caso sozinhas. Não é animação, é um live action – com ovelhas detetives. Com Hugh Jackman e Emma Thompson no elenco.
Previsão de estreia em 08 de maio.

Dia D
Desde a minha adolescência, sou fã do Steven Spielberg. E sou ainda mais fã quando ele resolve fazer filmes blockbuster. Dia D, ou Disclosure Day, é o seu novo projeto de ficção científica, com roteiro de David Koepp (Jurassic Park) e com Emily Blunt e Josh O’Connor no elenco.
Previsão de estreia em 11 de junho.

A Odisseia
Depois do Oscar por Oppenheimer, Christopher Nolan resolveu encarar um épico: a Odisseia, de Homero, com um elenco gigantesco, que inclui Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Charlize Theron, Robert Pattinson, Zendaya, Lupita Nyong’o e Mia Goth, entre outros.
Previsão de estreia em 17 de julho.

The Dog Stars
Filme pós apocalíptico dirigido por Ridley Scott, com Josh Brolin, Jacob Elordi, Margaret Qualley e Guy Pearce no elenco.
Previsão de estreia em 28 de agosto.

Digger
Novo filme de Alejandro Iñárritu, que ganhou dois Oscars seguidos, por Birdman e O Regresso. Tom Cruise embarca em uma missão para demonstrar que é o salvador da humanidade.
Previsão de estreia em 02 de outubro.

Here Comes the Flood
Filme novo de assalto a banco, estrelado por Denzel Washington, Robert Pattinson e Daisy Edgar Jones. Mas entrou na minha lista pelo diretor, um tal de Fernando Meirelles.
Ainda não tem data de lançamento.

The Call of Cthulhu
Vou manter minha tradição de trazer aqui projetos que ainda não estão 100% confirmados. Existem boatos de que James Wan estaria adaptando The Call of Cthulhu, clássico de HP Lovecraft. Se esse projeto sair do papel, claro que quero ver!
Ainda não tem data de lançamento.

A Colt is my Passport
Parece que Gareth Evans não vai voltar pra Indonésia pra fazer The Raid 3. Então fiquemos com seu novo filme, onde um assassino de aluguel precisa fugir depois de matar um chefão do crime. Estrelado por Sope Dirisu (de Gangs of London), e com Tim Roth, Lucy Boynton e Jack Reynor.
Ainda não tem data de lançamento.

Top 10: Maiores Decepções de 2025

Top 10: Maiores Decepções de 2025

Existe uma diferença entre um filme ser ruim e um filme ser uma decepção. A decepção está mais atrelada à expectativa que criamos em torno daquela título. Precisa ser um filme que heu achava que podia ser bom, se heu já achava que ia ser ruim, não existe decepção. Tipo: mais um Avatar, com intermináveis três horas e quinze de duração. Alguém acreditava que ia ser bom?

Me esforcei pra encontrar dez filmes que não estavam presentes na lista de piores do ano, afinal não queria repetir informações.

Vamos à lista? Não tem ordem específica. Todos os dez filmes foram comentados aqui no heuvi.

O Sobrevivente
Resolvi abrir com O Sobrevivente, que estava na minha lista de expectativas há anos (falei dele na lista publicada em 2022). O filme não é ruim, na verdade depois da sessão minha impressão era tão positiva que achei melhor que a versão de 1987. Mas, sabe a expectativa alta? Comparando com toda a carreira do Edgar Wright, O Sobrevivente é o mais fraco dos seus oito filmes. Como falei, não é ruim, mas é genérico. O resultado final parece apenas um filme burocrático, daqueles encomendados por grandes estúdios. Filme que vai divertir o público, mas será esquecido pouco depois.
https://www.heuvi.com.br/o-sobrevivente-2025/

Extermínio 3
Gosto do estilo do Danny Boyle, e gostei muito do que ele fez na continuação de Trainspotting: mesmo produtor, mesmo roteirista, mesmo elenco, vinte anos depois. Aqui ele podia fazer algo semelhante, voltar ao universo de seu filme Extermínio, junto com o mesmo roteirista. Mas são vários problemas, a começar pelo fato de que o terceiro filme ignora que existe um segundo – que acaba com os infectados chegando no continente. E preciso dizer que aquele final “Power Rangers” foi tão ruim que coroou a decepção.
https://www.heuvi.com.br/exterminio-3/

Depois da Caçada
O novo Luca Guadagnino é bem filmado, bem atuado, mas, o resultado ficou meio fuén. Depois da Caçada é tecnicamente bem feito e tem bons atores. Mas sabe quando um filme não empolga? É o caso aqui. O filme segue num marasmo interminável – são intermináveis duas horas e dezoito minutos de projeção. E um monte de diálogos com papo cabeça chato não ajudam. Pra piorar, a trama se encerra, mas depois tem um epílogo completamente desnecessário.
https://www.heuvi.com.br/depois-da-cacada/

Morra, Amor
Morra, Amor é o novo filme escrito e dirigido por Lynne Ramsey (mais conhecida por Precisamos Falar Sobre o Kevin), que traz uma grande atuação da Jennifer Lawrence, que deve ser indicada pra prêmios; uma boa atuação do Robert Pattinson, mas num roteiro fraco, cheio de simbolismos vazios. Tudo é muito arrastado, muito chato, cenas se repetem – perdi a conta de quantas vezes a Jennifer Lawrence engatinha pelo cenário. Além disso, tenho quase certeza que existe um erro na edição. Resumindo, como cinema, deixa a desejar.
https://www.heuvi.com.br/morra-amor/

The Mastermind
The Mastermind é o novo projeto da diretora Kelly Reichardt, diretora de First Cow, um filme que ainda não vi, mas que mais de uma pessoa me recomendou. Ok, não vi First Cow, mas posso começar pelo seu mais novo filme. Pena que The Mastermind é bem fraco, foi talvez o pior dos onze filmes que vi no Festival do Rio deste ano. A gente passa o filme inteiro acompanhando um protagonista todo errado. No fim do filme, quando o cara é preso, o espectador nem vai se importar.

The Old Guard 2
O primeiro The Old Guard, de 2020, parecia uma releitura de Highlander, uma história usando guerreiros imortais que lutam juntos há séculos. O segundo até tem alguns pontos positivos, mas tem muito mais pontos negativos do que positivos. O roteiro tem vários pontos sem sentido. E o pior de tudo é que The Old Guard 2 é um filme que não tem fim – você vai até o fim esperando uma conclusão, e no meio da trama tem um gancho para, quem sabe, sei lá daqui a quanto tempo, um possível The Old Guard 3 (lembrando que passaram-se cinco anos entre o primeiro e o segundo). Vale mais rever o primeiro do que ver este segundo.
https://www.heuvi.com.br/the-old-guard-2/

June e John
Luc Besson tem um currículo excelente, mas há tempos não faz um filme realmente bom. Este June e John é um filme bobinho com um casal completamente forçado – uma mulher com aquele perfil, livre e descolada, não ia viver seus últimos dias de vida ao lado de um loser como o protagonista. A  jornada do casal é tão fora da realidade que chega um certo ponto que o espectador já não se importa mais com os personagens.
https://www.heuvi.com.br/june-e-john/

Ameaça no Ar
Mel Gibson, como diretor, fez poucos filmes. Depois da sua estreia em 1993 com O Homem sem Face, todos seus filmes seguintes foram projetos grandiosos e ousados: Coração Valente (95), A Paixão de Cristo (2004), Apocalypto (2006) e Até o Último Homem (2016). Aí em 2025 ele lança um novo que filme só conta com três atores e apenas uma locação, que poderia ser dirigido por qualquer diretor de segunda linha pra ser lançado num streaming qualquer. O resultado é um filme bem genérico.
https://www.heuvi.com.br/ameaca-no-ar/

Aqui
Aqui reúne oito membros do elenco e da equipe de Forrest Gump – os protagonistas Tom Hanks e Robin Wright, o diretor Robert Zemeckis, mais o roteirista, o compositor, o diretor de fotografia, o designer de som e a figurinista. E o filme tinha uma proposta revolucionária de efeitos especiais, coisa que Zemeckis já tinha feito em outros filmes. Mas o roteiro é bem fraco, e o filme é muito chato. Só vale como uma nova experiência cinematográfica. Porque como filme, podia ter sido bem melhor.
https://www.heuvi.com.br/aqui/

Quarteto Fantastico
Na verdade, todos os quatro filmes de super herói do ano poderiam estar aqui na lista. Capitão América foi bem fuén, Superman foi divertido mas bobinho, Thunderbolts foi o melhor mas mesmo assim ainda não foi grandes coisas. Escolhi Quarteto Fantástico porque era o filme que os fãs do gênero tinham maior expectativa – será que o MCU iria voltar aos áureos tempos? Por enquanto, a categoria “filme de super herói” ainda está em baixa. Aguardemos os próximos lançamentos, pra saber se 2026 será melhor.
https://www.heuvi.com.br/quarteto-fantastico-primeiros-passos/

Top 10: Melhores Filmes de 2025

Top 10 Melhores Filmes de 2025

Depois da lista dos piores, vamos aos dez melhores?

(Ainda farei uma lista de decepções e outra de expectativas fora do óbvio!)

Quase coloquei O Mistério da Lixeira, filme indiano da Netflix. Mas o filme é de 2024, heu que vi atrasado…

Queria fazer uma menção honrosa a três séries. Vejo poucas séries, não rola fazer um top 10. Mas se fizesse, certamente citaria Pluribus, Andor e Adolescência.

Lembrando que esta é a “minha” lista. Discorda? Ok, escreva a sua aqui embaixo, prometo que comento sua lista!

Vamos à lista? Todos os filmes foram comentados aqui no heuvi!

10-Nosferatu
Lançado na virada de 2024 pra 2025, fiquei na dúvida se podia entrar aqui. Mas como vi em janeiro, acho que tá valendo. Esta versão dirigida por Robert Eggers tem várias sequências com visual deslumbrante, a trilha sonora também é muito boa, e além disso, todo o figurino e reconstituição de época são perfeitos. E Bill Skarsgård está assustador, tanto na aparência quanto na voz
https://www.heuvi.com.br/nosferatu-2024/

9-Predador Terras Selvagens
O público se acostumou com a ideia de que o yautja (a espécie dos Predadores) é um vilão, mas na verdade, ele é apenas um caçador. E este novo filme da franquia traz o ponto de vista de um jovem yautja, fraco e rejeitado por um pai abusivo, e que por isso resolve tentar conseguir um prêmio difícil: matar uma criatura que nenhum yautja até hoje conseguiu matar, em um planeta muito perigoso. Detalhe: não tem nenhum humano na trama.
https://www.heuvi.com.br/predador-terras-selvagens/

8-Prédio Vazio
Primeiro terror “urbano” dirigido por Rodrigo Aragão, o filme se passa em um prédio na Praia do Morro, em Guarapari. Claras influências de Sam Raimi, Dario Argento e Zé do Caixão, tudo isso com uma pitada de trash por cima – Aragão saber mostrar sangue e gore. Ainda tem fantasmas escondidos pelo cenário em algumas cenas! Pena que pouca gente viu, boa parte do público tem preconceito com terror nacional.
https://www.heuvi.com.br/predio-vazio/

7-Conclave
Conclave traz uma boa história, numa trama fluida e grandes atuações de Ralph Fiennes, Stanley Tucci, John Lithgow e Isabella Rossellini. Todos os personagens são bem construídos, a fotografia é belíssima e a trilha sonora também é muito boa. É daqueles filmes onde tudo está no lugar certo, era o filme que achei que ia levar o Oscar.
https://www.heuvi.com.br/conclave/

6-Chefes de Estado
Quem me conhece sabe que gosto da frase lema da rede Luis Severiano Ribeiro: “Cinema é a maior diversão”. E, com Ilya Naishuller na direção, mais John Cena e Idris Elba liderando o elenco, Chefes de Estado é divertidíssimo! O filme traz um equilíbrio perfeito entre ação e comédia, e traz várias sequências antológicas. Ok, o roteiro às vezes é forçado, mas preciso admitir que me diverti muito.
https://www.heuvi.com.br/chefes-de-estado/

5-Frankenstein
Finalmente ficou pronta a adaptação que Guillermo del Toro fez para o seu livro favorito. E assim como aconteceu em Pinóquio, cada cena, cada frame, tudo parece esculpido a mão. Frankenstein é um filme ao mesmo tempo grotesco e belíssimo! Todo o visual do filme é digno de prêmios – provavelmente teremos algumas indicações ao Oscar no início do ano que vem. Figurinos, cenários, maquiagem, props, tudo é feito com precisão. E ainda tem grandes atuações de Jacob Elordi e Oscar Isaac.
https://www.heuvi.com.br/frankenstein/

4-F1
Alguns filmes merecem estar em listas de melhores porque representam o que é “cinemão”, com tudo de superlativo que isso pode trazer. Assim como Top Gun Maverick foi um filme que colocou o espectador dentro da cabine de um avião, F1 colocou dentro de um carro de Fórmula 1. Nunca antes na história do cinema uma corrida de carros foi tão bem filmada. A história não é muito original, mas é bem conduzida, e o elenco encabeçado por Brad Pitt e Javier Bardem têm carisma o suficiente pra fazer a gente se importar.
https://www.heuvi.com.br/f1-o-filme/

3-A Hora do Mal
Zach Cregger, diretor de Barbarian Noites Brutais, traz mais um filme de terror fora do padrão. Aqui acontece um evento misterioso, e a trama vai e volta, vista sob vários pontos de vista diferentes, até a gente entender o que aconteceu. O elenco está ótimo e o clima de tensão é muito bem construído. E ainda tem um final catártico que dividiu opiniões – mas heu gostei!
https://www.heuvi.com.br/a-hora-do-mal/

2-A Vida de Chuck
Talvez A Vida de Chuck não merecesse posto tão alto numa lista de melhores filmes do ano, reconheço que não é um grande filme. Mas é um filme que conseguiu me tocar de um jeito que poucos filmes conseguem. Foram dois momentos “mágicos”. Um deles é a cena do diálogo entre a professora e o menino, o espectador esperto vai sacar o que aconteceu na primeira parte do filme. Mas, melhor do que isso foi a cena da bateria, com Tom Hiddlestone dançando. Heu poderia rever aquela cena inúmeras vezes!
https://www.heuvi.com.br/a-vida-de-chuck/

1-Pecadores
A história é boa, o elenco está ótimo, a ambientação de época é perfeita, os efeitos especiais são excelentes, e uma trilha sonora que me pegou como há muito tempo uma trilha não me pegava. E tem uma cena sensacional no meio do filme, um um plano sequência que começa com o personagem cantando e tocando violão, e a música cresce e toma rumos inesperados, e a câmera começa a passear por caminhos igualmente inesperados. Filmaço!
https://www.heuvi.com.br/pecadores/

Top 10: Piores Filmes de 2025

Top 10: Piores Filmes de 2025 (25/12)

Mais um fim de ano, época de fazermos nossas listas de melhores e piores do ano. Vou começar com a de piores, em alguns dias postarei a de melhores, depois uma de decepções, e logo depois vou mandar uma lista de expectativas fora do óbvio para 2026 (como fiz nos últimos anos).

Antes da lista, um comentário: esta é a “minha” lista. Discorda? Ok, escreva a sua aqui embaixo, prometo que comento sua lista!

Vamos à lista? Lembrando que todos os filmes foram comentados aqui no heuvi!

10-A Vingança do Popeye
A Vingança do Popeye até começa bem. Mas lembra o meme do desenho do cavalo: uma boa introdução, um desenvolvimento capenga e um final bem ruim.
https://www.heuvi.com.br/a-vinganca-do-popeye-popeyes-revenge/

9-Branca de Neve
Além de ser mais um live action desnecessário, ainda teve alterações na história original, aparentemente só pra se aproximar da cultura woke. Tipo o príncipe agora é um ladrão, e anda com uma galera que parece saída de uma turma de Humanas da Universidade Federal.
https://www.heuvi.com.br/branca-de-neve/

8-Bambi: O Acerto de Contas
Todo mundo já sabia que seria ruim, mas conseguiu ser ainda pior que o esperado. CGI tosco e um roteiro cheio de furos. A única cena que se salva é a dos coelhos.
https://www.heuvi.com.br/bambi-o-acerto-de-contas-bambi-the-reckoning/

7-Shadow Force – Sentença de Morte
Joe Carnaham tem alguns filme legais no currículo, mas às vezes erra. Neste Shadow Force ele errou bem mais do que a média. O roteiro é tão tosco que fiz uma lista de 8 coisas que não fazem sentido.
https://www.heuvi.com.br/shadow-force-sentenca-de-morte-8-coisas-que-nao-fazem-sentido/

6-O Ritual
Filme chato e arrastado, repete todos os clichês do cinema de exorcismo, e ainda usa uma câmera na mão que lembra The Office. Al Pacino merecia um filme melhor nessa fase de sua carreira.
https://www.heuvi.com.br/o-ritual-2/

5-Hurry Up Tomorrow
Um longo e tedioso videoclipe do cantor The Weeknd. Tem uma cena interessante no meio, mas tirando isso, tudo é muito chato. Pretensioso e chato.
https://www.heuvi.com.br/hurry-up-tomorrow-alem-dos-holofotes/

4-Código Alarum
A estreia hollywoodiana da Isis Valverde foi péssima. Ela aparece pouco, e o filme é horrível. O roteiro é um lixo, a história é confusa e mal amarrada, as atuações são péssimas, os efeitos especiais são sofríveis, tudo é ruim.
https://www.heuvi.com.br/9-coisas-que-nao-fazem-sentido-em-codigo-alarum/

3-Os Estranhos Capítulo 2
O primeiro Os Estranhos estava na lista de piores de 2024, e este segundo é tão ruim quanto. Pior: como é o “filme do meio” de uma trilogia, nada relevante acontece. Mesmo assim, os furos de roteiro são abundantes! E o pior é que em 2026 vai ter o capítulo 3!
https://www.heuvi.com.br/os-estranhos-capitulo-2/

2-Blindado
Picaretagem vendida como se fosse filme do Stallone. Na verdade parece um episódio de série de meia hora esticado pra virar um longa. E o roteiro tem tantos furos que se heu começar a listar, o vídeo não acaba hoje.
https://www.heuvi.com.br/blindado/

1-Guerra dos Mundos
Difícil tirar de Guerra dos Mundos o título de pior do ano. Tudo deu errado, os efeitos são ruins, o roteiro é péssimo, as atuações são sofríveis. A trama não faz o menor sentido. Parece uma longa e infeiciente propaganda da Amazon.
https://www.heuvi.com.br/guerra-dos-mundos-2025/

A Empregada

Crítica – A Empregada

Sinopse (imdb): Segue uma mulher em dificuldades que está feliz em recomeçar como empregada doméstica para um casal rico e elitista.

A Empregada (The Housemaid, no original) é o novo suspense dirigido por Paul Feig, que tem um longo currículo na comédia (Missão Madrinha de Casamento, As Bem Armadas, Caça Fantasmas (2016)), mas que já tinha entrado no suspense, com Um Pequeno Favor. Seu novo filme é baseado no livro de Freida McFadden – não li o livro, meus comentários serão só sobre o filme.

A Empregada tem aquele formato onde vemos uma trama com alguns elementos estranhos, e depois rola uma reviravolta de roteiro onde tudo passa a ser visto sob uma nova perspectiva. Millie (Sydney Sweeney), que tem um passado misterioso, está procurando emprego, e começa a trabalhar na casa de Nina (Amanda Seyfried). Só que pouco depois que começa o trabalho, Nina se mostra uma pessoa completamente desequilibrada.

Depois da virada de roteiro a gente entende algumas coisas que antes estavam nebulosas. Mas se heu puder fazer uma crítica, achei meio abrupta a mudança de comportamento de alguns personagens. No filme até funciona, mas me pareceu artificial.

O grande lance aqui é a dinâmica entre Sydney Sweeney e Amanda Seyfried. Sydney esteve envolvida recentemente em polêmicas vazias (talvez o maior problema do mundo atual seja essa polarização que transforma tudo em flaxflu), mas já mostrou que é uma grande atriz – e quem discorda de mim, veja o final de Imaculada. Enfim, polêmicas à parte, Sydney, que além de atuar bem, é uma das mais bonitas da sua geração, está bem aqui. Amanda às vezes parece um pouco over, mas ela também funciona bem no papel, principalmente depois do plot twist, quando sabemos o que realmente aconteceu. Enfim, as duas estão bem e valem o filme.

O papel masculino principal é de Brandon Sklenar. Curioso que já vi alguns filmes com ele, mas não lembro de nenhuma das suas atuações. Não sei se é uma falha minha ou se ele realmente é um cara mais apagado. Michele Morrone, famoso pela bomba 365 Dias e por ser um novo “Cigano Igor”, tem um papel muito mal desenvolvido como o jardineiro – ou seja, é um ator ruim num papel ruim. E, pra quem é das antigas, a mãe do protagonista é Elisabeth Perkins, de Sobre Ontem À Noite (1986) e Quero ser Grande (88).

A Empregada é um pouco longo, não precisava de mais de duas horas pra contar essa história. Mas quem curtia aqueles suspenses dos anos 90, com reviravoltas e um toque de erotismo, vai se divertir.

 

Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Crítica – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Sinopse (Netflix): O detetive Benoit Blanc conta com a ajuda de um jovem padre para investigar um crime perfeitamente impossível na igreja de uma cidadezinha que tem uma história sombria.

Em 2019, fomos apresentados ao detetive Benoit Blanc, uma espécie de novo Hercule Poirot, no divertido e bem escrito whodunit Entre Facas e Segredos. Três anos depois, Benoit Blanc voltou em outro novo mistério, em Glass Onion, Um Mistério Knives Out, filme que trazia o mesmo personagem, em uma história completamente independente do primeiro filme. Agora, em 2025, mais uma vez dirigido por Rian Johnson (Star Wars episódio 8), Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (Wake Up Dead Man, no original) repete a ideia: novo filme, mesmo personagem, mestilo, história 100% independente.

(Curiosidade sobre os títulos dos três filmes. Knives Out é uma música do Radiohead; Glass Onion é dos Beatles. Wake Up Dead Man é uma música do U2.)

(Glossário: whodunit é aquele estilo de narrativa de filme, livro ou peça teatral, onde acontece um crime e temos vários possíveis culpados, e o espectador / leitor precisa juntar peças soltas pra tentar descobrir o culpado. A literatura tem pelo menos dois nomes bem famosos no estilo: Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle; e Hercule Poirot, da Agatha Christie.)

Assim como os dois primeiros filmes, Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out traz um grande elenco, e o único repetido é Daniel Craig como Benoit Blanc. Curioso que desta vez o detetive é quase um coadjuvante, porque o filme é muito mais do padre Jud (Josh O’Connor). Digo mais: Blanc só aparece depois de 39 minutos e meio de filme.

Aliás, bora falar do elenco, que é fantástico. Daniel Craig está ótimo, e pode tirar uma onda que poucos conseguem no cinema: viveu personagens marcantes em duas franquias diferentes (acho que nenhum outro James Bond conseguiu “se livrar” do personagem). Mas claro que o destaque é Josh O’Connor, o que foi uma agradável surpresa, já que o último filme que vi dele foi o decepcionante The Mastermind. Glenn Close e Josh Brolin também estão excelentes. Também no elenco, Mila Kunis, Jeremy Renner, Kerry Washington, Andrew Scott, Cailee Spaeny, Daryl McCormack, Thomas Haden Church, Jeffrey Wright e Annie Hamilton. Ah, tem um momento que o Thomas Haden Church está vendo baseball na TV, a voz do comentarista é de Joseph Gordon Levitt – que também tinha feito apenas uma voz em Glass Onion.

O assassinato realmente é intrigante e parece impossível, acho difícil algum espectador conseguir solucionar. E na parte final acontece um outro crime, igualmente impossível, que deixa a trama ainda mais misteriosa. Será que Benoit Blanc vai conseguir solucionar o caso dessa vez? Apesar de uma forçadinha aqui e outra ali, achei os dois casos muito bem bolados, e as soluções me convenceram. Além disso, o ritmo do filme é muito bom, são quase duas horas e meia que passam rapidinho.

Por fim, vou repetir o que falei três anos atrás e vou falar mal do nome brasileiro do filme. O primeiro filme aqui foi chamado “Entre Facas e Segredos”. O segundo tem um subtítulo “Um Mistério Knives Out”. Por que não “Um Mistério Entre Facas e Segredos”? E o terceiro filme repete: “Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out”. Bem, pelo menos agora o subtítulo fez um link com o segundo filme…